Ttulo: O Filho De Lady Sarah.
Autora: Gayle Wilson.
Dados da edio: Editado por HARLEQUIN IBRICA, S. A. 1999.
Coleco: Narrativa, N 77 -1. 2. 05
Ttulo original: Lady Sarah's Son.
Numerao de pgina: rodap.
Digitalizao e correco: Dores Cunha.
Estado da obra: corrigida.
Esta obra foi digitalizada sem fins comerciais e destina-se unicamente  leitura de pessoas portadoras de deficincia visual. Por fora da lei de direitos de autor,
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Harlequin
Editado HARLEQUIN IBRICA, S. A. Hermosila, 21 28001 Madrid
 1999 Mona Gay Thomas. Todos os direitos reservados.
O Filho De Lady Sarah, N 77 -1. 2. 05
Ttulo original: Lady Sarah's Son.
Publicada originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.
Todos os direitos, incluindo os de reproduo total ou parcial, so reservados. Esta edio foi publicada com a autorizao de Harlequin Enterprises II BV.
Todas as personagens deste livro so fictcias. Qualquer semelhana com alguma pessoa, viva ou morta,  pura coincidncia.
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Prlogo
Irlanda,1809
Nunca tinha visto ningum morrer, pensou lady Sarah Spenser enquanto contemplava, quase sem ver, a dbil respirao da sua irm. O peito de Amelia subia e descia
de forma quase imperceptvel.
Sarah tinha perdido a sua me quando era criana, mas aquela morte tinha ficado gravada na sua mente como meros sussurros das criadas, uma experincia vaga e distante 
que no tinha compreendido at muito tempo depois.
Naquela altura, sabia que a sua me estava ausente,  claro, mas pensava que teria ido com o seu pai a Londres. Pensava que maman voltaria para casa dali a pouco, 
como noutras ocasies. Sorrindo, a sua lindssima me francesa entraria no quarto ou na sala de aula, com os
braos cheios de presentes e a cabea adornada com um novo e elegante chapu adquirido na loja mais luxuosa de Londres. Quando Sarah por fim compreendeu que maman 
no voltaria nunca mais, a dor da sua ausncia j era familiar e tolervel.

No tinha a certeza de que a morte de Amelia o fosse, e mesmo assim, viu-se obrigada a aceitar que no podia fazer nada pela sua irm. David tinha-a finalmente escutado 
e tinha mandado
chamar um mdico. Embora o homem tivesse salvo a criana, limitou-se a mover a cabea, em resposta s repetidas splicas de Sarah para que parasse a perda de sangue 
imparvel.
Tanto sangue, pensou. Mais do que o corpo gracioso e esbelto da sua irm poderia ter no seu interior. Uma vez que os seus olhos inexperientes e desacostumados tinham 
aceite, finalmente, que Amelia no poderia sobreviver quela noite, Sarah tinha recordado tudo o que as duas irms tinham partilhado ao longo dos anos. Gargalhadas 
e lgrimas e milhares de segredos sussurrados. A paixo do primeiro amor. Os sonhos do futuro.
As duas meninas, rfs de me, deixadas aos cuidados de um pai cada vez mais frio e distante, tinham aprendido a consolar-se mutuamente. Sarah, dois anos mais velha, 
sempre tinha tentado cuidar de Amelia. S tinha falhado uma vez e a
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morte solitria da sua irm era o resultado daquele fracasso.
To branca e fria", pensou Sarah, acolhendo os seus magros dedos nas suas mos, tentando inconscientemente transmitir-lhe o seu calor e mant-la afastada da morte 
um pouco mais. O mesmo que Sarah e a enfermeira, que David tinha chamado, tinham tentado fazer antes: aquecer o recm-nascido para o manter vivo. Naquele momento, 
parecia destinada a perder as duas batalhas.
- No te zangues comigo, Sarah.
Aquele sussurro tirou-a dos seus pensamentos desconsolados. Levantou rapidamente os olhos da mo da sua irm para contemplar o seu rosto plido. Os olhos de Amelia, 
que desde a sua infncia tinham cintilado com uma alegria incrvel, apareciam enormes e sombrios nas suas conchas afundadas e as suas plpebras tinham a cor amarelada 
dos velhos cheios de rugas.
- Nunca poderia zangar-me contigo, querida
- respondeu Sarah, em voz baixa. Forou um sorriso, suspeitando que a sua irm a conhecia demasiado bem para se deixar enganar.
- Vou morrer; no vou? - perguntou Amelia, numa voz to fraca que Sarah teve que aguar o ouvido para entend-la. As suas palavras pareciam vazias de toda a emoo, 
expressavam apenas uma mera necessidade de saber.
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Com a garganta demasiado fechada para falar, Sarah limitou-se a assentir. J era demasiado tarde para mentiras e enganos, j tinha havido demasiados. E Amelia merecia 
a oportunidade de fazer as pazes com o Pai Celestial.
Claro que pouco o tinha contrariado durante os seus curtos dezasseis anos. O seu nico pecado tinha sido amar David Osborne o suficiente para lhe dar um filho fora 
do casamento e ser bastante jovem e vulnervel para sucumbir s suas maquinaes e adulaes desumanas.
- Pobre pap - sussurrou Amelia.
Uma lgrima rolou pela extremidade do seu olho. Deixou um rasto pelo seu rosto e descansou sobre a fronha branca da almofada. Quase no havia diferena com a cor 
da sua tez.
Sarah secou a sua lgrima com o polegar, apercebendo-se uma vez mais do frio excessivo da sua pele.

- No chores - sussurrou.
- Como est o meu beb?
- Adormecido - respondeu Sarah, perguntando-se se seria verdade. Embora o recm-nascido tivesse atravessado o vu do qual a sua irm se aproximava, no fazia sentido 
angustiar Amelia com aquela notcia.
Sarah e a enfermeira alternaram, embalando-o nos braos, tentando aquecer o corpo frgil com o seu. A enfermeira tinha conseguido repreender
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o senhor da casa com vigor suficiente para que lhes trouxesse um balde de carvo para o fogo, de modo que os aposentos que David tinha alugado tivessem, pelo menos, 
um mnimo de calor. Mas isso no bastava para que o menino reagisse, nem para afastar o flego frio da morte do leito da sua irm.
- David? - sussurrou Amelia, escrutinando o rosto de Sarah.
Fora", pensou Sarah com amargura, recordando a nica palavra que David lhe tinha dito quando Sarah se atreveu a perguntar-Lhe onde ia. Tinha- Lhe suplicado que ficasse, 
mas as suas splicas no tinham tido efeito. Apesar do que sentia por ele, a sua mente tentava formular uma desculpa para o seu comportamento inadmissvel.
Por que no outra mentira? ", pensou, contemplando os olhos suplicantes da sua irm. O que podia importar? Osborne no tinha feito outra coisa seno mentir desde 
que o tinham conhecido. Desde que Amelia o tinha conhecido, corrigiu-se e o tinha apresentado a Sarah. Um encontro fatal.
A linhagem dos Spenser tinha recado unicamente em mulheres, na ltima gerao, e no havia nem sequer um primo afastado que pudesse reclamar as vastas posses do 
seu pai. Sabia-se h muito tempo que Sarah e Amelia seriam as herdeiras, e como o seu pai se tinha casado numa idade tardia e j tinha quase setenta anos, no podiam 
demorar muito a receber o seu legado.
Portanto, o atraente e encantador ex-oficial irlands tinha cortejado primeiro Sarah. Ao ver que o seu corao estava comprometido de maneira irrevogvel, tinha 
centrado os seus cuidados em Amelia, que nem sequer era uma debutante. Apesar das suas escassas possibilidades, David tinha levado Mellie consigo antes que Sarah 
ou o seu pai tivessem oportunidade de imaginar o que estava a fazer, ou impedir o acontecido.
Afinal de contas, Amelia no tinha mentido uma nica vez na sua curta vida. Pelo menos, isso teria jurado Sarah antes da sua irm planear fugir e casar-se com um 
aventureiro irlands que tinha o dobro da sua idade. Amelia tinha deixado uma nota, de letra grande e ainda sem personalidade, um vestgio da formao que to recentemente 
tinha concludo, na cabeceira da sua cama.
O marqus de Brynmoor; perseguindo-os at  exausto, tinha tentado det-los, mas Osborne era demasiado astuto para se deixar apanhar por um pai enfurecido. Em vez 
de seguir a estrada do Norte para Gretna, o casal tinha fugido para a costa para entrar num navio rumo  Irlanda. E tinham desaparecido.

Sarah sentiu ento como o seu mundo se desmoronava e a estabilidade que tinha conhecido se desvanecia em apenas um instante. Na consequncia da fuga de Amelia, o 
indignado marqus de Brynmoor tinha declarado ao mundo que a sua filha mais nova tinha morrido. Tinha at celebrado o seu funeral e tinha mandado enterrar um caixo 
vazio no panteo familiar.
Atnita pela raiva injustificada do seu pai e a sua estranha reaco, Sarah tentou dizer ao clrigo que a sua irm no tinha morrido. A nica coisa que conseguiu 
foi que o ministro de Deus lhe assegurasse que Amelia continuava viva em Cristo e que a veria no cu.
Justin, a nica pessoa em quem teria confiado aquele segredo, estava demasiado longe para ajud-la, lutando com Wellington em Espanha. E pr por escrito os srdidos 
detalhes da sua situao familiar parecia-lhe impossvel, mesmo depois de receber a carta de condolncias de Justin. O seu irmo Robert tinha-lhe escrito a contar-lhe 
sobre a morte de Amelia. Quando Sarah recebeu a resposta do seu noivo, vinda da Pennsula, j tinha decidido que tinha perdido a sua irm para sempre.
Apenas dois meses depois, Sarah tinha recebido a missiva quase frentica de Amelia a suplicar-lhe que fosse v-la. Sarah nem sequer pensou duas vezes e respondeu 
quela splica. Para
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ir ver a sua irm, viu-se, no entanto, obrigada a mentir ao seu pai pela primeira vez na sua vida.
Tinha inventado uma conhecida da sua me, uma irlandesa doente, que a tinha convidado a passar uma temporada na sua casa. O seu pai, que cada dia estava mais sumido 
na loucura, aceitou a histria sem discusses.
Quando Sarah se apresentou em Dublin e soube que Osborne nem sequer tinha casado com a sua irm, compreendeu que no podia deixar que Amelia desse  luz um beb, 
sozinha. Nem mesmo quando teve que recusar Osborne depois de uma renovada tentativa de seduo. Assim era o homem que tinha levado a sua irm  morte.
- David saiu para comprar mais carvo para o lume - disse Sarah por fim, mentindo sem o menor indcio de remorso. Estava a ficar uma perita, pensou, portanto, completou 
a sua patranha sem hesitao. - Tinha medo que o beb no ti vesse calor suficiente.
Os olhos febris da sua irm cravaram-se em Sarah, querendo acreditar nela. Querendo ainda acreditar no homem a quem tinha entregue tudo, incluindo a sua vida.
- Cuida dele - pediu-lhe Amelia.
De Osborne? ", pensou Sarah com incredulidade, e depois compreendeu o que a sua irm estava a pedir- lhe. Mellie queria que Sarah lhe prometesse que cuidaria do 
seu filho, aquele pedao enrugado de humanidade cuja vida parecia to precria como a da sua me.
- F-lo-ei - jurou em voz baixa.
- No digas... - Amelia no pde continuar, fechou os olhos e a sua respirao fraquejou. Em seguida, voltou a abrir as plpebras lentamente, e os seus olhos de 
cor azul escura cobraram mais vida do que a que tinham reflectido em vrias horas. - No digas a ningum - suplicou Amelia. - Nem sequer ao pap. No poderia suportar 
que soubessem o que fiz.
- No o direi - prometeu Sarah em seguida, apertando os dedos gelados entre os seus. Mas no albergavam fora suficiente para que Amelia respondesse. Outra lgrima 
deslizou fracamente pelo caminho que a primeira tinha esboado.
- Pensaro to mal de mim - sussurrou a sua irm.

- No, querida, ningum pensar nunca mal de ti. No o consentirei - jurou Sarah com ferocidade. - Ningum saber, nunca.
Amelia olhou novamente para ela, avaliando a sinceridade daquela promessa fervente.
- Jura sobre a sepultura de maman - pediu-lhe. - Jura que nunca ningum saber o que fiz.
- Juro - disse Sarah, sem lhe soltar os dedos, que pareciam cada vez mais frios. Mais inertes.
- Sobre a sepultura da mam - exigiu Amelia,
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e a sua vivacidade de adolescente reflectiu-se nos seus olhos demasiado brilhantes. Por um momento, pareceram vibrar com a mesma vida e promessa de sempre.
O que importava, pensou Sarah, que promessas pudesse fazer para suavizar aquela transio. Nunca trairia a confiana de Amelia. Nunca faria correr rumores sobre 
a sua irm, nem destruiria o bom-nome da sua familia. Era um pedido simples, portanto, inspirou fundo e deu a Amelia o juramento que desejava.
- Juro sobre a sepultura de maman.
Amelia assentiu com um movimento de cabea quase imperceptvel. Depois fechou os olhos... e no voltou a abri-los.
- Porque no posso lev-lo comigo - disse David. As suas agradveis feies nem sequer se alteraram de irritao enquanto repetia a sua negativa, imune aos argumentos 
de Sarah.
-  o teu filho - afirmou Sarah, aninhando o infante contra a suavidade dos seus seios, mais segura naquele papel maternal que h duas semanas, quando tinha nascido. 
- No pretenders abandonar o teu prprio filho.
Baixou os olhos para o minsculo rosto, tranquilo pelo sono. Talvez tivesse perdido a batalha de salvar Amelia, mas o beb da sua irm tinha-se
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agarrado  sua vida frgil com mais tenacidade.
- Tu podes cuidar dele - sugeriu David com fluidez, esboando um sorriso com os seus lbios bem formados. - Vais faz-lo muito melhor do que eu, Sarah.
- No posso lev-lo para casa - insistiu Sarah. - No sabes...
- Infelizmente - interrompeu Osborne, - eu sei. Sei em que estado se encontra o teu pai, querida. O suficiente para te assegurar que no penso pr os ps na sua 
manso  apresentar-lhe o seu neto. Por muito que eu gostasse de ver a sua cara se o fizesse - acrescentou, e o seu sorriso alargou-se com aquele pensamento.
- Mas o que vou fazer? - perguntou Sarah.
Voltou a contemplar o rosto da criana, que era bonito quando no estava avermelhado ou contrado pelo choro. Aos seus dezoito anos, Sarah tinha muito pouca experincia 
com crianas e demasiada com os ataques de raiva e loucura do seu pai. Tambm lhe custava imaginar aparecer na sua casa com o filho ilegtimo de Amelia nos braos.
- Logo te ocorrer alguma coisa, tenho a certeza - disse David. - Confio em ti e sei que Amelia faria o mesmo. Na verdade, estou con vencido de que teria preferido 
deixar o seu filho
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nas tuas mos do que nas minhas, muito menos competentes.

Sarah inspirou fundo e o movimento fez com que o menino se mexesse. Baixou a cabea a tempo de ver como abria os olhos. Eram to azuis como os de Amelia. Como os 
seus. Aquele tom marinho era o selo dos Spenser, como podia comprovar-se na galeria de retratos de Longford. O beb bocejou e os seus minsculos lbios abriram-se 
para revelar umas gengivas rosadas. Parecia estar a olhar para o seu rosto, como se estivesse interessado nela. Como se quisesse comunicar com ela.
Para lhe dizer que David tinha razo, que Amelia teria preferido deixar o seu filho nas mos inexperientes de Sarah que ao cuidado irresponsvel e dissoluto do seu 
pai? Um pai que tinha demonstrado no ser capaz de se preocupar com nada que no fosse o seu prprio prazer.
Depois de estragar a vida de Amelia, David tinha-a tratado cruelmente, pelo menos durante as ltimas semanas da sua gravidez difcil, quando Sarah tinha estado com 
eles. E tambm no se tinha preocupado com a sua morte. Sarah tinha tratado de tudo para o funeral, embora David tivesse chamado um sacerdote ao saber que Amelia 
tinha morrido. Dado que a sua irm no tinha sido catlica, aquele episdio parecia deslocado.
To deslocado como aquele beb seria em
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Longford, pensou Sarah. No entanto, no tinha outra escolha seno lev- lo consigo. Tinha prometido  sua irm moribunda que cuidaria dele e tinha-o jurado sobre 
a sepultura da sua me.
Sarah no tinha imaginado como a sua vida ia mudar com aquela simples promessa. E quando, por fim, soube, foi demasiado tarde para voltar atrs.
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Um
Inglaterra,1813
Depois de fazer uma primeira inspeco  sua herana, o novo conde de Wynfield cedeu a um arrebatamento de desespero fora do comum. Deixou-se cair na poltrona, atrs 
da enorme escrivaninha do seu pai e enterro a cabea nas mos.
Os que tinham servido no exrcito sob as ordens de Justin Tolbert ter-se-iam surpreendido com aquele gesto. Os seus homens tinham sido apenas testemunhas da sua 
coragem e fortaleza em numerosas batalhas, sobretudo quando o seu regimento tinha todas as condies para perder.
Ento no era o conde de Wynfield, mas o coronel Justin Tolbert. O ttulo e a herana que lhe correspondiam naquele momento tinham pertencido ao seu irmo, durante 
os seus anos no exrcito. Uma herana que se esfumou nas mos do
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seu irmo, excepto o ttulo que Justin nunca tinha esperado nem desejado ostentar.
Os campos antes cultivados da fazenda familiar estavam abandonados. As casas dos agricultores estavam em tal estado de runa que no s seria custoso mas perigoso 
repar-las. O cenrio lgubre que o conselheiro do seu pai Lhe tinha pintado em Londres no se aproximava da realidade que lhe tinha dado as boas-vindas de volta 
ao seu lar:

Que boas-vindas", pensou com amargura. Que inferno,". Tinha acabado de chegar quando recebeu a terrvel notcia da morte de Robert, seguida da brutal anlise da 
sua runa financeira.
Justin tinha sonhado regressar ao seu exuberante canto da Inglaterra. Aquele sonho tinha-o animado durante as privaes da longa gurra que os britnicos tinham 
levado contra o imperador. Durante as noites na sua tenda, tinha evocado as mesmas paisagens que tinha visitado naquele dia, agora terrenos baldios pelo descuido 
e a m administrao.
Primeiro, tinha sido o descuido do seu pai do qual, at certo ponto, tinha estado consciente durante a sua adolescncia, embora a sua mente juvenil no imaginasse 
as consequncias. Depois da morte do velho conde, o seu irmo Robert no s tinha herdado o ttulo do seu pai, como tambm as suas fraquezas: o gosto excessivo
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pela bebida e por apostas desmesuradas e estpidas nos estabelecimentos de jogo de Londres.
Em menos de dois anos, depois de herdar o ttulo, Robert tinha morrido vtima de um duelo absurdo incitado pelo lcool. Tinha sido uma questo de honra", embora 
nenhum dos amigos de Robert pudesse recordar que insulto a tinha originado. O que recordavam, e com horror, era que o oponente, menos brio, do seu irmo tinha conseguido 
disparar-lhe uma bala no corao.
Aquele tinha sido o primeiro golpe duro aps o seu regresso. O segundo, descobrir que a sua propriedade, Wynfield Park, que tinha estado na sua famlia durante mais 
de duzentos anos, estava to hipotecada que no valia um tosto. E embora o trabalho fsico de restaurao no parecesse to vasto e inabordvel, no tinha recursos 
para realizar as melhorias. Nem ningum que quisesse dar-lhe um crdito para resolver o seu patrimnio. J lhe tinham explicado tudo aquilo em Londres, mas no tinha 
acreditado to talmente at ter visto aquela devastao com os seus prprios olhos...
- Digo ao cozinheiro que atrase o jantar, milorde?
Ao ouvir a voz do seu mordomo, Justin levantou a cabea. Os seus olhos cor de avel contemplaram a figura que estava na soleira da porta. A soleira de uma porta 
que oxal se tivesse 18
lembrado de fechar, pensou com amargura. A ltima coisa que desejava era que corressem rumores de que estava abatido devido  sua situao. Manter as aparncias 
tinha sido uma das principais preocupaes do seu pai e Justin supunha que tinha herdado aquele princpio.
- S o tempo de me mudar - respondeu.
- Muito bem, milorde - entoou o idoso com solenidade, e comeou a afastar-se. No entanto, pareceu surgir-lhe outro pensamento, porque se virou e olhou para Justin 
com um brilho especulativo no seu olhar - Se me permitir o atrevimento... - introduziu como prefcio. Como Justin no Lhe negou a permisso de expressar a sua opinio, 
continuou. - Talvez o senhor prefira jantar aqui. Com frequncia servia o jantar ao seu fa lecido pai nesta mesma diviso... quando o conde no desejava a cerimnia 
de uma refeio formal.
O mordomo no desviou o olhar do seu rosto. Justin no detectou pena nos seus olhos nem na sua voz, embora soubesse que Blevins tinha conscincia do que tinha descoberto 
na sua inspeco. Inclusive talvez soubesse tambm como lhe doa muito a perna.

Era estranho que um membro que j no estava presente pudesse causar- lhe tanta dor. O coto da amputao, que terminava um pouco mais abaixo da barriga da perna, 
ainda no se tinha acostumado  base e arns de couro do novo
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p que o sapateiro de Londres tinha fabricado para ele. Era um apndice que, pelo menos, lhe daria mobilidade, embora pouca comodidade.
Os movimentos mais simples, os que antes realizava de forma natural e inconsciente, no s eram dolorosos, como tambm arriscados. Justin tinha-se dito, com a mesma 
obstinao que o tinha aguentado durante cinco longos anos de guerra, que com o tempo se acostumaria ao desconforto. E se no se acostumasse, preferia morrer antes 
que algum soubesse. E esse lgum inclua Blevins.
- S o tempo de me mudar - repetiu, conferindo um laivo de frieza s suas palavras suaves.
- Estarei pronto para jantar em menos de uma hora. Na sala de jantar. Obrigado, Blevins.
Os olhos do idoso sustentaram o seu olhar uma fraco de segundo mais, a prerrogativa de um valioso criado da famlia. A sua voz no reflectiu a mnima contrariedade 
quando assentiu perante aquelas instrues.
- Muito bem, milorde - disse-lhe. Virou-se e saiu do escritrio em silncio, como tinha en trado.
Nas costas do mordomo, Wynfield fez uma careta de desgosto. Tinha sido grosseiro com um idoso que s pensava no seu bem. Talvez se parecesse mais com o seu pai do 
que tinha imaginado.
Apoiando as duas mos na escrivaninha, Justin
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levantou-se da poltrona. A dor no coto, ainda por cicatrizar, que o pesado p artificial tinha posto em carne viva, era um aviso do nmero de vezes que tinha descido 
da carruagem em resposta a uma splica de algum dos seus arrendatrios.
Tinha sido uma petio para que visse uma goteira de um telhado ou um poo fedorento. Ou um convite para que comentasse sobre um novo bezerro ou inclusive um beb. 
Nada que no pudesse ter esperado at outro dia, mas Justin no se negou. Aquela era a sua obrigao, ocupar-se do bem- estar das pessoas que viviam nas suas terras. 
E face ao que qualquer um pudesse dizer dele, pensou Justin com expresso lgubre, nunca poderiam acus-lo de fugir s suas responsabilidades. Nem sequer s mais 
desagradveis.
Como vestir-se para um jantar que comeria sozinho, quando o que realmente queria fazer era tirar aquele artefacto que o torturava e dei tar-se na cama at que a 
dor diminusse e pudesse dormir.
- Grande idiota - murmurou, em voz suficientemente baixa para que o seu comentrio recriminatrio no pudesse chegar aos ouvidos de nenhum criado que estivesse a 
rondar pelo corredor. Fechou os olhos antes de dar um passo. Quando apoiou o peso do seu corpo no p que lhe tinham fabricado em Londres, a dor pareceu-lhe to intolervel 
como tinha previsto.
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Orgulhoso incorrigvel - sussurrou o conde de Wynfield e, com a mesma coragem que o tinha distinguido na Pennsula, afastou-se a coxear para o seu quarto.
- Wynfield voltou.

Lady Sarah Spenser levantou os olhos da pequena cabea de caracis que as suas mos enluvadas tinham guiado ao descer os degraus da igreja. Levava o livro de oraes 
na outra mo, mas, de contrrio, teria cedido  tentao de uni-las para dissimular o seu tremor repentino.
Em troca, optou por acariciar suavemente os caracis de Drew antes de levantar a cabea. Nos olhos de lady Fortley havia um brilho de satisfao maliciosa que certamente 
se devia  sua sbita palidez. Aparentemente, a velha bisbilhoteira tinha visto reflectido no seu rosto a reaco que esperava pela notcia.
- Ah, sim? - limitou-se a dizer Sarah. - No sabia.
Baixou os olhos e aumentou a presso na cabea de Andrew. O menino obedeceu e desceu outro dos amplos degraus. Exactamente quando Sarah se dispunha a segui-lo, lady 
Fortley acrescentou:
- To tragicamente mudado,  claro. Pobre homem - Sarah voltou a contemplar o rosto da
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sua torturadora. - Claro que talvez tambm no te tenha informado - continuou lady Fortley, sorrindo com melosa amabilidade.
Uma amabilidade claramente falsa, reconheceu Sarah com irritao. No entanto, sentia-se to incapaz de fugir daquela conversa como de atirar Andrew pelas escadas. 
Ou de atirar lady Fortley, que, Deus a perdoasse, no lhe parecia uma aco de todo isenta de prazer.
- Mudado em que sentido? - perguntou, agradecendo pela serenidade da sua voz. O corao batia-lhe to violentamente que se perguntava se o camafeu da sua me no 
estaria a vibrar sobre o seu peito.
- Gravemente ferido. No sabia?
Por que o haveria de saber? Tinha quebrado todos os laos com Justin Tolbert h mais de quatro anos. Pouco depois de voltar para a Inglaterra com Andrew e de comearem 
a correr rumores.
- No sei como resolver as coisas - continuou lady Fortley, abanando a cabea. - Fortley diz que s veio para vender a sua propriedade, embora no imagine quem 
vai querer compr-la. Est em runas. E, conforme parece, est tudo hipotecado, at ao ltimo tijolo.
Sarah continuou a contemplar o rosto de lady Fortley, mas a sua mente levou o seu prprio rumo. Cuidar de Andrew e do seu pai e das suas propriedades tinha-lhe deixado 
muito pouco
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tempo para a vida social, mesmo se o distrito lhe tivesse oferecido essa possibilidade. Tinha-se apenas dado conta de que Wynfield Park estava a decair.
- Talvez, por fim, vejamos algum no banco dos Wynfield no prximo domingo - disse Sarah. Olhou para lady Fortley um momento mais e, em seguida, tocando de novo 
nos caracis de Andrew, conduziu-o pelos degraus restantes para a carruagem do seu pai. Enquanto caminhava, Andrew correu diante dela, livre de qualquer restrio 
sobre o seu comportamento ao abandonar a multido que se congregava diante da igreja.
Frases soltas ressoavam na cabea de Sarah. To tragicamente mudado,  claro. Pobre homem. Gravemente ferido. S veio para vender a sua propriedade.

Justin, pensou, sentindo a ameaa de umas lgrimas no desejadas. O homem que Sarah Spenser tinha amado mais do que  sua prpria vida e de quem se tinha privado, 
como se tinha privado de qualquer outro prazer durante os ltimos quatro anos. Sarah tinha-se negado a tudo, salvo a cumprir com o seu dever e guardar a promessa 
que tinha feito  sua irm moribunda.
Nada tinha mudado, disse Sarah, limpando com fria uma lgrima que tinha escapado pelo seu rosto, antes que algum a visse. Nada tinha mudado porque nada poderia 
mudar. Tal como
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as restantes realidades desagradveis que tinha enfrentado ultimamente, com o tempo tambm superaria aquela. Justin estava to longe do seu alcance como nos anos 
em que tinha lutado com Wellington, portanto, no fazia sentido chorar por ele como uma tola apaixonada.
Mesmo assim, o seu corao continuava a sussurrar o seu nome. Justin. Justin tinha voltado.
Enquanto cavalgava pela vasta extenso de bosque na parte oriental da sua propriedade, o conde de Wynfield no sentia sequer vestgios do desespero da semana anterior. 
Pelo contrrio, experimentou uma sensao vertiginosa de liberdade no momento em que subiu  sela e fincou os calcanhares nos flancos de Estrela. A obedincia instantnea 
do animal perante as suas ordens tcitas era reconfortante e, enquanto atravessavam o terreno escarpado, a confiana de Justin cresceu.
Montado sobre o cavalo, o seu corpo no o traa com a sua falta de jeito ainda pouco familiar. E se Estrela estava consciente de alguma mudana na tcnica do seu 
amo, no o revelava. Parecia gostar tanto do galope como ele.
Estava quase a chegar a uma clareira, no corao do bosque, uma clareira da qual no se lembrava, quando ouviu gritos. Vozes de crianas,
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reconheceu, e reduziu o passo. Ao princpio, pareceram-Lhe normais e reconfortantes. Afinal de contas, Robert e ele fugiam com frequncia para brincar com os filhos 
dos camponeses naquele mesmo bosque, que unia as terras de Wynfield com as de Longford.
A primeira criana entrou na clareira, seguida, a curta distncia, por um grupo de meninos. Es tavam to absortos na sua brincadeira que no se aperceberam da presena 
do cavaleiro. Enquanto os observava, sentindo-se velho e melanclico, Justin deu-se conta de que o que estava a desenvolver-se perante os seus olhos no era uma 
brincadeira. Uma variedade de projcteis, rochas, razes e paus caam sobre o pequeno que ia  frente. Um dos seus perseguidores mais altos atirou-lhe com uma pedra 
que o atingiu na parte de trs da cabea.
Embora quase o tivessem alcanado, a vtima virou-se e comeou a recolher os projcteis, atirando-os aos seus torturadores. Os seus tiros eram curtos e inteis, 
mas o seu esprito era digno de admirao, pensou Justin. No entanto, os outros no pareciam sentir-se admirados.
- Cerquem-no - gritou o rapaz que tinha atirado a pedra.
Como tropas bem adestradas, os seus seguidores rodearam a vtima ainda em atitude de desafio.
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O rapaz que dava as ordens saiu do crculo e deu um passo para ele.

- Agora vers o que  bom, bastardo - disse-lhe. Basta", pensou Justin, sobretudo dada a disparidade de tamanho entre os dois. Fincou os calcanhares nos flancos 
de Estrela e carregou contra os meninos. Os rapazes congregados em crculo dispersaram-se ao ouvi-lo. Os dois do centro levantaram os olhos com perplexidade quando 
Justin puxou as rdeas antes que Estrela os pisasse.
- Basta! - disse Justin. No elevou a voz mas utilizou o mesmo tom de comando que tinha empregue em incontveis campos de batalha. Justin sabia que Estrela e ele 
pareciam to ameaadores como So Jorge equilibrando-se sobre o drago com a lana na mo. - O que se passa aqui?
Com olhos muito abertos pela surpresa ou a admirao, os meninos ficaram em silncio por um instante. O mais alto dos dois tinha recuado, afastando-se do cavalo, 
mas o pequeno mal se mexeu.
- Isto no lhe diz respeito - respondeu o rapaz alto em tom beligerante, tentando recuperar a sua fanfarronice e o respeito dos seus amigos.
O primeiro-oficial", pensou Justin com regozijo, embora no se reflectisse na sua expresso. O seu rosto era to grave como se estivesse a enfrentar um inimigo.
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- Dado que ests nas minhas terras, penso que tudo o que acontece nelas me diz respeito - fez uma pausa para que pudesse assimilar a informao e depois apresentou-se. 
- Sou Wynfield.
Os olhos do lder abriram-se ainda mais. Naquela ocasio escrutinou o seu rosto e passeou o olhar com admirao pela pele brilhante de Estrela antes de pous-lo 
na bota direita de Justin, a que escondia o p artificial.
- Quem quer que seja - disse o rapaz, fazendo uma careta de desprezo, - certamente no  o conde.
Justin hesitou s por um segundo antes de dar a volta  sua vara e dar uma chicotada  bota bri lhante. O rudo que a madeira fez foi to slido como se tivesse 
batido numa porta. Claramente, no havia carne l dentro.
Ouviram-se exclamaes e maldies entre os marotos que o rodeavam. Depois de oferecer aquela prova irrefutvel da sua identidade, Justin fixou os olhos no menino 
que tinha duvidado da sua palavra.
- Adivinha outra vez - sugeriu ento com suavidade.
- No estamos a fazer nada de mal - assegurou o rapaz.
Wynfield estudou o seu rosto, de tez to imunda como os ndulos dos seus punhos. Os seus traos plidos e cansados recordavam-lhe
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os rapazes da povoao, com quem tinha brincado h quase um quarto de sculo. Tinham-se mostrado quase sempre respeitosos com as posies elevadas de Robert e dele, 
mas, de vez em quando, surgia um atrevido como aquele, geralmente o mais inteligente do grupo.
- Sempre que no lutares com justia estars a fazer algo de errado - recriminou-o Justin. Parece-me que tens demasiada vantagem.

Deliberadamente, desviou o olhar para o menino pequeno. Justin tinha falado em voz baixa, mas assegurou-se de que as suas palavras se pro pagavam pela clareira at 
aos rostos manchados que apareciam atrs das rvores circundantes. Apesar da sua fuga inicial para se livrarem do avano de Estrela, os outros meninos no tinham 
escapado, mais intrigados que assustados pela sua interveno.
- Pequeno bastardo! - gritou com desprezo o rapaz que Justin tinha tomado por lder. Depois cuspiu para o cho, e a saliva caiu junto s botas do menino. O gesto, 
assim como a sua voz, revelavam um desprezo absoluto. Demasiado desprezo para um rapaz to pequeno.
Justin contemplou o rosto do alvo de tanto dio. O menino observava o seu salvador, ignorando os outros. A sua pele fina estava avermelhada no lugar onde o tinham 
atingido, mas no dava sinais de ter chorado.
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- Agora j no te vo fazer mal - tranquilizou-o Wynfield.
- No me fizeram mal - respondeu o menino. A sua voz vibrava com desafio e aquela emoo era evidente at nos contornos do seu rosto infantil e do seu queixo levantado. 
Foi ento que justin se deu conta de que a sua roupa era muito diferente da dos outros rapazes.
No se tratava do filho de um agricultor, nem dos habitantes da povoao mais prxima, pensou Justin, estudando o casaco curto, de botes a condizer, com umas calas 
de l. As botas que calava estavam brilhantes e eram de boa qualidade. O que significava que...
Justin inspirou fundo e o sangue palpitou-lhe nos ouvidos de forma ensurdecedora porque sabia o que significava... o menino naquele lugar em concreto. E s tinha 
que fixar- se no rosto do rapaz e nos seus olhos de cor azul-marinho para comprovar que estava certo.
- Vo para casa - ordenou sem levantar a voz nem afastar os olhos do rosto do pequeno. - Est na hora de se irem embora.
O menino que acabava de salvar deu um passo em frente, fazendo inteno de ir com os outros.
- Tu no - pediu-lhe Justin. Surpreendido, o pequeno olhou para ele com incredulidade.
- Senhor? - perguntou o menino.
- Como te chamas? - inquiriu Wynfield, obedecendo a um impulso masoquista. Como vestir-se para jantar. Vagamente, apercebeu-se de que os outros meninos estavam a 
obedecer  sua ordem e entravam no bosque.
- Andrew - respondeu.
Andrew, qu? quis perguntar Justin, mas deteve-se. Seria importante quem Sarah tinha escolhido para seu substituto? Era uma velha ferida e deveria estar j cicatrizada. 
Tinha tido anos para superar a traio de Sarah Spenser, anos nos quais no tinha sido celibatrio. Por isso mesmo, no compreendia por que razo saber que aquele 
era o filho de Sarah, Lhe estava a produzir aquele efeito.
- Mas todos me chamam Drew - acrescentou o rapaz, com os seus olhos azuis ainda postos no rosto de Wynfield.
No restava dvida de que se tratava de um Spenser, os traos eram demasiado familiares. Afinal de contas, tinha crescido com Sarah e Amelia e tinha-as visto mudar, 
quase imperceptivelmente, ao longo dos anos.

Ento, uma noite de Maio, tinha visto aquele mesmo cenrio de traos no outro extremo de um salo de baile e tinha-os reconhecido imediatamente. E, por estranho 
que parecesse, na primeira temporada de Sarah Spenser em Londres, tinha-se apaixonado loucamente pela jovem que tinha conhecido na sua infncia.
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Uma jovem que, apesar de todas as promessas 
e planos que tinham feito, se tinha apaixonado por outro homem apenas um ano depois de o destinarem a Espanha. A carta de Sarah tinha sido bastante clara naquele 
sentido, e da Pennsula Ibrica no tinha tido oportunidade de faz- la mudar de ideias. Mesmo se estivesse na Inglaterra, reconheceu Justin, o seu orgulho ter-lhe-ia 
impedido de suplicar a Sarah para que no quebrasse o compromisso, apesar do muito que a tinha amado.
Tinha-a amado. As palavras ressoaram na sua cabea. Tinha-a amado, reconheceu, tanto
quanto era capaz de amar naquela poca. E se no tivesse ido para Espanha, aquele filho poderia ter sido dele.
- Sou Wynfield - disse em voz baixa, pergun tando-se se o rapaz teria ouvido o seu nome
unido ao de Sarah.
- J o disse antes - respondeu Andrew.
- Sim - Justin cedeu ao sorriso que tinha reprimido antes. O seu efeito foi imediato e visvel no menino que relaxou os ombros.
- Fez mesmo tudo o que dizem? - perguntou o rapaz, com os olhos iluminados, que no ti nham estado assim durante o encontro com os
outros rapazes.
- Como no sei o que dizem - respondeu Justin,no saberia responder-te.
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- Que matou mil franceses. Que atravessou a cavalo as suas defesas. Que quebrou as suas formaes para que Wellington pudesse ganhar.  esse o seu corcel?
Justin riu perante aquela corrente de palavras.
- As faanhas dos soldados so sempre exageradas - disse-lhe. - Assim as histrias so mais interessantes.
- Mas  verdade que lhe cortaram a perna? perguntou o menino, fixando o olhar na bota alta de montar que escondia o defeito. - Ouvi Sarah e a senhora Simkins falar 
sobre isso.
Quando o silncio que se seguiu ao seu comentrio se prolongou, o menino levantou os seus olhos azuis para os de Justin. Wynfield no sabia o que reflectia o seu 
rosto, mas aquelas palavras simples tinham tido mais efeito nele que o desejado.
A ideia de que Sarah tivesse comentado a sua amputao com a sua governanta era to cruel e dolorosa como o coto. Demorou um momento a captar o significado completo 
daquela frase. O menino referiu-se a ela como Sarah.
Poderia ter-se enganado? perguntou-se Justin, estudando novamente os traos Spenser presentes em miniatura no seu rosto infantil. Amelia tinha morrido pouco depois 
de ele partir para a Pennsula, portanto... Se aquele no era o filho de Sarah, pensou Justin, quem era?
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- Sarah? - inquiriu com cautela.

- A minha maman - de repente, o rapaz abriu os olhos. - Vou chegar tarde - declarou, com preendendo naquele momento o castigo que enfrentaria.
Justin recordou as vezes que tinha regressado a sua casa vindo daqueles bosques, consciente de que o seu tutor lhe exigiria que explicasse cada minuto da sua demora. 
Embora no pudesse imaginar Sarah a aoitar o rapaz, a angstia no seu olhar foi suficiente para se oferecer para o salvar pela segunda vez.
- Vou ajudar-te a atravessar o riacho - ofereceu-se, e estendeu-lhe a mo. O menino hesitou por um momento antes de pr os seus pequenos dedos sobre a sua pele queimada 
pelo sol. Justin puxou-o e subiu-o facilmente para a sela.
Depois, dirigiu Estrela para o riacho estreito que separava as duas propriedades. Sentia uma certa satisfao pelo pequeno corpo quente que segurava, firmemente 
sentado na sela  sua frente. O filho de Sarah", pensou e, novamente, surpreendeu-se pela sensao de perda que aquela compreenso suscitava.
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Dois
- E depois bateu na sua perna de madeira com a sua vara - contou Andrew, e a sua histria exaltada apenas se via interrompida ocasional mente por uma exclamao 
de dor ou um movimento de cabea; enquanto Sarah tentava tratar dos seus arranhes e feridas. - Assim - declarou, batendo com o punho na mesa, onde Sarah tinha disposto 
os seus medicamentos, para reproduzir o som da vara do conde.
- Andrew - repreendeu-o, sentindo uma ligeira nusea no estmago que no tinha nada a ver com as feridas de batalha que estava a tratar. Dava graas a Deus por no 
serem mais que uns arranhes,  claro, e por Andrew Lhe ter dito a verdade sobre a sua origem. Embora suspeitasse h algum tempo que era alvo da crueldade dos rapazes 
da povoao, o menino nunca o tinha reconhecido. Naquele dia, a notcia da interveno
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de Justin tinha vencido a sua reticncia ao contar
o acontecido.
Wynfield, corrigiu-se. Tinha decidido que utilizar o seu ttulo em vez do nome pelo qual o tinha chamado durante toda a sua vida ajud-la-ia a no pensar nele. Demasiado, 
depois do seu regresso. "S veio para vender a sua propriedade", tinha declarado lady Fortley, e certamente tinha razo. Por que razo Justin, ou qualquer outro, 
quereria ficar num lugar onde atormentavam as crianas pelos pecados dos adultos? ", pensou com amargura, aplicando com demasiada energia o desinfectante sobre um 
pequeno corte na testa de Andrew.
- Ai! - queixou-se o rapaz, afastando-se.
- Desculpa - sussurrou, e beijou os seus caracis dourados.
O menino assentiu e depois voltou a confiar-se aos seus cuidados. Estava mais que acostumado a que Sarah o tratasse, porque nunca tinha tido uma ama. Sarah tinha-se 
deleitado a cuidar dele pessoalmente e isso tinha estabelecido uma relao mais ntima.
- Tinhas que ter visto como corriam - continuou Andrew, momentos depois. Quando Sarah olhou para ele, os seus olhos reflectiam a satisfao de ver fugir os seus 
inimigos. - Tinham medo do seu corcel de guerra - acrescentou,mas eu no. Eu no tinha medo, Sarah. At montei com ele. E perguntei-lhe sobre a guerra.
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- Talvez no devesses t-lo feito - sugeriu Sarah, em voz baixa. Gravemente ferido" ressoou na sua cabea.
- Sarah? - Andrew questionou o silncio que se produziu. Ou talvez estivesse a questionar o fcto de, com as mos entrelaadas no colo, Sarah ter deixado de lhe 
limpar as feridas.
- Penso que sobrevivers - disse-lhe, contemplando os olhos azuis cheios de preocupao.
- Ficas triste ao pensar na guerra? - perguntou o menino.
- Sim - reconheceu. - E talvez o conde tambm.
- Ele no estava triste - afirmou Andrew. Bang, bang, bang! - exclamou com os olhos iluminados enquanto batia na mesa com o punho, como o conde tinha feito com a 
sua perna. - No estava nada triste com a guerra.
Sarah esboou um sorriso involuntrio. Fosse qual fosse o efeito que a sua mutilao tivesse tido em Justin, aos olhos de Andrew, era uma personagem grandiosa. E 
certamente, assim tinham pensado os outros rapazes, pensou, a jul gar pelo entusiasmo irrefrevel de Andrew pelo
novo conde.
- Agradeceste-Lhe por intervir a teu favor?
- No me lembro - confessou Andrew, e a sua testa enrugou-se ao tentar pensar.
- Ento assegura-te de que o fazes da prxima
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vez que o vires - disse Sarah, enquanto recolhia os seus materiais.
- Vir  missa no domingo? - perguntou Andrew, abrindo os olhos com esperana. - No sei - respondeu Sarah. Perguntava-se o mesmo desde que lady Fortley lhe tinha 
dado a
notcia sobre o regresso do conde, mas tinha tentado diminuir a expectativa que sentia perante a perspectiva de voltar a ver Justin. J bastava que Andrew o idolatrasse, 
mas ela...
As crianas necessitavam de um modelo a seguir, um homem valente a quem admirar. Andrew no tinha conhecido ningum assim, e considerar o conde de Wynfield como 
o seu heri pessoal era inofensivo. E, certamente Andrew no voltaria a encontrar o seu vizinho durante a sua breve estadia no distrito. E ela tambm no,  claro, 
para bem da sua pz mental.
Apesar das esperanas de Andrew, o conde no foi  igreja no domingo seguinte. O menino desanimou-se momentaneamente ao ver o banco dos Wynfield vazio. Embora Sarah 
tivesse mais prtica em esconder a sua decepo, reconheceu que a sua foi igualmente poderosa, embora no to visvel como a de Andrew.
Na segunda-feira seguinte, pela manh, numa tentativa para escapar  dor daquela decepo,
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que pareceu persistir no seu esprito durante todo o domingo, resolveu levar a cabo tarefas acumuladas. Foi uma ironia que uma delas fosse ao encontro do que, tolamente, 
ansiava.
Levantou-se cedo, naquela manh, para fazer as visitas, comeando pelo seu pai idoso e com os camponeses doentes e terminando, no meio da manh, na propriedade dos 
Wynfield. Os Randolph, uma das famlias de agricultores do conde, acabavam de ter um beb. Como era o seu dcimo terceiro filho em menos de dez anos, Sarah no sabia 
se o considerariam uma bno.

Levava consigo vitela assada, um queijo grande e duas fornadas de po daquela mesma manh para a me. Deixaria que fosse Meg Randolph a decidir se os presentes eram 
de felicitao ou de condolncias.
Enquanto conduzia a sua carruagem at  porta principal, o som de um martelo no interior da casa perturbava a quietude campestre mais que os gritinhos dos numerosos 
filhos dos Randolph que, na sua maioria, estavam a brincar no jardim.
Sarah sentia uma curiosidade natural por aquele rudo, dado que nunca tinha visto Jed Randolph a pregar um prego em todos os anos que vivia ali. Claro que, como 
a casa corria o perigo de se desmoronar com a primeira rajada de Inverno, talvez tivesse decidido que, se no fizesse
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nenhuma reparao, ningum o faria. Ou
talvez tivesse medo de que o novo conde o expulsasse das suas terras por ser um patife.
Quando Sarah entrou na casa, seguindo o
convite tmido da filha mais velha,ergueu o
rosto para contemplar a obra de Jed. Mas,quem
empunhava o martelo,compreendeu em seguida,contendo o flego, no era um Randolph,nem nenhum dos vizinhos. No entanto,o
homem que colocava uma liga de metal no
tecto,para sustentar uma viga partida,estava
vestido com a mesma simplicidade que qualquer um deles.
Arregaou as mangas da camisa,mostrando
uns pulsos geis,uns antebraos musculados e
umas mos morenas e bem formadas. O fato,
apesar da sua simplicidade,era de linho e de um
corte excelente e as calas suficientemente elegantes para delinear as coxas fortes de um cavaleiro e as suas ancas estreitas. As suas botas
eram altas e brilhantes.
- Lady Sarah! - exclamou Meg Randolph,
com a voz cheia de prazer genuno. Tinha aparecido  porta do nico quarto da casa. - Seja
bem-vinda,milady - acrescentou,apercebendo-se da cesta que trazia no brao.
Ao ouvir o seu nome,Sarah desviou o olhar
das costas atraentes de Justin para contemplar a
sua anfitri. Sorriu a modo de saudao e em seguida, negando-se a reprimir-se pelo bom-senso ou cortesia, voltou a presentear os seus olhos com a sua figura. Mas 
o conde de Wynfield j tinha virado a cabea para a porta.
A luz que entrava bastou para iluminar os seus traos e revelar como Justin Tolbert tinha mudado. Estava cinco anos mais velho, mas a maturidade que se gravou no 
seu rosto atraente era mais prolongada. O seu rosto estava to moreno como as suas mos, embora tivessem passado vrias semanas desde que tinha abandonado o sol 
ibrico que tinha forjado aquela mudana. Tambm tinha aclarado o seu cabelo castanho, que alm disso, notou com surpresa, evidenciava cabelos brancos nas tmporas.
As pequenas rugas que irradiavam dos seus olhos tambm eram novas. At os seus olhos tinham mudado, pensou Sarah. Na cor no, mas... talvez no que tinham visto? 
Ou no que tinham suportado.
- Sarah? - disse-lhe, com olhos to interrogantes como a sua voz.

- Bem-vindo a casa - limitou-se a responder. Aos seus ouvidos, a voz parecia carregada de emoo.
Os olhos cor de avel no se alteraram, como se a sua saudao no fosse nada de extraordinrio.
- Obrigado - respondeu Justin.
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Os seus lbios esboaram um dos seus sorrisos, antigamente to familiares. E o corao rebelde de Sarah, contra todas as restries sobre como devia comportar-se, 
comeou a bater mais forte.
- J estava na altura, diria eu - acrescentou, ampliando o seu sorriso.
- J estava na altura - agonizou, perguntando-se se se daria conta do efeito que tinha nela.
Mas Justin virou-se e apontou para o seu tra balho. A liga de metal que tinha colocado no tinha endireitado completamente a viga, mas para isso teria que levantar 
o telhado e substitu-la por outra.
-  um comeo - disse-lhe, olhando para ela outra vez. Na sua voz detectava-se o orgulho inequvoco por aquele trabalho simples, e Sarah perguntou-se quantos condes 
ingleses reparavam
pessoalmente as casas dos seus camponeses. -  a nica coisa que posso permitir-me - acrescentou Justin, sorrindo outra vez, troando abertamente da sua maltratada 
situao financeira. Como imagino que ouviste.
No tinha a certeza de como responder  sua sinceridade. Justin saberia que estava a mentir se negasse conhecer o estado das suas finanas e, no entanto, era a ltima 
pessoa no mundo capaz de ceder a intrigas. J tinha suportado muitas 
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sobre ela para consider-las um passatempo inofensivo.
- Sinto muito o que aconteceu com Robertlamentou. - Sei que eram muito unidos.
Justin assentiu, apertando os lbios.
- Obrigado - agradeceu em voz baixa. E parecia que no tinham mais nada para dizer um ao outro. Naquele silncio repentino e desconfortvel, Sarah ouviu pela primeira 
vez o pranto da recm-nascida que tinha ido visitar.
- Viste a beb? - perguntou. O novo nascimento seria um tema tranquilo, inclusive entre eles os dois.
- As marteladas no a incomodam - respondeu Justin, sorrindo.
- Imagino que no - corroborou Sarah, devolvendo o sorriso.
O encontro, depois do primeiro momento de surpresa, estava a ser menos difcil do que receava. O que tinha existido entre o conde de Wynfield e lady Sarah Spenser, 
h uns anos, tinha passado  histria, pelo menos, na opinio de Justin. O conde dava a impresso de estar a conversar com um membro qualquer da nobreza local.
- Como est o teu pai? - perguntou Justin. Sarah pensou se conheceria o verdadeiro estado do seu pai e, depois, decidiu que, se soubesse, no teria cometido a grosseria 
de lhe perguntar. Quase ningum se interessava pelo marqus de Brynmoor ultimamente.
- Muito bem - respondeu. E era verdade. A
doena que afligia o seu pai no tinha diminudo
a sua sade. Nem a sua fora.
Meg Randolph entrou na diviso naquele momento,com a beb nos braos. Como todos os

filhos dos Randolph, estava coroado por uma penugem cor-de-laranja que aparecia por debaixo
da sua touca branca. Cedo adquiriria as sardas a
condizer que adornavam os seus irmos. Sem
pedir permisso,Meg mudou a beb,que ainda
tinha o rosto manchado de lgrimas,para a cesta
que levava.
- Estamos-lhe muito agradecidos,milady disse ela. - Deus sabe como nos vem ajudar. compreendendo tardiamente que o seu comentrio podia implicar uma certa crtica 
para o
conde,Meg olhou para ele em seguida,procurando algum indcio de ofensa. Mas Justin no
parecia sentir-se ofendido,pensou Sarah,levantando os olhos da menina.
Wynfield estava a sorrir e os seus olhos de
avel,com longas pestanas,contemplavam com
benignidade a beb.
-  linda,senhora Randolph - elogiou-a o
conde. - Mas penso que ainda no recebeu o
seu presente de baptismo - Justin colocou a
mo no bolso das suas calas e tirou um punhado de pequenas moedas. O total no era muito, adivinhou Sarah, mas mesmo assim, era um bonito gesto que aliviaria os 
rigores do Inverno iminente.
Meg deixou a cesta de Sarah sobre a mesa e recuperou a sua filha.
- Nenhum dos meus filhos recebeu alguma vez um presente de baptismo - sussurrou a Sarah. claro que a critica no era dirigida ao actual conde. Pecados do pai,", 
pensou ela. Em seguida, Meg atravessou a diviso com a beb ao colo para aceitar as moedas. - O senhor  um bom homem, milorde - disse em voz baixa. Mas apesar da 
sua tentativa de discrio, o seu elogio chegou aos ouvidos de Sarah, que viu como corava.
- O poo dos Wheeler est entupido - declarou Justin em vez de responder ao elogio de Meg. - Prometi tentar descobrir porqu. Da prxima vez que tiver algum problema, 
no hesite em mandar chamar-me.
- Estamos bem agora, milorde. No teria mandado cham-lo, mas as ltimas chuvas ensoparam as camas dos mais pequenos. E sabia que, assim que chegasse o Inverno... 
- Meg encolheu os ombros.
- Fez o que devia - tranquilizou-a o conde. Lamento que tivesse que esperar tanto por estas reparaes.
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- O senhor estava a cumprir com o seu dever para com o rei e a ptria. As coisas mudaro, mi lorde, agora que voltou - declarou Meg, e, novamente, o silncio prolongou-se 
de maneira desconfortvel.
- Acompanho-te  porta - sugeriu Sarah, quebrando-o deliberadamente. Suspeitava que, com poo entupido ou no, Justin estaria ansioso por escapar s crianas e  
gratido e a qualquer con versa sobre os seus planos para a sua propriedade na falncia.
Justin voltou a sorrir e coxeou para a porta de sada. O seu passo era irregular e o seu corpo

alto e direito torcia-se um pouco ao andar. Sarah pensou que deveria ser doloroso e terrivelmente incmodo, sobretudo ao pensar na graciosidade de movimentos que 
sempre tinha associado a Justin.
De repente, Sarah recordou vividamente a noite em que tinha danado com ele pela pri meira vez. O salo de baile londrino transbordava de convidados e o calor era 
asfixiante. Justin vestia uniforme. O fato do seu regimento realava a perfeio do seu corpo e o seu rosto ainda juvenil. Sarah pensou ento que no havia homem 
mais elegante em todo o salo. Aceitou a sua mo com agrado e, quando soaram as primeiras notas, deixou-se levar nos seus braos. Os seus passos encaixavam na perfeio, 
quase
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sem pensar. E danaram juntos como se tivessem sido criados apenas para isso...
Nunca mais voltariam a danar, compreendeu. Ergueu o olhar, mas teve que pestanejar para dissipar as lgrimas repentinas que molharam os seus olhos. Ento, apercebeu-se 
que Justin estava  sua espera, junto  porta, olhando para ela. Virou-se para a soleira e indicou-lhe com a mo que o precedsse. O seu perfil apareceu iluminado 
pelo sol e Sarah viu que tinha os lbios apertados e a expresso tensa.
Envergonhada pelas suas lgrimas, Sarah atravessou a soleira e saiu, dando graas a Deus pela pausa concedida por aqueles incrveis olhos cor de avel que viam demasiado. 
No parou at chegar  carruagem, onde esperou que Justin lhe desse a mo e lhe passasse as rdeas do pnei. Quando o fez, com os seus longos dedos morenos firmes 
sob a presso vacilante dos seus, Sarah olhou para ele.
- Queria agradecer-te por teres salvo Andrew na semana passada. Suspeitava j h algum tempo que os rapazes o intimidavam, mas ele no me dizia nada.
- Estava a defender-se como podia. No  nenhum choro - declarou Justin, sorrindo.
Fosse o que fosse que tinha lido no seu rosto h um momento, quando a tinha visto reagir  sua ferida, j se tinha dissipado.
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- Oxal o fosse - respondeu Sarah.
- Os valentes deleitam-se com a covardia das suas vtimas. Andrew sabia o que fazia, mas faltava-lhe tcnica - explicou-lhe. - E tamanho. Embora isso chegue com 
o tempo - acrescentou.
Fez-se outro silncio. Talvez esperasse que fizesse algum comentrio sobre o pai de Andrew e
o que podia esperar-se sobre o seu tamanho no
 futuro. Mas Sarah no podia fazer nenhum.
- Em qualquer caso - respondeu,- agradeo-te muito pelo que fizeste. E Andrew tambm.
- Faria o mesmo por qualquer criana. Reagi
 injustia da luta.
- No sabias... - hesitou. Apesar de o distrito
ter decidido h algum tempo qual era a verdade
sobre a maternidade de Andrew,que Sarah tinha
apresentado como seu filho adoptivo,no via
forma de formular a pergunta.
- Que era teu? - concluiu por ela. - At ter
olhado para o seu rosto,no. Depois,no tive a
menor dvida - o seu sorriso era to natural

como aquele que tinha esboado a Meg Randolph. E igualmente impessoal.
- No - disse em voz baixa. - Suponho que
no.
Sarah olhou para ele um momento mais,mas
no leu nele nada mais que uma antiga amizade.
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Depois pegou nas rdeas do pnei e deixou o novo conde de Wynfield de p, no caminho.
Sarah no compreendia as emoes que perturbavam a sua paz interior naquela noite. Embora no tivesse alterado a sua rotina naquele dia, depois do seu encontro com 
o novo conde, tinha-se sentido embargada por uma insatisfao imprpria nela. Uma sensao de profunda infelicidade com a sua vida, sensao essa que no reconhecia 
h anos. Porque, pensou, deixando a sua costura no regao, que sentido teria reconhec- la?
Andrew j tinha jantado e estava deitado. At o seu pai estva a dormir. Ou pelo menos, o seu criado no tinha aparecido para lhe pedir ajuda para tranquilizar o 
marqus. Normalmente, aquela era a sua hora favorita do dia, quando j no havia trabalho e na casa reinava o silncio e a tranquilidade.
Mas Sarah no compreendia porque; de repente, se sentia to... inquieta. To insatisfeita com as suas circunstncias. Desgostada consigo mesma, renunciou  costura 
e deixou a pea sobre a mesa contgua  sua cadeira. Levantou-se e esticou-se como um gato. Os seus olhos desviaram-se para o reflexo daquele movimento no espelho, 
que estava por cima da lareira. Aproximou-se e contemplou a mulher do reflexo. S ento compreendeu quanto tempo tinha passado desde a ltima vez que tinha estudado 
com ateno o seu aspecto.
Tambm no a tranquilizava faz-lo naquele momento. Se tinha notado como Justin tinha mudado com os anos, o mesmo podia dizer-se dela. Estava demasiado magra, reconheceu, 
tocando nas mas do rosto com os dedos de ambas as mos. Parecia cansada. E havia umas leves rugas na sua testa que no tinha notado nunca.
Certamente eram o resultado de a franzir com perplexidade. Tinha tido muitos motivos de preocupao desde que o seu pai tinha ficado demasiado incapacitado para 
se ocupar dos assuntos da propriedade e desde que ela tinha assumido aquela responsabilidade. E o peso daquela carga estava evidente no seu rosto.
E no meu cabelo, pensou com desolao, levando a mo a uma madeixa encaracolada que tinha escapado ao coque escuro com que o tinha apanhado. Era um penteado adequado 
 vida no campo, muito mais prtico que os suaves caracis  volta do rosto, embora soubesse qual era a ltima moda. Assim tinham voltado as filhas dos Simonson, 
depois de passar a temporada em Londres.
O coque era muito mais prtico, disse para si de novo, remetendo a madeixa errante. Mas no to favorecedor, reconheceu. O estilo tinha conseguido
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suavizar os rostos compridos das irms Simonson, e tambm suavizaria o seu rosto magro. E nenhuma das duas jovens tinha o cabelo da cor do trigo amadurecido. Assim 
o tinha descrito Justin h mais de seis anos, quando se tinham apaixonado.

Apaixonaram-se, pensou, evocando aquela longnqua temporada em Londres. E o seu amor por Justin tinha-a impedido de o arrastar para o mesmo escndalo que tinha manchado 
o seu nome e a tinha convertido numa vtima da sua prpria sociedade. Um escndalo que no tinha sido provocado por ela, mas para o qual no tinha defesa alguma, 
se no quisesse destruir a reputao da sua falecida irm e quebrar a promessa que tinha feito a Amelia no seu leito de morte. Portanto, Justin Tolbert estava fora 
da sua vida para sempre.
Qualquer dia, algum do distrito seria suficientemente cruel para lhe repetir a explicao do nascimento de Andrew, h muito tempo decidida entre todos. E ento, 
aqueles lindos olhos castanhos j no teriam nada para lhe oferecer. Nem sequer amizade.
- Pensei em organizar algum acto socialdisse o conde de Wynfield ao seu mordomo naquela noite, durante o jantar. - Ovi dizer que a
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minha me oferecia sempre algum tipo de entretenimento para os vizinhos no final de cada Vero.
-  verdade, milorde - corroborou Blevins, colocando uma terrina de sopa diante do novo conde.
- Preferiria que a casa e os jardins estivessem em melhor estado, mas as pessoas mostraram-se compreensivas. Pelo menos, as pessoas a quem no devemos dinheiro - 
acrescentou Justin.
O rosto de Blevins manteve-se inexpressivo, como correspondia ao seu cargo. No entanto, Justin torceu os lbios. A colher de sopa que levou  boca ocultou o seu 
regozijo.
Ningum fazia meno s dvidas conhecidas por todos, pelo menos,  sua frente. Era quase como se se tratasse de um escndalo secreto. Um escndalo, pensou, recordando 
de novo o verdadeiro propsito pelo qual tinha tocado naquele assunto.
- Suponho que haver uma lista de convidados nalgum lado - continuou. - Uma lista com os nomes dos vizinhos que a minha me estava acostumada a convidar. Chattington 
e a sua esposa,  claro. Lorde e lady Fortley, receio bem. Brynmoor. E devemos acrescentar lady Sarah e quem quer que seja o seu marido.
Sarah, como filha de um marqus, teria mantido o seu ttulo apesar de se ter casado.
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Se no estivesse a observar o rosto de Blevins, Justin teria perdido a sua reaco. O mordomo pestanejou e ergueu os olhos rapidamente para o rosto de Justin, baixando-os 
com a mesma rapidez.
- No tenho a certeza de ter ouvido o seu nome - urgiu-o o conde com suavidade, observando abertamente o idoso naquela ocasio.
Quando o mordomo voltou a olhar para ele, no mostrou qualquer inteno de ocultar o que reflectiam os seus olhos. Olhou para Justin durante uns segundos antes de 
dizer:
- Lady Sarah Spenser no se casou, milorde. Voltou a baixar os olhos, e sem o mais leve indcio, com os seus movimentos estudados, co briu a terrina com a tampa 
e afastou-se da mesa.
- Enviuvou? - perguntou Justin, mas j tinha visto a resposta no rosto de Blevins.
- No, milorde - respondeu o mordomo, no seu tom sem inflexo alguma. - No enviuvou. Lady Sarah, conforme sei, continua solteira.

At Justin poder ficar sozinho nos seus aposentos, naquela noite, no se tinha concedido a oportunidade de meditar no que tinha descoberto. Ento, j tinha recordado 
o desprezo com que o lder do pequeno bando de valentes tinha cuspido para o menino chamado Andrew e o epteto que tinha usado.
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Bastardo. Naquele momento, Justin tinha pensado que a palavra indicava apenas um desprezo verbal em consonncia com o gesto, mas aparentemente, tinha sido uma acusao 
literal.
Mesmo assim, no entendia porqu. As jovens bem nascidas da sua classe no tinham filhos fora do casamento. Conhecendo o marqus como conhecia, Justin pensou que 
seria inconcebvel que a filha de Brynmoor tivesse dado  luz a um filho ilegtimo. Fosse qual fosse o homem responsvel por seduzir uma das suas filhas, t-lo-ia 
obrigado a casar-se com ela assim que tivesse descoberto a gravidez.
Mas se no se tratava do filho de Sarah, ento quem era o menino que a chamava de maman? Um menino cujo rosto era o reflexo fiel do da sua amada e noiva.
Fosse qual fosse a verdade, pensou Justin, soltando o arns de couro do seu p artificial, no lhe dizia respeito. J tinha muitos problemas para resolver para prestar 
ateno aos de uma mulher que, h mais de quatro anos, lhe tinha deixado muito claro o que sentia por ele.
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Trs
Depois do seu encontro em casa dos Randolph, Sarah viu o conde de Wynfield em vrias ocasies durante as semanas seguintes. Nunca esteve suficientemente perto para 
falar com ele, ou para que lhe dirigisse a palavra. E, era melhor assim, disse para si com determinao.
Numa daquelas ocasies, Justin estava de p no centro da praa da povoao a falar com lorde Fortley. Naquele dia tinha-se vestido como correspondia  sua linhagem 
e, portanto, parecia-se muito mais com o Justin que recordava. No levantou os olhos quando ela passou ao seu lado na carruagem fechada do seu pai.
No entanto, Sarah foi incapaz de afastar os olhos dele e esticou o pescoo na sua tentativa de prolongar o mais possvel aquele contacto visual. E quando j no 
podia v-lo, sentiu-se invadida pela mesma sensao de perda e insatisfao que tinha experimentado depois do seu encontro anterior.
Para piorar a situao, onde quer que fosse, corriam rumores sobre o novo conde. Falava-se do que pretendia fazer para salvar a sua propriedade, do que estava a 
fazer pelos seus arrendatrios. Aparentemente, a casa dos Randolph no era a nica que tinha recebido a ateno pessoal de Wynfield. E, apesar da grande considerao
que a sua disposio a trabalhar para melhorar as condies dos seus camponeses lhe estava a dar no distrito, todos sabiam que os seus esforos eram insuficientes 
e tardios.
Tambm havia rumores de que os credores do conde estavam a assedi- lo, exigindo o pagamento das velhas dvidas. No entanto, dizia-se que restavam muito poucas coisas 
para vender.

O seu pai e o seu irmo j se tinham encarregado de o fazer, portanto, era apenas uma questo de tempo at que aquelas terras, que tinham pertencido  famlia Wynfield 
durante mais de dois sculos, acabassem nas mos de outra pessoa. Algum de fora, opinavam os bisbilhoteiros. Talvez inclusive um dos ricos mercadores que tinham 
aparecido com a guerra.
Para Sarah, era difcil imaginar Wynfield Park em posse de algum que no fosse da famlia, nem sequer do distrito. No entanto, como outros, no via nenhuma soluo 
para Justin. Aparentemente, ter servido o seu pas corajosamente, 
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durante tantos anos, no carecia de valor monetrio, nem sequer para conter os credores durante um intervalo adequado depois da morte do seu irmo.
Sarah gostaria de acreditar que a sua indignao perante aquela injustia era o que tinha engendrado a ideia que, uma vez na sua mente, cresceu to depressa que 
dominava todas as suas horas de insnia. No entanto, sabia que aquela ideia nascia de algo mais que do ultraje moral, sobretudo quando ouvia outras intrigas da nobreza 
local. Havia herdeiras ricas em Londres, diziam, com fortuna suficiente para salvar as terras de Wynfield e que ficariam encantadas de se casar com o conde.
- Da sua classe, no, claro - tinha dito lady Fortley, arqueando uma sobrancelha. Todos compreendiam que nenhum membro da nobreza permitiria que a sua filha se casasse 
com um homem arruinado. Pelo menos, nenhum que albergasse a esperana de um casamento decente. A nica esperana de Wynfield naquela altura, tinha sugerido lady 
Fortley, achava-se entre as londrinas. Estariam ansiosas por unir-se a m conde, embora estivesse coxo e arruinado.
Ao ouvir aquelas palavras cruis, Sarah tinha tido que lutar para manter a compostura, mas conseguiu descer os degraus da igreja sem mur murar nenhuma rplica. S 
quando se sentou na carruagem compreendeu que o que lady Fortley
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tinha dito no era, afinal de contas, to ultrajante.
- Sarah - chamou-a Andrew num tom de lstima, puxando-lhe o cotovelo. Sarah fixou o olhar no seu rosto, ainda imaginando Justin nas garras de uma ambiciosa herdeira 
burguesa que o afundaria na desgraa. - Ser que vir alguma vez  igreja? - perguntou Andrew.
No era preciso perguntar- lhe a quem se referia. Andrew parecia igualmente obcecado, como ela, com o novo conde. Em mais de uma ocasio, tinha-o ouvido a brincar, 
dando ordens e desfilando pelo seu quarto como imaginava que o faria o seu heri. E, sem a sua permisso, Drew tinha atravessado os bosques em mais de uma ocasio 
para visitar Wynfield Park. Sarah tinha-o proibido categoricamente que tentasse ver o conde outra vez daquela forma. Feliz mente, Wynfield no estava na sua propriedade 
durante as excurses de Andrew. Na sua busca incansvel por encontrar um meio de salvar a sua herana, estava poucas vezes nas suas terras.
- Talvez no.
- Ento algum deveria dizer-lhe que ir para o inferno - sugeriu com um tom de indignao.
Apesar da gravidade da expresso do menino, Sarah riu-se. No tinha a certeza da pureza das intenes de Andrew para salvar Wynfield da perdio. Como tambm no 
podia ter a certeza da pureza das suas, reconheceu.
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- Mesmo assim, no penso que devas ser tu a dizer-lho - disse-lhe.
- Quero v-lo outra vez. Quero perguntar-lhe algumas coisas - comentou o menino, com decepo na voz. - Pensei que, como  nosso vizinho, o veria com mais frequncia, 
mas.
Sarah tinha-se perguntado se Justin estava a fugir deles deliberadamente. Se era assim, pensava saber porqu. Andrew podia agradecer s Fortley do mundo pela sua 
malcia.
- Eu sei - respondeu-lhe com suavidade. - Tenho a certeza de que o vers muito em breve - acrescentou, levantando o seu queixo trmulo com o dedo indicador e o polegar 
e sorrindo para o rapaz com determinao. - No quero que chores.
- Os soldados no choram - afirmou Andrew, pestanejando com fora.
- No, suponho que no - corroborou Sarah.
- Pelo menos, no onde algum os possa ver.
- Ele nunca choraria - afirmo Andrew com convico.
Nisso tinha razo, pensou Sarah. Mas dada a situao que enfrentava, talvez Justin Tolbert sentisse vontade de o fazer.
- Isto  tudo? - perguntou o conde de Wynfeld, tocando no mao de documentos que estava sobre a mesa, diante dele.
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- Tudo o que at agora nos apresentaram - respondeu Drayton Langley. - Poderia haver outros credores que ainda no tiveram notcia da morte do seu irmo.  perfeitamente 
possvel que enviem as suas contas nos prximos seis meses, mas penso que este  o grosso das dvidas. Claro que somadas s do seu pai... - encolheu os ombros - 
Tentei advertir o seu irmo, milorde.
- Tenho a certeza que sim - afirmou Wynfield, deslizando o dedo pelo bordo do grosso mao de notas que Robert tinha assinado. - E que percentagem do total das dvidas 
podemos pagar, senhor Langley?
- Eu diria que... menos de sessenta por cento, milorde.
- Raios - respondeu Justin em voz baixa.
- Isto  - continuou o banqueiro, num tom neutro, - se vender tudo o que resta. Cavalos, carruagens, baixela, retratos e mveis. A manso e a terra. E  claro, isso 
depende da sua capacidade para encontrar um comprador, ou compradores, para tudo isso. Receio que nada ser vendido pelo seu valor, devido  sua situao econmica 
actual e o seu avanado estado de deteriorao.
- Mas isso  o que me aconselha? Que venda tudo?
O banqueiro levantou as duas mos antes de as apoiar de novo sobre a sua ampla barriga. Os
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seus olhos, quase compassivos, pousaram-se no rosto do conde.
- Se me permitir o atrevimento, milorde... comeou Langley. Justin levantou os olhos e surpreendeu um brilho de especulao naqueles olhos frios e escuros.
- Conhece demasiado bem o estado das minhas contas para estar com cerimnias, Langley. Se tiver mais alguma coisa a dizer-me, ficarei encantado por ouvi-lo.
O homem franziu os seus grossos lbios, quase como se sentisse vergonha em falar. Justin perguntou-se que notcia pensava que podia ser pior que a que acabava de 
lhe dar.
- Houve uma oferta - declarou em voz baixa.

- Uma oferta - repetiu Justin, tomando cuidado em controlar a voz, apesar das nuseas que atacavam o seu estmago: Tinha comparecido quela reunio esperando o pior 
e isso era exactamente o que tinha recebido. Portanto, fosse qual fosse aquela oferta, devia consider- la. Para comprar as propriedades?
- No, milorde - respondeu Langley.
- Ento... que tipo de oferta?
Novamente, o banqueiro hesitou, estudando o rosto de Justin.
- Uma oferta de casamento, milorde. Justin examinou a palavra, tentando compreen der o que Lhe estava a sugerir. Os cavalheiros faziam ofertas de casamento, no 
as recebiam.
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- De casamento? - repetiu com cautela. E ento, de repente, compreendeu o que o banqueiro queria dizer. Afinal de contas, lorde Fortley j lhe tinha sugerido aquela 
possibilidade. Que procurasse uma herdeira rica com uma certa propenso para as doenas ou para a obesidade e se casasse com ela o mais depressa possvel. O casamento 
como um acordo de negcios.
Aceitar aquele tipo de oferta podia ser uma soluo, mas no era o que o conde tinha imaginado para ele. De repente, na sua mente surgiu a imagem de Sarah na noite 
do Vero em que se declarou. Aquela longnqua tarde parecia um sonho, distante e romntico. E impossvel. Mas grande parte do futuro que tinha antecipado para ele 
estava a ser impossv el de concretizar, e em nada parecido com as suas expectativas.
-  uma oferta generosa, milorde - acrescentou Langley, - com a qual poderia satisfazer todas as suas obrigaes.
- Uma oferta para saldar as minhas dvidas - disse Justin com crueldade. Langley inclinou a cabea, entrelaou os dedos sobre o seu estmago e escrutinou Justin 
com olhos entreabertos.
-  uma proposta honrada - tentou convenc-lo.
- Honrada para quem? - perguntou o conde com amargura.
- As duas partes beneficiam do acordo - 
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sugeriu Langley. - Ocorre com mais frequncia do que as pessoas imaginam.
- A compra de um ttulo - disse Justin.
-A compra de um marido, neste caso, penso eu - clarificou Langley. Justin abriu os olhos com surpresa.
- A compra de um marido... - hesitou, meditando naquela seleco de palavras.
- No penso que a parte interessada queira o seu ttulo, milorde, por mais antigo e respeitvel que seja.
Justin contemplou o rosto do homem, consciente de que lhe estava a ocultar algo. Algo que, sem dvida, Langley pensava decisivo para a sua aceitao ou recusa. E 
como a aceitao de Justin seria benfica para o banqueiro...
- Quem ? - perguntou Justin, com franqueza.
De novo o banqueiro franziu os lbios e, quando falou, as palavras que brotaram deles eram as ltimas que Wynfield esperava ouvir.
- Lady Sarah Spenser, milorde. A nica filha do marqus de Brynmoor. E a sua herdeira.
Que arrogante, disse uma e outra vez o conde de Wynfield, enquanto as rodas da sua carruagem devoravam a distncia que o separava da propriedade que estava prestes 
a perder para sempre.
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O vento lev-la-ia por culpa da m administrao do seu pai e do seu irmo. E pelo seu estpido orgulho. Porque a mulher que tinha amado tinha escolhido amar outro 
homem. Algum to pouco merecedor do seu presente que a tinha abandonado para que desse  luz o seu bastardo fora do casamento. Portanto Justin, levado pela sua 
arrogncia, obstinado ao seu dio e amargura contra Sarah pela sua traio, em vez de aceitar a sua oferta, a soluo de todos os seus problemas, tinha declinado. 
Uma relao sexual ilcita da qual nunca teria acreditado ser capaz. E apesar de ter afirmado sempre que a tinha amado de verdade, tinha optado por recus-la e satisfazer 
o seu velho desejo de vingana, negando a possibilidade de redimir a sua herana e a guardar para os seus filhos.
Os seus filhos", pensou, recordando por alguma razo os olhos enormes do beb dos Randolph e os do pequeno de Sarah. Certamente, nunca teria tido filhos, disse para 
si, embora tivesse aceite a oferta. Porque o que Sarah tinha sugerido era um casamento de convenincia. Langley tinha sido muito claro nesse ponto. Seria um acordo 
de negcios, de benefcio mtuo para ambas as partes.
- O marqus de Brynmoor j no pode ocupar-se pessoalmente da sua propriedade - tinha dito Langley e, com aquelas palavras, Justin tinha
recordado a expresso de Sarah ao perguntar-lhe pelo seupai. - Portanto, a responsabilidade recaiu sobre a sua filha. Apesar dos conselhos profissionais que recebe, 
sente que os interesses de Brynmoor no esto a ser to bem administrados como o marqus desejaria. Ou como ela deseja. Como as suas duas propriedades confinam e 
como se acha em condies de lhe oferecer a ajuda econmica de que necessita: - o banqueiro tinha feito uma pausa, erguendo as sobrancelhas a modo de pergunta.
Justin tinha escutado o resto,  claro, em deferncia a Sarah e ao seu conselheiro, mas a sua mente no tinha albergado nenhuma dvida sobre qual seria a sua resposta. 
Que arrogante", pensou de novo.
No entanto, sabia que no poderia viver sob o mesmo tecto com Sarah Spenser e o filho que tinha tido com outro homem. E aquela tinha sido uma das exigncias que 
Sarah tinha expresso, em troca de pagar as suas dvidas, que vivessem os trs juntos em Longford. Impossvel.
Pela janela da carruagem, os seus amados campos e bosques estendiam-se como um panorama, desdobrando-se perante os seus olhos, enquanto o carro se desviava da estrada 
pblica para aceder ao caminho privado que conduzia  sua propriedade. Conhecia cada centmetro daquela terra, como conhecia cada canto da velha casa.
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Robert e ele tinham brincado em todas as suas curvas, do desvo at s largas passagens subterrneas. A sua casa, a sua terra. E, a no ser que ideasse uma soluo 
vivel para o problema que tinha estado a tentar resolver incansavelmente desde que tinha abandonado o exrcito por inva lidez, ia acabar por perd-las.
Que arrogante", pensou outra vez. Naquela ocasio, foi o rosto de Sarah que emergiu na sua mente, bloqueando a vista da sua propriedade. E Justin no viu mais nada 
at que o motorista deteve a carruagem diante de Wynfield Park.

- Recusada - repetiu Sarah fracamente. Deixou-se cair na cadeira atrs da escrivaninha, no escritrio do seu pai, agarrando com demasiada fora os braos esculpidos 
do assento. Os seus olhos no abandonaram nem sequer por um instante o rosto do senhor Samels.
Pensou estar preparada para a resposta de Justin, mas por alguma absurda razo, no esperava uma negativa. Tinha imaginado muitas reaces, desde gratido a que 
ficasse zangado, a uma aceitao a contragosto, mas no se tinha preparado para uma recusa terminante  oferta econmica que aquele casamento lhe ofereceria.
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- O conde deseja que lhe expresse a sua gratido, mas lamento inform-la de que... no pode aceitar a sua amvel oferta.
-Entendo - respondeu Sarah, tentando recuperar os pedaos dispersos do seu orgulho. - O que far ento? - perguntou, porque, apesar de tudo, queria sab-lo.
- Imagino que vender tudo. Pagar o que puder e ir viver para o continente, talvez. L a vida  mais barata que na Inglaterra.
Sarah assentiu, mas a sua decepo era to grande que quase no podia formular as frases de cortesia que Lhe permitiriam findar aquela do lorosa reunio.
- Desejava tratar de algum outro tema, milady? - perguntou finalmente o seu conselheiro, ao ver que no fazia nenhum comentrio sobre a sua anlise dos planos do 
conde.
- Obrigada, no, senhor Samuels - conseguiu responder. - Penso que ser tudo por hoje.
Samuels assentiu e j ia a caminho da porta, quando Sarah o deteve. No poderia suportar, compreendeu de repente, que a sua oferta fosse do domnio pblico. E motivo 
de troa.
- Senhor Samuels, quero que entenda que Lhe pedi que sugerisse um casamento de convenincia ao conde porque as nossas famlias foram amigas e vizinhas durante sculos, 
e porque pensei que seria uma tragdia que Wynfield perdesse tudo... - hesitou, observando os olhos de Samuels para ver se acreditava nela. - Mas... pe- dir-lhe-ia 
que no comentasse o que tratmos fora desta sala. No  assunto de ningum e tenho a certeza de que estar de acordo comigo.
- Pode ficar tranquila a esse respeito, milady. A discrio  um requisito indispensvel na minha profisso. No ouvir nenhum comentrio sobre este assunto, a no 
ser que o conde em pessoa resolva torn-lo pblico - advertiu-lhe.
A advertncia estava patente tambm no seu olhar e ela assentiu, dando-lhe permisso para ir-se embora. Quando o seu conselheiro fechou a porta, Sarah no se levantou 
da cadeira. Pensou naquele aviso e perguntou-se se Justin comentaria sobre o que tinha feito. Se o fizesse, poderia imaginar o que diria toda a gente. Automaticamente, 
Sarah levou uns dedos gelados ao rubor que se intensificava no seu rosto.
E o que importava o que dissessem os outros? perguntou-se. No podia estar mais separada da sociedade do que j estava. Alm disso, sabia que Wynfield era demasiado 
cavalheiro para tra-la. Talvez no quisesse casar-se com ela e, pensando bem, podia compreender as suas ra zes, mas Justin nunca tentaria humilh-la, di vulgando 
a sua proposta de casamento.
S que saberia sempre que tinha feito aquela oferta. A nica humilhao que sofreria por

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aquela recusa seria a que acabava de sofrer. Mas, decidiu, era humilhao suficiente.
- Estava com esperana que estivesse em casa
- disse Andrew, com a voz cheia de regozijo. Justin levantou os olhos com surpresa e viu os mesmos olhos azuis-escuros nos quais tinha pensado com frequncia nos 
ltimos cinco dias. O menino estava sentado perto do curral, observando como Wynfield avaliava os cavalos que ia enviar a Tattersall's na semana seguinte.
O conde tinha-se sentido perturbado com o seu primeiro encontro com o filho de Sarah. Tinha sentido cimes do homem que tinha conquistado o seu corao e daquele 
rapaz, que devia ter sido dele. Uma vez conhecida a verdade, aquelas emoes intensificaram-se e eram ainda mais desprezveis.
- Como est a sua perna de madeira? - perguntou-lhe o menino com educao, baixando os olhos para as calas que tinha vestidas. Apesar do n de emoes, Justin riu-se.
- Continua a ser de madeira - respondeu com facilidade.
- Prende-a  perna? - perguntou Andrew. Para segur-la?
Depois de trocarem algumas saudaes, por estranhos que fossem, o menino sentia que tinha
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obtido o estatuto de um convidado legtimo. Resolveu reunir-se ao conde no curral.
Por alguma razo, o interesse do menino e a sua investigao do mundo divertiam-no e intri gavam-no. Se o que Justin tinha visto naquele dia, no bosque, era alguma 
indicao, o pequeno tinha muito poucos amigos ou companheiros de brincadeiras da sua idade. Estava a crescer numa casa de adultos, o que possivelmente explicava 
a maturidade da sua conversa.
Pondo-se em bicos de ps, Andrew esticou o brao para tocar no focinho da gua. Como no estava acostumada a crianas, o animal moveu a cabea e relinchou, provocando 
umas gargalhadas infantis, mas nenhum indcio de medo.
- Gostas de cavalos? - perguntou o conde, observando como aqueles dedos ansiosos voltavam a erguer-se.
- Eu gosto do pnei de Sarah - disse o menino.
- Monta-lo?
- s vezes - respondeu Drew.
Entretanto, a gua j tinha decidido que o menino era inofensivo. Apertou o focinho contra a mo de Andrew e o menino voltou a rir-se, com mais suavidade naquela 
ocasio, mas com deleite sincero e espontneo.
- Monto o pnei quando Sarah tem tempo para me ajudar - acrescentou.
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- E o teu av? - perguntou o conde com suavidade.
A mo que acariciava a gua ficou imvel. O menino virou-se apenas para olhar para ele. Os seus olhos azuis j no irradiavam alegria, mas reflectiam a mesma emoo 
de quando tinha estado na clareira do bosque, s e sem amigos, rodeado por um crculo de agressores. Ao v-lo, Justin teria dado tudo para poder retirar a pergunta.
- Refere-se a Beynmoor? - perguntou o rapaz. Subjugado pela altivez sombria e amadurecida daquele olhar azul e frio, Justin assentiu. - No gosta de mim - disse 
Andrew. - No quer ensinar-me nada. Mantenho-me afastado dele.

Que inferno devia ser para um menino como aquele, pensou Justin. Viver na mesma casa com um idoso louco que o detestava. A mesma casa, recordou, em que Sarah tinha 
querido introduzir a sua presena. E talvez aquela fosse a razo, compreendeu Justin. Por causa daquele rapaz, o seu filho. Uma vtima da sua prpria sociedade. 
Desprezado pelo seu av por um pecado que no tinha cometido.
- Chorou quando lhe cortaram a perna? - perguntou o rapaz.
A sinceridade da pergunta era srpreendente, dada a reticncia de outros em falar da amputao. Quase ningum tinha mencionado a perda da sua perna desde o seu regresso, 
pelo menos
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diante dele, corrigiu-se, consciente de como fun cionavam as ms-lnguas do distrito.
- No me lembro - reconheceu, tentando lembrar-se da operao. Aquelas lembranas pareciam ocultas por uma nebulosa de imagens conflituosas. - Adormeceram-me com 
conhaque e ludano - contou-lhe, contemplando aqueles olhos que devoravam todas as suas palavras. Sei que gritei muito - acrescentou, aliviando o tom da conversa.
- Porque lhe doa?
Wynfield assentiu, sentindo um n na garganta.
- Eu gritei quando Sarah me limpou os cortes com desinfectante - disse Drew, em tom de consolo.
- Penso que gritar  permitido - respondeu Justin em voz baixa.
- Sobretudo se lhe cortassem a perna - respondeu Andrew com gentileza, desviando a sua ateno para a gua:
O tema tinha ficado resolvido para sua satis fao. E, afinal de contas, concedeu Justin, no havia muito mais a dizer a esse respeito.
- Mas ele no se importou, Sarah! - protestou Andrew. - Juro-te que no: Subiu-me  gua que vai vender em Tattersall's e deixou-me mont-la. No se importou que 
fosse visit-lo.
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- E tu tambm no - disse Sarah, dando a volta ao seu argumento. Falou com mais brusquido e irritao que de costume com Andrew. Da ltima vez que tinha ido a Wynfield 
Park sem a sua permisso tinha-o advertido do que aconteceria se voltasse a desobedec-la. - No ouviste o que te disse tanta vez.
-  nosso vizinho - alegou Drew em voz muito baixa.
- No tinhas permisso para ir, Andrew, e nada do que disseres poder alterar esse facto.
A cabea de caracis caiu para a frente. Nem tanto, suspeitou Sarah, pelo remorso, mas antecipando o castigo com que o tinha ameaado. Um castigo que teria que administrar. 
Compreendeu, sem saber o que fazer a esse respeito, que aquela aventura tinha adquirido propores exageradas. Afinal de contas, Drew tinha voltado para casa e tinha 
confessado a transgresso, demasiado contente pelo xito daquela incurso para lha ocultar. Sempre tinha sido um menino sincero.
- No se importou - repetiu Andrew, em tom suplicante daquela vez.

- Bom, eu importo-me - insistiu Sarah. - Deves aprender que no podes continuar a desobedecer-me porque te convm. Os soldados que desobedecem s ordens so castigados.
Dado o presente fascnio de Drew com tudo o que estivesse relacionado com o exrcito e, 
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sobretudo, com um ex-soldado em particular, pensou que aquele argumento teria mais peso que a sua preocupao por no o encontrr em casa.
- Vais aoitar-me? - perguntou o menino. Como aoitam os soldados?
Sarah sentiu nuseas na garganta perante a imagem, mas no se distanciava tanto do castigo com que o tinha ameaado, uma sugesto da governanta. A senhora Simkins 
tinha criado cinco filhos robustos e tinha dito que aquela era a forma como se castigava os meninos da idade de Andrew.
Sarah contemplou o basto que descansava sobre a mesa raiada da sala de aula, uma lembrana da infncia do seu pai, certamente. Nunca se tinha esforado muito para 
disciplinar Amelia e Sarah. Uma palavra spera do seu pai, um sobrolho do seu rosto iracundo e corado, bastavam para imobiliz-las de medo.
Andrew no era assim, tinha um temperamento muito diferente. E,  claro, o sangue do seu pai corria pelas suas veias, como o de Amelia. Aquele era o medo mais terrvel 
de Sarah, no poder controlar as tendncias que Andrew podia ter herdado do seu caprichoso pai. Por isso, Amelia tinha-o confiado a ela. Era parte da responsabilidade 
que Sarah tinha assumido com a promessa que tinha feito  sua irm, no seu leito de morte.
-  um basto e no um chicote - disse, com o corao encolhido.
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- No vou chorar - respondeu Andrew, com olhar desafiante. - No vais conseguir fazer-me chorar, Sarah. Talvez grite - disse, com a voz im pregnada de medo, pela 
primeira vez, = mas no vou chorar. Ele no chorou, nem sequer quando lhe cortaram a perna.
Justin, pensou Sarah. Aparentemente, tinham falado da sua amputao durante o seu encontro daquele dia. Ela tinha advertido Drew de que no falasse com o conde sobre 
a guerra ou sobre a sua ferida. Parecia que nada do que lhe dizia tinha algum efeito nele, compreendeu com desespero. Como as splicas que tinha feito a David Osborne 
h quatro anos, inteis.
- Deita-te sobre a mesa - ordenou-lhe, com o peito cheio de desagrado pelo que tinha que fazer. Nunca tinha batido a Andrew, mas a senhora Simkins tinha-a avisado 
de que estava a consentir demasiado e que ele estava a acostumar-se a levar a sua avante. E quando fosse para a escola, tinha-lhe dito a governanta, ou quando Sarah 
contratasse um tutor...
Ser o menino a sofrer ento, pela sua falta de comportamento, milady. O melhor ser disciplin-lo a partir de agora. Ser melhor para ele, ver".
Tremendo, Drew inclinou-se para diante, mostrando-lhe o seu pequeno traseiro, que continuava coberto com as calas manchadas de
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lama, que tinha vestido para visitar Wynfield. Sarah no suportava a ideia de usar o magro basto para magoar a pele plida dos seus glteos nus. Aquilo j seria 
bastante duro.

Inspirou profundamente, levantou o brao e bateu-lhe com o basto. E depois outra vez, ganhando coragem para completar o seu dever, recordando o rosto malicioso 
e sorridente de David Osborne. Quando terminou, Andrew tinha cumprido a sua promessa. Como o seu heri, ele tambm se tinha negado a chorar, nem sequer
depois de Sarah lhe administrar os trs aoites. Uma vez a ss no seu quarto, Sarah descobriu
que no era to valente como Drew. Nem como o conde. Tambm reconheceu que por muito que detestasse castigar o filho da sua irm, algumas das lgrimas que derramou 
depois eram o resultado de outro evento ocorrido naquele dia. Um evento muito diferente do castigo de Andrew.
Em parte, tinha chorado por uma oferta valorosa, uma tentativa desesperada de aproveitar a sua ltima oportunidade de ser feliz. Uma oferta que tinha sido recusada 
com a mesma rapidez, recordou com amargura, destruindo toda a esperana de felicidade.
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Quatro
Quando Sarah despertou na manh seguinte, ainda no tinha amanhecido. Tinha passado uma noite inquieta, cheia de pesadelos. Recordou as vvidas imagens de guerra 
que a tinham acossado, de cirurgies militares com aventais manchados de sangue e instrumentos horrveis nas mos. E por cima de todas elas, o rosto de Drew a controlar 
as lgrimas que tinham brilhado nos seus olhos enquanto o castigava.
Mas nem sequer acordada podia dissipar a sensao de desespero produzida por aqueles sonhos. Pior ainda, experimentou um profundo pesar e teve o pressgio de que 
os acontecimentos do dia anterior tinham marcado uma mudana na sua relao com Drew. O menino estava a crescer, isso era inegvel. Mas estaria a afastar-se dela 
tambm?
Empurrou os lenis para um lado e ps os
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seus ps nus no cho. Sem se incomodar em agasalhar-se com o xaile que estava aos ps da cama, atravessou o quarto e abriu a porta que dava para o corredor. Andrew 
dormia no andar de cima,  claro. Com frequncia tinha percorrido aquele trajecto em silncio, subindo em bicos de ps as escadas de servio do final do corredor 
para ver como estava.
Abriu a porta com suavidade, encolhendo-se um pouco pelo rudo que fez. O quarto conti nuava s escuras, com as cortinas puxadas nas janelas altas. Aproximou- se 
da cama, enquanto as suas pupilas se adaptavam  penumbra, e viu que estava vazia. No entanto, demorou a compreender o que isso significava. Parecia-lhe impossvel 
que Andrew no estivesse ali. No podia ter ido. a parte alguma.
- Andrew? - chamou-o em voz baixa, enquanto passeava o olhar por cada canto, perguntando-se se o menino estaria a brincar s escondidas. Ou talvez tivesse ouvido 
a porta e estava agora a tentar castig-la pelo ocorrido no dia anterior. - Drew? - chamou-o em voz mais alta. Responde-me, Drew - ordenou-lhe, embora o seu corao 
j tivesse aceite o que a sua mente negava. Andrew no estava.
Deslizou a mo pelos lenis enrugados e surpreendeu-se ao senti-los frios. Andrew tinha sado h j algum tempo, onde quer que estvesse.
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Os seus olhos descobriram a sua camisa de dormir ao p da cama. Em seguida, procurou com frenesi a fileira de ganchos da parede. Como tinha temido, a roupa que tinha 
vestido no dia anterior no estava ali.
Tinha fugido, pensou, e o seu corao comeou a palpitar com fora. Andrew tinha fugido porque ela o tinha castigado. E soube, sem o menor indcio de dvida, para 
onde tinha ido.
O conde de Wynfield abriu a porta do estbulo de Estrela e entrou. O cavalo cabeceou suavemente contra o seu peito, saudando o seu amo de uma forma consagrada.
Afinal de contas, tinham sido conpanheiros durante muitos anos e em circunstncias difceis. E, no entanto, na noite anterior tinha acrescentado o nome do animal 
 lista que tinha enviado ao conhecido mercado de cavalos londrino. Estrela seria bem vendida.
Quando tudo tivesse terminado e a propriedade estivesse vendida, Justin no teria meios para manter o animal. Nem sequer para se manter a si prprio, reconheceu, 
apertando os lbios. Embora estivesse disposto a prescindir de muitas coisas para pagar as dvidas da famlia na medida do possvel, no queria que Estrela passasse 
fome.
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Poucas decises nas ltimas semanas tinham sido to dolorosas, mas sabia que estava a fazer o melhor para Estrela. E nada menos do que merecia pela sua velha lealdade.
Justin baixou a cabea e, fechando os olhos, apoiou a testa sobre o focinho do animal, cedendo de novo  crescente sensao de perda contra a qual lutava cada dia: 
Automaticamente, acariciou com a mo o pescoo brilhante e poderoso do animal.
- Ests a chorar? - perguntou uma pequena
voz.
Perplexo, o conde levantou a cabea e surpreendeu os olhos grandes de Andrew Spenser que olhava para ele do cho do estbulo de Estrela. O menino estava aninhado 
na palha, comodamente enroscado na escurido, quase sob os cascos do cavalo.
Sem afastar a mo do focinho de Estrela para a tranquilizar, Justin inclinou-se e levantou o
menino pelo colarinho do seu casaco. Deu um passo atrs e, to rapidamente quanto pde, sem assustar o animal, tirou o menino do compartimento do animal. Em seguida, 
fechou a porta para impedir que Estrela se reunisse a eles. O cavalo abanou a cabea curiosamente e relinchou em protesto pelo abandono.
S quando Drew ficou a salvo daqueles poderosos cascos, Justin se lembrou de respirar. Mais
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assustado que zangado, deixou o menino no cho com mais fora do que a necessria, ainda segurando-o pelo casaco.
- O que raios estavas a fazer ali dentro? - inquiriu.
- Dormia - disse Drew, abrindo muito os olhos pelo tom da sua pergunta e pela sua linguagem.
- O que fazes aqui? - insistiu o conde.
- Fugi.
- Fugiste? - repetiu Justin com incredulidade.
- De casa?
- Posso ajud-lo a cuidar dos cavalos - ofereceu-se o rapaz com voz esperanada.

- Sarah sabe que ests aqui?
- No - respondeu Drew, desviando o olhar.
- Sabes que vai ficar muito preocupada quando descobrir que te foste embora? - perguntou o conde, soltando finalmente o seu casaco.
- No me importa - replicou o menino com amargura.
Ao ouvir o seu tom, Justin hesitou e examinou a sua figura suja. Drew levava a mesma roupa que no dia anterior, mas as roupas estavam enrugadas e cobertas de palha 
e lama da noite que tinha passado no estbulo.
Justin comeou a inclinar-se com a inteno de ficar  sua altura, mas em seguida compreendeu que no lhe seria possvel, dada a natureza
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inflexvel do seu tornozelo direito. Portanto, levantou-o e colocou-o sobre uma sela de montar que algum tinha deixado sobre uma das cercas. O deleite relampejou 
nos olhos azuis que, apenas h um momento, estavam cheios de irritao e tristeza.
- Por que no te importas com o facto da tua maman estar preocupada contigo? - perguntou Justin em voz baixa. Justin manteve a mo na cintura do menino, para o caso 
de perder o equilbrio, mas Drew agarrava-se  sela com as coxas, como lhe tinha ensinado no dia anterior.
- No quer que venha ver-te - disse Andrew. Os seus olhos cravaram-se no rosto do conde como se procurasse uma explicao para aquela proibio ridcula. Havia vrias, 
sups Justin, mas nenhuma que pudesse oferecer a um menino de quatro anos.
- Mas vieste, no foi? Ontem e depois  noite. E sem a sua permisso - disse Justin.
- No entendo por que Sarah no quer que te veja. Disse-lhe que tu no te importavas. No te importas se vier ver-te, pois no? - perguntou Drew, albergando esperanas 
novamente.
- Essa no  a questo - respondeu Justin. - A questo ...
Fez uma pausa, perguntando-se por que razo Sarah teria ditado aquela restrio. Afinal de contas, se tivesse aceite a sua oferta de casamento,
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Andrew e ele teriam melhorado a sua relao. Ou talvez, como a tinha recusado, Sarah estivesse a tentar proteger o seu filho. Era evi dente que o menino se tinha 
apegado a ele- e, dadas as circunstncias, no podia permitir que aquele apego se intensificasse.
- A questo ... - continuou Justin, fugindo habilmente  verdadeira razo, - que deves fazer o que a tua me te diz para fazeres. Os soldados obedecem s ordens, 
embora no as entendam.
- Isso foi o que ela disse - admitiu o rapaz.
- Disse porque  verdade - o rapaz assentiu, mas os seus olhos estavam brilhantes. - Queres que te leve a casa montado na Estrela? - perguntou Justin.
- No penso voltar para casa nunca maisdisse Drew com obstinao. O queixo minsculo ergueu-se com rebeldia.
- Os meninos tm de estar em casa, com as suas mes - disse Justin.
- A tua me aoitava-te?

Justin riu, e compreendeu que no o devia ter feito. A pergunta tinha sido sria.
- Se me aoitava? - repetiu.
- Bem... se te batia com uma vara - o rapaz reviu com cautela a sua verso do castigo de Sarah.
Por fim, Justin comeava a compreender o que tinha impulsionado Andrew a fugir de casa.
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Conhecendo Sarah como a conhecia, sabia que era perfeitamente possvel que tivesse castigado o menino fisicamente pela primeira vez. E detestava ser a causa daquela 
rixa. Detestava que Drew tivesse reagido daquela forma. Sem dvida receberia numerosos aoites quando fosse para a escola. Talvez precisasse de o entender.
- Na verdade, o meu pai aoitava-me com frequncia, se a memria no me falha - admitiu Justin, quase regozijando-se ao recordar as torpes tentativas de castigo 
do seu afvel pai. - Embora no com tanta frequncia quanto o meu tutor e, depois, o director da escola.
- No chorei - disse Andrew. - Porque tu no choraste. Os soldados no choram - repetiu as palavras.
- Alguns sim - disse o conde de Wynfield, estudando o rasto inequvoco de lgrimas pelas suas mas do rosto redondas. - s vezes... todos choramos.
O silncio prolongou-se. Lentamente, o menino exalou um suspiro. Depois, surpreendentemente, baixou os seus dedos pequenos e sujos para o rosto de Justin, oferecendo-lhe 
uma carcia to subtil como o amanhecer. Pousou-os apenas um momento e em seguida continuou a alisar o couro da sela.
- Se no pensas voltar para casa, Andrew
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disse Sarah em voz baixa. - Sentir-me-ei muito sozinha.
A sua voz ressoou atrs de si e Justin preparo-se para a encarar. Ergueu os olhos para o rapaz e viu que Drew estava a contemplar a sua me como se quisesse correr 
para ela e sentir-se a salvo nos seus braos. A sua zanga tinha sido to efmera como o consolo tcito que acabava de oferecer a Justin.
- Sei que ests muito zangado comigo - continuou Sarah. Aproximou- se, e Justin sabia que no podia demorar mais uma resposta. Voltou-se e procurou o rosto de Sarah 
com o olhar.
A pele delicada sob os seus olhos estava escura e a sua expresso cheia de ansiedade. Perguntou-se fugazmente se se devia  resposta da sua oferta do dia anterior.
Mas no, Sarah tinha os seus prprios problemas alm dos que espreitavam o seu passado em comum. Ou o seu presente. E Justin certamente estava a pensar que o que 
ele dizia ou fazia a influenciava mais do que era de esperar.
Ao aperceber-se do silncio prolongado de Andrew, os olhos do conde deixaram de contemplar o rosto de Sarah e procuraram o do menino. Drew estava a olhar para ele, 
em vez da sua me, e no sabia porqu.
- A tua me falou contigo - resmungou com suavidade.
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- Vai bater-me outra vez? - perguntou Drew. Justin controlou a urgncia de sorrir.
- No, no vai bater-te - respondeu Sarah com deciso. - Mas vai levar-te para casa. No penso que ontem  noite tenhas dormido muito melhor do que eu.

- Dormi com Estrela - disse Andrew, e os seus olhos brilharam com deleite ao transmitir aquele notvel feito.
Sarah olhou para Justin como se procurasse a sua confirmao e depois viu o enorme cavalo. que continuava com a cabea levantada, como se ouvisse a conversa. Engoliu 
em seco e apertou os lbios antes de abri-los para dizer com serenidade:
- Ento suponho que cheirars a cavalo. Andrew cheirou a manga do seu casaco, que certamente no voltaria a ser a mesma, pensou Justin.
- Sim - respondeu com orgulho. - Cheiro como um cavalo.
- No deves orgulhar-te disso - sugeriu Justin. Levantou o menino da sela e deixou-o no cho. - No  uma fragrncia que os cavalheiros devam ter na presena das 
damas - acrescentou, sacudindo a palha e a porcaria das roupas de Drew com as mos.
- Por que no? - perguntou o menino.
- Porque pode ofend-las.
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As pequenas mos uniram-se s suas numa tentativa de tirar as manchas da roupa.
- Por que iria ofend-las? No gostam de cavalos? - perguntou Andrew, levantando os olhos para o rosto de Justin.
- S para mont-los, no para cheir-los. Renunciando  tarefa de p- lo apresentvel, Justin colocou uma mo nas suas costas e empurrou-o para a sua me. Ao mesmo 
tempo, voltou a contemplar o rosto de Sarah. J no era o rosto oval jovem e liso que recordava. Tinha mudado tanto quanto ele, compreendeu pela primeira vez.
Com o mpeto do empurro de Justin, Andrew caminhou lentamente at ficar a poucos passos da sua me. Ento, aproximou-se mais ainda dela; atirando-se para as suas 
saias e rodeando as suas pernas com os braos. Sarah rodeou-lhe a cabea com a mo, apertando-o contra ela.
- Obrigada - disse com suavidade, levantando o olhar dos caracis revoltos para o rosto de Justin.
Justin moveu a cabea, recusando a sua gratido, mas no disse nada. No pde, porque, de repente, as lembranas de um tempo longnquo, que tinham significado muito 
um para o outro, elevaram-se entre eles, to ntidas e intensas como o aroma do Outono no ar da manh.
Sarah ps a mo no ombro do seu filho e conduziu-o para fora do estbulo. Atrs deles, o p que Justin tinha sacudido do casaco de Andrew danava no ar, brilhando 
nos raios de luz. O estbulo desapareceu no silncio e, sem eles, parecia incrivelmente solitrio.
- Lady Sarah Spenser veio visit-lo, milorde
- anunciou Blevins. No havia rasto de surpresa ou desaprovao na voz do mordomo. Estava desprovida de qualquer inflexo, e o seu rosto parecia perfeitamente composto.
Justin tinha a certeza de que no podia dizer o mesmo dos seus prprios traos.
- F-la entrar, Blevins - disse finalmente. Tinha demorado demasiado tempo a pronunciar as palavras, mas quando o fez, agradou-lhe ver que a sua voz parecia serena. 
No reflectia nem um pouco do caos que a notcia da visita tinha criado nele.
- Muito bem, milorde.

Mesmo quando o mordomo desapareceu pela porta do escritrio do seu pai, o conde manteve o olhar fixo na soleira, deixando que os seus pensamentos se acelerassem.
Tinham passado trs dias desde que tinha encontrado Andrew a dormir nos estbulos e, durante aquele tempo, no tinha tido notcia de nenhum deles. Enquanto trabalhava 
com os cavalos,
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preparando-os para a venda emTattersall's, tinha esperado ver Andrew aparecer, a qualquer momento. Mas no tinha sido assim, de modo que o que Sarah queria dizer-lhe...
Deu-se conta de que estava de p na soleira da porta. Os seus olhos tinham menos olheiras do que na ltima vez que a tinha visto, mas podia ser efeito da luz.
- Posso entrar? - perguntou.
Justin inclinou a cabea, concedendo a sua permisso sem falar. Sarah hesitou um momento antes de atravessar a diviso e sentar-se na cadeira diante da sua secretria. 
O seu cabelo, apenas um pouco mais escuro de como o recordava, rodeava o seu rosto com caracis muito favorecedores. E havia mais cor no seu rosto, embora no soubesse 
se era pelo ar do exterior ou pela tenso daquele encontro.
- Penso que podemos prescindir das formali dades entre ns - comeou a dizer em voz baixa. i Deliberadamente, Justin sorriu com ar trocista. E Sarah sabia. O facto 
de estar a troar da sua sntese suavizada do que havia entre eles ficou reflectido nos seus olhos azuis.
- Fiz-te uma oferta - continuou com tenacidade, corando. - E tu recusaste.
Justin no disse nada, mas os seus olhos, cruelmente inexpressivos, continuaram fixos no
seu rosto.
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- O que  preciso fazer para que a aceites? perguntou.
Justin no esperava aquilo. Algo sobre Andrew, talvez. Ou uma oferta para comprar parte da terra que se via obrigado a vender e que, afinal de contas, fazia fronteira 
com a de Brynmoor.
- A tua oferta foi extremamente generosa - disse-lhe. - E explcita. A minha recusa no tem nada a ver com os seus termos.
- Mas sim comigo - sugeriu Sarah. Como era a verdade, Justin no se incomodou em neg-lo.
- E com Andrew? - inquiriu.
Justin levantou uma sobrancelha.
- Tem ou no tem a ver com Andrew? - repetiu Sarah.
- Andrew no tem nada a ver com isto.
- Precisa... - hesitou, ia expressar o bvio.
- De uma influncia masculina que no seja a de Brynmoor? - terminou por sua vez.
- Sim.
- Ento, sugiro que peas ajuda ao seu pai.
- No  o tipo de influncia que desejaria para Andrew - respondeu-Lhe.
- No posso fazer nada para mudar isso, Sarah. Como tambm no posso aceitar a tua oferta
- repetiu com voz deliberadamente decidida. E to inequvoca como a carta que Lhe tinha enviado numa ocasio.
- Por que no? - perguntou, olhando para ele nos olhos sem hesitar.
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- Se no entendes por que no posso casar-me contigo, ento penso que no h nada que possa dizer para te fazer entender isso.
- Tenho um filho que necessita dos conselhos de um homem. Andrew escuta-te, respeita-te.
- Est vido de afecto - disse Justin, subtraindo importncia s suas palavras, apesar da desconfortvel reaco do seu estmago:
- vido de afecto masculino - corroborou. Andrew provavelmente no se importa de quem seja. Eu, sim - acrescentou de forma quase im perceptvel.
Justin levantou os olhos ao ouvir aquilo. Deixou a pena que os seus dedos tinham encontrado
sobre o doloroso resumo dos bens restantes da sua propriedade, que tinha estado a completar antes da interrupo de Blevins.
- No, Sarah - disse em voz baixa.
Sarah inspirou fundo, com os olhos ainda fixos no seu rosto.
- Andrew necessita que o ensinem a comportar-se como um cavalheiro e que o aceitem como tal. No h ningum mais admirado e respeitado neste distrito que tu, sobretudo 
agora. Se algum pode fazer algo por Andrew, esse algum s tu. que achas que posso fazer? - perguntou. - Alm de ensin-lo a comportar-se civilizadamente. Podes 
contratar um tutor para isso. Acredita que no te sair to caro.
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Por alguma razo, a pena estava de novo nos seus dedos. Zangado, atirou-a sobre a mesa, levantou- se e coxeou at  janela. Quando se voltou, esperou ver a mesma 
repulsa e pena nos olhos de Sarah que havia surpreendido numa ocasio. No entanto, continuava a olhar para ele com expresso esperanada.
- No posso ser um pai para Andrew, Sarah. Talvez no possa deixar nada aos meus filhos, mas quero t-los - reconheceu com amargura.
As pupilas de Sarah dilataram-se e, s ento, Justin compreendeu como tinha interpretado as suas palavras.
- No posso casar-me contigo - insistiu com mordacidade. - No posso mudar a situao de Andrew. Isto  um sonho que criaste porque no queres v-lo sofrer.
Sarah assentiu, com os olhos grandes e sombrios banhados de lgrimas.
- No quero v-lo sofrer - repetiu, reconhecendo-o. - A culpa no  dele.
Nem minha, quis dizer Justin. No tenho culpa do que aconteceu h quatro anos. No posso mudar nada. E no deverias pedir-me que o fizesse.
- No se pode voltar atrs - disse, no entanto.
- No te peo isso. O que houve entre ns... a sua voz tremeu e uma lgrima escorregou lentamente pelo rosto que tinha empalidecido.
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Apesar do que aconteceu, Andrew no deveria suportar todo o peso.
Os pecados do pai", pensou Justin. Era incontornvel. Ele tinha passado cinco anos a lutar honestamente pelo seu pas e tinha-lhe custado mais do que estava disposto 
a reconhecer. Mesmo assim, via-se obrigado a pagar pelos pecados do seu pai. Assim era o mundo.

- Podes conservar tudo isto disse Sarah. No tens por que mudar nada. Nem perder nada. Podes mant-lo tal como est.
Era tentador, sobretudo dado o contedo da lista que estava sobre a mesa. Tudo o que possua estava nela, dos diamantes da sua av, um legado para a sua filha no 
nascida, at Estrela, a amada gua a quem devia a vida.
- Conserv-lo para quem? - perguntou em voz baixa e observou como a cor voltava a tingir a sua pele de alabastro.
Permaneceram em silncio durante longos instantes. O suficiente para que sentisse o tiquetaque do relgio que marcava o passar do tempo. Como o tinha feito naquele 
escritrio durante mais de um sculo.
- Se... - comeou a dizer Sarah em apenas um sussurro. Interrompeu- se, engoliu em seco e, fortalecendo o seu tom de voz, prosseguiu. - Se isso  o que queres... 
Se essa for a tua condio...
Justin riu, compreendendo, embora ela no o
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fizesse, que no estava em situao de impor condies. Aquele casamento era, simplesmente, impossvel. No podia viver com Sarah e com o seu filho, nem sequer para 
salvar uma herana que amava.
S quando viu a mudana no seu rosto, compreendeu a crueldade inconsciente da sua gargalhada e como Sarah a tinha interpretado. S quando se levantou e correu s 
cegas para a porta, tropeando na cadeira em que tinha estado sentada, compreendeu o que pensava.
- Sarah - chamou-a, compreendendo a gravidade do seu engano. -  demasiado tarde, Sarah. No vs? No entendes que  demasiado tarde?
J se tinha ido embora. A ltima palavra ressoou na diviso, que parecia to vazia naquele momento como os estbulos na manh em que Andrew e ela se foram embora. 
"Demasiado tarde. Demasiado tarde para tudo".
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Cinco
- Milorde! Milorde!
Os gritos perturbaram a quietude da tarde. O conde e um criado dos estbulos estavam a falar sobre os cavalos que iriam para Londres no dia seguinte. Justin queria 
que chegassem uns dias antes do leilo para que recuperassem por completo da viagem e estivessem em excelentes condies no momento da venda.
Os dois homens levantaram os olhos e viram o filho mais velho de Meg Randolph, Tom, a correr colina abaixo para os estbulos. Tinha a cara plida sob as sardas.
- Depressa, milorde - gritou, agitando os braos por cima da cabea. - A mam diz que deve vir depressa.
- Sela o cavalo - ordenou Justin sem virar a cabea, enquanto coxeava o mais rapidamente possvel para o rapaz.
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Quando se encontraram, o filho de Meg estava quase sem flego. Inclinou-se para a frente, apoiando as mos nos joelhos, mas foi capaz de transmitir a splica de 
Meg.
- O rapaz Spenser - conseguiu dizer, respirando para os seus pulmes vidos.
- Andrew? - inquiriu Justin, e o rapaz assentiu.

Ao ouvir a palavra Spenser, Justin tinha ficado sem flego. Esperou com impacincia o resto da mensagem e, finalmente, apertou o filho de Meg e sacudiu-o.
- O que se passa com ele? - inquiriu.
- Apanharam-no - ofegou Tom. - Os rapazes da povoao. A minha me disse que o senhor quereria saber.
- Onde esto?
- Apanharam-no quando cruzava o riacho. A mam diz que certamente se dirigia para aqui" disse Tom.
Sem dvida, Meg estava certa. Afinal de contas, Justin esperava a chegada de Drew quase diariamente, confiando, no entanto, que no voltasse a desobedecer a Sarah. 
Como aparentemente tinha feito naquele dia.
Naquele momento, o criado aproximou-se com Estrela. Sem hesitar, receando pela mensagem de Meg e, com o que tinha presenciado h uns dias, no bosque, o conde subiu 
para a sela.
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- Diz  tua me que lhe estou muito agradecido - gritou ao rapaz antes de fincar os calcanhares nos flancos de gua.
Inclinando-se sobre o pescoo do cavalo, Justin deu rdea livre a Estrela para que cavalgasse pelo campo, pelas colinas e as pradarias que separavam a manso dos 
bosques. Apesar da advertncia de Meg, no sabia se chegaria a tempo de evitar que os rapazes da povoao se vingassem do menino, que numa ocasio tinha resgatado 
das suas garras. Tinham escolhido Andrew como a sua vtima e ele tinha interferido. Certamente tinham estado  espreita, esperando outra oportunidade. Os dios inexplicveis 
da infncia com frequncia apoiavam-se unicamente no facto de algum ser diferente. E Andrew era diferente, disso no havia dvida.
Drew tinha nascido, pelo menos, aos seus olhos, com dois estigmas dos quais nunca poderia livrar-se. Primeiro, no era um deles e, segundo, tinham-no designado como 
o filho bastardo de um nobre. Aquelas diferenas separavam-no de forma irrevogvel de outros rapazes e colocavam-no numa posio extremamente vulnervel:
Justin viu-se obrigado a abrandar ao entrar no bosque, que estava enganadoramente tranquilo. Aguou o ouvido para detectar qualquer som que o ajudasse a encontrar 
o grupo de rapazes. No entanto, j quase tinha chegado  clareira
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quando se apercebeu do rudo que estavam a fazer.
Estavam muito mais calados que no primeiro dia. Estavam a bater na cabea e nos ombros de Andrew com um ritmo que parecia obstinado, quase mecnico. Naquela ocasio, 
Justin compreendeu, com o corao na garganta, que o pequeno no oferecia resistncia. Andrew jazia imvel no cho.
O conde aproximou-se com menos cautela que no seu anterior encontro. Esporeou Estrela para entrar no crculo, que se quebrou e dispersou to rapidamente como da 
primeira vez. Naquela ocasio, Justin desceu do cavalo quase antes que a fuga temerosa dos rapazes Lhe desse espao para desmontar.
O mesmo que tinha levantado Drew pelo colarinho do seu casaco para afast-lo do perigo nos estbulos, ergueu o rapaz que estava a bater no mais pequeno. Lutando 
por controlar a sua fria, Justin afastou-o, de um puxo, do menino inconsciente. A cabea cambaleou para trs e esteve prestes a cair.

Justin deixou-o partir, centrando a sua ateno unicamente na figura imvel que jazia no cho. Caiu de joelhos junto a Andrew e os seus dedos encontraram rapidamente 
o pulso forte e tranquilizador no delicado pescoo.
Ento, lembrou-se de respirar, compreendendo,
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pelo menos intelectualmente, que o seu terror tinha sido desproporcionado em relao ao perigo que o menino corria. Fechou os olhos e a sua reza muda e rpida de 
agradecimento estava cheia de ardor.
- Andrew - disse em voz baixa, tomando o rosto plido entre os seus dedos. A pele do menino era to branca como a da sua me, pensou de forma irrelevante, e o seu 
queixo to frgil como os ossos de um pssaro. Demasiado frgil. - Drew - sussurrou, deslizando o polegar pela sua boca aberta. Os lbios estavam flcidos e plidos, 
mas enquanto olhava para ele, os olhos azuis abriram-se. Depois, maravilhado, as pupilas dilataram-se ao olhar para ele.
- No te foste embora - disse Andrew.
- No me fui embora - corroborou Justin, sentindo que a garganta lhe doa pelo que havia naqueles olhos.
- Disseram que ias para Londres:
- Para ficar, no. S para vender os cavalos.
O olhar do menino desviou-se para o cavalo exausto, que esperava pacientemente onde o conde o tinha deixado, ao saltar precipitadamente da sela.
- Estrela, no - suplicou Drew. - A tua gua, no.
Justin nada podia dizer para aliviar o horror
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genuno daquele pensamento, claramente reflectido nos olhos do menino. Afinal de contas, Justin sentia o mesmo. No entanto, era um adulto e tinha sido a sua escolha. 
No s com Estrela, mas tambm com Sarah e o seu filho. E tinha formulado a sua recusa com os olhos bem abertos perante as consequncias.
- Consegues sentar-te se te ajudar? - perguntou o conde, em vez de reconhecer, pelo menos naquele momento, que o nome de Estrela estava includo na lista de cavalos 
para Tattersall's.
- Acho que tenho a cabea partida - disse Andrew, tentando endireitar-se e tocando nela ao mesmo tempo. Doeu-lhe o suficiente para fazer uma careta.
- Atingiram-te com uma pedra - disse o conde, e afastou o pedregulho ofensivo. O seu corao agitado comeou a recuperar o seu ritmo normal ao compreender que o 
menino estava relativamente ileso. Tinha vrios galos e feridas e at um corte no queixo, alm do golpe na cabea que o tinha deixado inconsciente por uns momentos.
- Milorde!
Justin e Andrew levantaram os olhos ao ouvir a voz de Meg Randolph. Aproximava-se a correr pelo bosque, com uma vassoura na mo, levantando com a outra as saias. 
Tinha o rosto rechonchudo vermelho pelo esforo.
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Meg s parou quando chegou junto a eles.
- Pobre cordeirinho - disse para Andrew.
- Tenho a cabea partida - declarou Andrew, que comeava a gostar de tanta ateno.
- O que estavas a fazer com aqueles rufies, querido? - perguntou Meg. Levantou as saias e caiu de joelhos com um suspiro, junto ao conde. O aroma a po fresco e 
a lavanda seca rodeava-a, juntamente com um odor menos agradvel a transpirao e sabo.

- Dirigia-me para ver o conde - disse Andrew, com um toque de orgulho na voz. - Tinha ouvido dizer que se ia embora.
- Que se ia embora? - repetiu Meg, desviando o olhar para Justin. - Caramba, acabou de regressar a casa. E tem assuntos para tratar aqui. Como te ocorreu pensar 
que se ia embora?
Um silncio tenso surgiu, enquanto dois pares de olhos contemplavam Wynfield, esperando pela negativa que, sem faltar  sua honra, no podia dar-lhes. Nem a Andrew, 
que necessitava desesperadamente da sua ateno e da sua amizade, nem a Meg, que queria aquilo de que os arrendatrios se viam privados h tanto tempo. Precisavam 
de um conde para pr o bem da sua gente e das suas terras  frente das suas preocupaes egostas.
- No pensa ir-se embora, pois no, milorde?
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- perguntou Meg enquanto o silncio se prolongava. - Acaba de regressar a casa - disse novamente. - No estar a pensar em ir-se embora outra vez.
- Para Londres - disse Justin, sem olhar para Meg. Continuava a ver aqueles olhos azuis que, de repente, se encheram de esperana. - Mas s por uns dias.
- Vs? - respondeu Meg com brusquido, olhando para o rapaz. - Agora vamos levantar-te para ver as tuas feridas.
Com a ajuda da senhora Randolph, Justin ps Andrew em p. Meg apalpou o galo no cocuruto do pequeno com mos suaves mas peritas.
- To grande como um ovo de ganso - declarou, sorrindo para o rapaz quando terminou a sua inspeco, consciente de que o consideraria uma honra. - Diz a lady Sarah 
que te prepare um bom cataplasma de vinagre e a dor passar - prometeu-lhe. Em seguida, talvez a pensar na reaco de Sarah perante o ocorrido, comeou a alisar 
a roupa do menino, tentando apagar as provas do seu contacto com o cho.
- A senhora Simkins escova- as - tranquilizou-a Andrew, tocando na cabea com cautela, mais uma vez, como se quisesse assegurar-se de que ainda lhe doa. A julgar 
pela sua expresso, assim era.
-  claro - corroborou Meg, sacudindo-lhe as
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fibras de erva e umas quantas folhas da parte de trs do casaco. - Vo ficar como novas num abrir e fechar de olhos. Levar-te-ia comigo para casa e f-lo-ia eu mesma, 
mas suponho que lady Sarahvai querer que voltes para Longford imediatamente. Sabia que vinhas ver o conde, querido? - perguntou, levantando fugazmente os olhos para 
Wynfield antes de olhar outra vez para Andrew.
- No estava a fugir - disse Drew. - S queria despedir-me. Porque se ia embora - acrescentou, olhando para Justin. - Mas no vai, pois no? perguntou outra vez.
-  claro que no - disse Meg, abandonando as suas tentativas de limpar a roupa de Drew. Quer que o leve a sua casa, milorde?
Andrew aproximou-se de Winfield e introduziu os dedos na sua mo. Apesar da sua deciso racional de cortar qualquer tentativa de tornar mais ntima a sua relao, 
para o bem de Andrew, no pde evitar fechar a mo  volta dos seus dedos quentes.
- Estrela pode levar-nos aos dois - disse Drew em voz baixa.

Justin olhou para o rosto magoado que olhava para ele com tanta expectativa. Teria que explicar-lhe qual era a situao, mas talvez no fosse o momento para dizer 
a verdade. Nem para faz-lo raciocinar.
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- Suponho que sim - corroborou. Os olhos azuis iluminaram-se e os lbios do menino formaram um sorriso. Um sorriso que se parecia demasiado com o de Sarah, pensou 
o conde. Desviou o olhar e centrou-o no rosto sardento de Meg. - Obrigado - agradeceu-lhe.
- So um grupo perigoso - respondeu em tom grave. - Disse aos meus rapazes que vigiassem Andrew, mas... - hesitou, olhou para Andrew antes de voltar a olhar para 
Justin. - Se no houver ningum por perto, da prxima vez que o apanharem. - advertiu-o. O conde assentiu. - Ser melhor explicar a situao a lady Sarah - acrescentou. 
- Para que esteja atenta.
O conde assentiu novamente, mas sabia como isso seria difcil. O teu filho est em perigo por causa de algo que fizeste h mais de quatro anos. Troam dele e batem-lhe 
porque  um bastardo, portanto, deves vigi-lo mais de perto". No era uma advertncia que uma me receberia com agrado e, naquele caso, Justin era o pior mensageiro 
para lha dar.
Ainda com Andrew pela mo, coxeou pesadamente para o cavalo, que tinha recuperado um pouco a forma. Um descanso viria bem aos dois, disse-se, tentando no pensar 
na dor crescente que sentia no coto da sua perna direita. Mas teria tempo para descansar, depois de completar aquela desagradvel tarefa. Bem sabia que,
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muito em breve, a nica coisa que teria seria tempo.
Andrew subia os degraus largos da entrada depois do criado o ter ajudado a descer do cavalo. Justin seguia-o mais lentamente. Cada passo era uma agonia crescente.
Sabia,  claro, o que tinha acontecido. Tinha feito recair demasiado peso na inciso recm-cicatrizada ao ver o corpo, aparentemente sem vida, de Andrew e saltar 
do seu cavalo para interromper a luta. Tinha-o feito sem pensar na sua ferida, sem se lembrar, nem por um momento, da sua perna. Naquele momento, no entanto, cada 
passo era um brutal aviso.
- Quem  o senhor?
Ao ouvir a pergunta, Justin levantou os olhos da sua cautelosa manobra para subir os degraus e viu o marqus de Brynmoor de p; na soleira da sua manso. O idoso 
contemplava, com os olhos semiabertos, o rosto de Justin, tentando talvez distingui-lo com maior nitidez. O seu cabelo, que tinha ficado completamente branco, flutuava 
 volta da sua cabea em madeixas desordenadas.
No entanto, surpreendentemente, dadas as mudanas operadas nele e em Sarah no mesmo intervalo de tempo, Brynmoor parecia ter envelhecido muito pouco, embora a sua 
cintura, antes
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magra,se tivesse expandido e a elegante perfeio que sempre marcava o seu aspecto tivesse
desaparecido.
As suas roupas eram to finas e luxuosas
como sempre,mas usava-as com um descuido
nada caracterstico do dandi que Justin conhecera. Inclusive,havia uma mancha de comida no

seu leno e o casaco no se moldava na perfeio sobre o seu tronco mais largo.
- Sou Wynfield - limitou-se a dizer Justin,
perguntando-se se o idoso se lembraria dele,enquanto se submetia ao seu escrutnio.
- O senhor no  Wynfield - declarou finalmente o marqus. - Parece-se com ele,mas conheo bem o conde.
Andrew tinha-se afastado do idoso,embora,
de momento,Brynmoor no tivesse includo o
menino no seu comentrio grosseiro. Finalmente,movendo-se lentamente para trs,Andrew aproximou-se do conde. Apertou-se contra
a sua perna,contemplando com cautela o rosto
do seu av.
- Penso que conheceu o meu pai - explicou-lhe Justin,pondo as mos sobre os ombros
de Andrew. Deu-lhe um suave aperto,tentando
dar-lhe coragem.
- Filho dele? - perguntou o marqus. Os seus
olhos gastos,que antigamente tinham sido do
mesmo azul Spenser que os do menino,tinham
observado aquele gesto protector.
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- O filho de lady Sarah - disse o conde.
- Sarah no tem filhos.
Justin no disse nada, mas sentiu como o menino se apertava ainda mais contra ele.
- Lady Sarah est em casa? - perguntou Justin.
As sobrancelhas do marqus, que eram muito mais escuras que o cabelo que emoldurava a sua cabea, ergueram-se. A sua boca assumiu uma careta quase lasciva.
-  um pretendente? - disse, conferindo  palavra uma conotao sexual de que carecia normalmente.
- No, um visitante - corrigiu-o o conde com suavidade. Inconscientemente, a sua voz tornou-se distante embora educada, como teria feito o seu pai ao enfrentar algum 
que despertava a sua desaprovao.
- A minha filha est morta - disse o marqus bruscamente.
De repente, recuou para o vestbulo e fechou a porta na cara do conde. Perplexo pelo seu estranho comportamento e pela sua brusquido, Justin hesitou. Notou como 
Andrew virava a cabea contra a sua coxa e soube que estava a olhar para ele. Sorrindo, desviou os olhos da porta que parecia vibrar ainda pela fora do marqus 
e olhou para o rapaz.
- Vai-se embora daqui a pouco e, depois, 
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poderemos entrar. No deves ter medo - disse Drew. - No te far mal, est apenas confuso.
A observao era sem dvida uma repetio de algo que lhe tinham dito. Justin quase podia ouvir a voz serena de Sarah no seu tom infantil.
- Eu sei - respondeu-lhe. - Conheo-o h muito tempo.
- A filha dele morreu e est desequilibrado - continuou Andrew.
Novamente, as frases maduras que tinha aprendido de cor. Justin perguntou-se se o menino entendia o que lhe tinham dito. O que repetia como um papagaio contradizia 
a sua reaco fsica para com o seu av.

- Entramos? - perguntou Justin.
- Penso que Sarah vai zangar-se comigo - disse Drew em voz baixa.
- De certeza.
- Mas vens comigo? - perguntou Andrew. Uma conversa difcil, pensou o conde, mas inevitvel. Era demasiado tarde para abandonar Andrew. Iriam juntos at ao fim e, 
quando se assegurasse que Sarah compreendia o que estava a acontecer, comearia a soltar os pequenos dedos que j rodeavam o seu corao:
Tinha-se humilhado, nem mais nem menos, reconheceu Sarah pela ensima vez. E mesmo
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assim, no tinha conseguido nada, nem para Andrew ou Justin, nem para si. O conde de Wynfield tinha deixado bem claro que no tinha inteno de aceitar a sua proposta, 
fossem quais fossem os termos do seu enlace.
Enlace. Que imagem mais apropriada, pensou com amargura. Tinha oferecido o seu patrimnio e o seu corpo a Jstin Tolbert e ele tinha recusado tudo. No s os tinha 
recusado, recordou, mas tambm se tinha rido da ideia de que ela pudesse ser a me dos seus filhos.
Tinha feito uma figura ridcula. Mas tinha demorado dois dias a reconhecer que o que na verdade a tinha impulsionado a ver Wynfield ti nham sido as suas prprias 
necessidades, to urgentes e bsicas como respirar. E outros dois dias a admitir que tinha recebido exactamente o que merecia... o desprezo de Justin pela sua manipulao. 
Tinha-a visto alm da sua generosidade", como se ela mesma fosse to transparente como o vidro.
- Parti a cabea - disse Andrew.
Levantou os olhos dos livros de contas que fingia rever, enquanto aquelas interminveis recriminaes voavam pela sua mente. Fosse qual fosse a veracidade da afirmao 
de Drew, pensou ao contemplar com horror o seu rosto, estava, sem dvida, ferido.
- Andrew - sussurrou.
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Levantou-se e rodeou a secretria do seu pai. Tinha quase chegado junto ao rapaz quando se apercebeu de que no estava sozinho. O conde de Wynfield estava em p 
na soleira da porta, atrs dele. As sombras do corredor tinham-no escondido. Embora no houvesse marcas no seu rosto, estava to plido e rgido como o do menino.
- Penso que as suas feridas no so to graves
- tranquilizou-a Justin.
O tom era deliberadamente frvolo, certamente para benefcio de Andrew, mas no gostou da tenso do seu rosto nem do seu olhar. Observou-o durante um momento, mas 
Justin no disse mais nada. Nem lhe ofereceu nenhuma outra explicao.
Finalmente, seguiu o seu primeiro instinto e caiu de joelhos sobre o grosso tapete oriental diante do menino. Tocou no corte do queixo de Andrew e deslizou uns dedos 
trmulos pela ferida que tinha sob o olho.
- O que aconteceu? - perguntou.
- Atingiram-me com uma pedra - disse Drew. Pegou na mo de Sarah e guiou-a ao alto da sua cabea, sobre o galo. -  to grande como um ovo de ganso? - perguntou.

Era bvio que esperava uma confirmao, portanto confirmou-o.
- Talvez - disse-lhe. - E atingiram-te com
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uma pedra? - perguntou com cautela, sabendo que aquilo no explicava as feridas do seu rosto.
- Ao cair - disse o menino. - A senhora amvl disse que tinhas que me pr um... - hesitou, procurando a palavra que faltava e olhou para o conde em busca de ajuda.
- Um cataplasma de vinagre - disse Wynfield, olhando para Sarah.
- Tirar toda a dor - acrescentou Andrew, com segurana. - Temos uma. dessas coisas de vinagre?
- Suponho que sim - disse Sarah, sem afastar os olhos de Justin.
O conde tinha os lbios apertados. Sarah j tinha visto aquela expresso antes e pressagiava ms notcias. Com aquele mesmo semblante lhe tinha anunciado que o tinham 
mandado para Espanha. O ocorrido no era to simples como parecia.
- Mas ainda no me explicaste o que te aconteceu na cara - comentou, olhando para Andrew outra vez. O menino levantou os olhos para o conde e fez-se uma silenciosa 
comunicao masculina entre eles. Drew inspirou fundo, descendo os seus pequenos ombros quase em sinal de rendio.
- Aqueles rapazes - contou-lhe. - Os da povoao.
- Bateram-te? - perguntou Sarah.
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- O mais velho. No gosta de mim.
- Fizeste-lhe alguma coisa, Drew? - perguntou Sarah. O menino abanou a cabea. - Insultaste-o?
De novo, negou-o lentamente.
- Ento, talvez tenha inveja porque tens mais do que ele. Mais vantagens. s vezes, as pessoas que tm pouco sentem-se assim em relao s pessoas mais afortunadas 
- sugeriu. Drew assentiu.
- Achas que a senhora Simkins poder encarregar-se do cataplasma? - perguntou o conde. Surpreendida, Sarah olhou para ele. - Temos que falar - aconselhou-a com brusquido. 
E sem Andrew, compreendeu Sarah.
- Vou lev-lo  cozinha - disse-lhe.
Justin assentiu e o seu rosto continuava a oferecer a mesma expresso lgubre que ao princpio do seu encontro. Sem dvida, tinha acontecido alguma coisa que, no 
seu ver, ela devia saber. Algo que Andrew tinha dito ou feito para provocar o ataque do rapaz? perguntou-se. Sarah levantou-se e guiou Andrew com a mo.
- Ai! - queixou-se o menino, afastando-se dos seus dedos. - Esqueceste-te que tenho a cabea partida? - acusou-a.
- Lamento muito, Drew. Vamos pedir  senhora Simkins que te cure. Queres esperar aqui? 
- perguntou ao conde, conduzindo o menino para o corredor.
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Justin assentiu, mas no se moveu quando passaram ao seu lado, com Andrew a saltar  sua frente, praticamente recuperado depois daquela dra prova. Sarah esperava 
ter metade da fora que o rapaz tinha para conseguir suportar o que a esperava no regresso.

O conde de Wynfield encostou-se no marco da soleira onde estava. Passeou o olhar pelo escritrio onde Sarah tinha estado a trabalhar. Era estranho imagin-la naquele 
ambiente. Sempre tinha associado Sarah a vestidos de musselina e a trajes de baile, no a livros de contas e manchas de tinta nos dedos. Claro que, se realmente 
administrava as propriedades do seu pai, eram uma parte essencial na sua vida naquele momento.
E Longford parecia prosperar sob a sua superviso. Tudo o que tinha visto enquanto levava Andrew a casa parecia prspero e bem cuidado, contrastando com os seus 
prprios bens, reconheceu. A julgar pelo seu encontro com o pobre rynmoor, aquilo era fruto da gesto de Sarah.
- Querias falar comigo?
Sarah tinha parado atrs dele no corredor, talvez  espera que entrasse no escritrio. Surpreendeu-se ao resistir quela ideia. Para comear, no queria mover-se. 
A agonia da sua perna tinha remetido a uma dor afiada e no queria 
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intensific-la. Necessitava de toda a sua astcia para fazer compreender a Sarah o que estava a acontecer, sem a insultar directamente. Tambm no queria sentar-se 
diante da secretria. Aquela proximidade tambm seria dolorosa, embora por outras razes completamente diferentes.
- Sobre Andrew - disse, voltando-se para ela.
- Ser melhor que falemos aqui dentro.
Os seus olhos pareciam muito luminosos na penumbra do corredor.
- Muito bem - concordou Sarah.
Justin desviou-se e ela entrou. No Lhe tocou ao passar ao seu lado, mas, de repente, percebeu um evocador aroma a gua de rosas no ar. Caminhou at  escrivaninha 
e permaneceu de p atrs dela. Justin no se mexeu de onde estava. Sarah esperou um momento, imaginando que entraria no escritrio, mas ao ver que no se movia, 
falou por fim.
- H mais alguma coisa que Andrew no me disse - sugeriu.
- Receio bem que sim.
Sarah sentou-se e olhou para ele nos olhos.
- Ento por que no mo contas? No h dvida de que foi por isso que vieste.
Justin perguntou-se se aquilo era verdade. Meg poderia ter levado Andrew a casa e ele no tinha por que ter agradado o menino, levando-o pessoalmente.
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- Acredito que o teu filho corre perigo - declarou. Sarah no respondeu em seguida, mas ergueu o queixo ligeiramente, como fazia Drew quando se sentia desafiado.
- Pelas crianas da povoao? - perguntou mas voltou a falar antes que pudesse responder  sua pergunta. - So crianas, no entendem.
- Entendem perfeitamente. Penso que esse  o problema - comentou Justin. - Algum se incomodou em explicar-lhes claramente as circuns tncias do nascimento de Drew.
Sarah abriu muito os olhos, mas fechou-os logo de seguida. No entanto, foi apenas por um momento. Quando voltou a abri-los, pareciam serenos e confiantes.
- Achas que o esto a castigar pelas circunstncias do seu nascimento?

- Por que no  da sua classe - disse Justin. Pelo seu tamanho, talvez. A diferena entre a sua roupa e as deles. Mas, acima de tudo, porque ouviram falar sobre 
a sua ascendncia.
Sarah apertou os lbios.
- E o que sugeres que faa? - perguntou-Lhe.
- Que chame o juiz? Que envie Drew para um colgio? Que o faa prisioneiro? Que o aoite se voltar a abandonar a casa?
Havia um rasto de amargura nas suas perguntas. E Justin no tinha as respostas,  claro, portanto, permaneceu em silncio.
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- Andrew  uma vtima - disse Sarah, deliberadamente. - Nunca ser nada mais que uma vtima a no ser que algum... algum, que no seja eu ou o meu pai, intervenha 
neste assunto. Posso proteg-lo fisicamente, talvez, mas no est em meu poder mudar a sua situao.
Mas estava em seu poder. Justin compreendeu plenamente o que estava a tentar dizer-lhe. Sarah pensava que ele tinha poder para mudar a vida de Drew. Para proteg-lo, 
no s daquelas crianas, mas do resto do mundo. Inclusive para fortalec-lo contra o desprezo de Brynmoor. Para moldar o menino, que tanto ansiava ser moldado, 
e fazer dele um homem.
E, ao mesmo tempo, tinha o poder para pr fim  sua dolorosa situao pessoal. A nica coisa que tinha que dizer era que viveria ali, em Longford, e que partilharia 
o mesmo tecto com a mulher que tinha amado no passado. E com o seu filho bastardo. Um filho nascido de outro homem. Um homem por quem se tinha apaixonado to rapidamente 
que os sentimentos de Justin para com ela tinhm deixado de ser importantes.
Uma escolha simples. Salvar Drew, salvar o seu patrimnio, restaurar o sobrenome da sua famlia. E a nica coisa a que tinha que renunciar era ao seu orgulho... 
e a um velho sonho de Vero sobre como seria a sua vida com aquela mulher.
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Mas claro, a sua vida j tinha mudado tanto que era irreconhecvel. J no era, nem voltaria a ser, o homem que tinha embarcado para a Pennsula h cinco anos. Diariamente 
a sua condio, a dor e a impossibilidade de forar o seu corpo alm de certos limites recordavam- lhe como era diferente daquele homem.
Os velhos sonhos tinham ficado reduzidos a cinzas. No entanto, ainda podia salvar alguma coisa das chamas da guerra. A sua terra e a sua gente que, como Meg Randolph, 
dependiam dele para que tudo corresse bem. E a vida de uma criana inocente que, confiante, lhe tinha dado a sua pequena mo.
Nunca teria Sarah. Nada na sua atitude indicava que ainda sentisse algo por ele... se  que alguma vez o tinha sentido. De certeza que tinha dito que dormiria com 
ele se ele lhe pedisse. Por sacrifcio ou por dever. ou pelo bem de Andrew, mais do que pelo seu. Claro que, sabendo isso, era uma exigncia que nunca faria.
- Redijam os documentos necessriosdisse-lhe com aspereza. - Ser melhor que apresses as coisas, antes que encerrem o teu noivo na priso. E no percas Drew de vista 
- ordenou, em tom mais apropriado para o campo de batalha que para um acordo matrimonial.
- Ento... - a voz de Sarah falhou, e olhou para ele estupefacta.
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- Fizeste um mau acordo, Sarah, mas se precisas de o ouvir, ento, sim. Encarrega-te de o dizer a Drew.

E sem acrescentar palavra, o conde de Wynfield separou-se da soleira e desapareceu nas sombras do corredor, deixando lady Sarah Spenser boquiaberta de perplexidade.
Tem cuidado com o que pedes, costumavam dizer, porque pode tornar-se realidade. E, pensou Sarah, apesar de tudo, das palavras speras com as quais tinham respondido 
s suas oraes, o seu sonho acabava de se tornar realidade.
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Seis
- Mantm a esquerda em cima - indicou-lhe o conde de Wynfield, e o ar frio dos ltimos dias de Novembro propagou a sua voz. - E mantm o queixo baixo.
Obedientemente, Andrew baixou o queixo e ergueu a esquerda. Os seus ps danavam e os seus punhos minsculos batiam no ar enquanto se virava para o conde, que se 
movia mais lentamente.
- Assim - declarou Justin.
Ps a sua mo no ombro de Drew, apoiando nele parte do seu peso. Satisfeito, o menino reduziu o passo, para acompanhar o homem que adorava.
Regressavam dos estbulos. Sarah tinha ouvido as suas vozes pela janela do seu escritrio que, apesar do frio, tinha aberto  espera da sua chegada. E, ao escut-los, 
Sarah tinha-se levantado da secretria para olhar para eles.
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Justin tinha proibido Andrew de abandonar Longford sem a sua permisso, uma restrio que, Sarah sabia, o menino tinha obedecido. Claro que j no havia motivos 
para atravessar os bosques nos quais tinha sido atacado, pois o objecto da sua procura j no estava l, mas em Longford.
Sarah contemplou a aliana na sua mo esquerda. Perguntou-se quantas pessoas saberiam que o seu casamento era uma farsa. A sua criada, sem dvida. E Peters, o criado 
do conde. Se eles sabiam, todos os outros criados tambm conheceriam o seu segredo. E no podia fazer nada quanto quela intriga da criadagem, por mais humilhante 
que fosse.
Quando voltou a olhar pela janela, os dois tinham desaparecido. Andrew passaria certamente pelo escritrio para visit-la, mas a imagem que tinha visto do seu marido 
seria possivelmente a nica daquele dia, se mantivessem o padro normal da sua relao.
Assim que tinham feito os votos de matrimnio, Sarah tinha autorizado o senhor Samuels a dar ao conde qualquer soma que ele lhe pedisse. No queria que Justin tivesse 
que lhe pedir dinheiro directamente. Nem pelo que necessitava para saldar as suas dvidas, nem pelo que tinha comeado a investir na sua propriedade, h tanto tempo 
descuidada.
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Embora dormisse em Longford, segundo os termos do seu acordo, passava quase todos os dias em Wynfield Park, onde trabalhava de sol a sol. As melhorias que tinha 
feito eram notveis, e s porque dedicava tantas horas e energia  tarefa  que tinha obtido uma mudana to sur preendente em to pouco tempo. E uma vez mais, o 
seu nome estava em todas as bocas do distrito.

No partilhavam as refeies, nem as conversas, nem nada. S o seu amor mtuo por Andrew. Sarah pensava que devia sentir-se agradecida por terem isso em comum. Esse 
tinha sido o propsito daquele acordo.  margem do que Justin pudesse sentir por ela, a sua atitude no tinha mudado para com o pequeno, que considerava, sem a menor 
dvida, seu filho.
Quando Sarah tinha jurado a Amelia que manteria em segredo os detalhes do nascimento de Andrew, tinha-lhe parecido uma promessa simples. No tinha pensado duas vezes. 
Mas, naquele momento, por muito que o lamentasse, estava presa quela promessa.
Uma priso to absurda, mas priso de todas as formas, pensou, inspirando profundamente. Tinha lutado com a sua conscincia, desejando desesperadamente poder dizer 
a Justin a verdade. Tinha pensado que Mellie no lhe pediria que guardasse o segredo do seu prprio marido.
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Aquilo ia contra todos os preceitos morais que lhe tinham ensinado.
Como quebrar um juramento, reconheceu. Sobretudo  sua irm moribunda e sobre a sepultura da sua me. Alm disso, por que ia Justin acreditar nela, embora lhe dissesse 
a verdade? Segundo todos pensavam, Amelia tinha morrido meses antes do nascimento de Andrew. No a desprezaria ainda mais por tentar, aparentemente, descarregar 
os seus pecados na sua falecida irm?
Moveu levemente a cabea. Voltava a sentir-se afligida pelo dilema moral das suas circunstncias. Era a esposa de Justin, algo que tinha desejado ser desde que se 
via como gente. Desde que tinha tido conscincia do que implicava ser uma esposa. E no entanto, no o era, pelo menos, no que importava realmente. E, a no ser que 
Justin descobrisse a verdade sobre Andrew, sabia que nunca o seria.
- Estive a aprender a amass-los - anunciou Andrew enquanto entrava a correr na diviso, in troduzindo a frescura do ar exterior. - Wynfield est a ensinar-me.
Utilizar o ttulo de Justin para referir-se a ele era um acordo ao qual tinham chegado juntos, pensou Sarah. No entanto, no a tinham consultado sobre como devia 
Drew chamar o conde.
- Estava a ver-te da janela - confessou.
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- Viste a minha esquerda? - perguntou Andrew.
Parou junto  mesa e tinha pegado na lupa que Sarah utilizava para decifrar a letra, quase ininteligvel, do anterior secretrio. Estava acostumada a comparar o 
progresso das suas terras com os registos passados e tinha tido motivos para se alegrar. Pelo menos, at  repentina e severa perda de recursos causada pelo seu 
casamento.
-  boa - elogiou-o Sarah, sorrindo. - Com quem pensas us-la?
- Usei-a com o criado dos estbulos - contou Andrew. - Quando treinvamos.
- Quando treinavam?
- Fingamos lutar - explicou-lhe Andrew. -  o que Wynfield fazia com o cavalheiro Jackson em Londres.
Afinal de contas, pensou Sarah, interpretando o seu tom de voz, ela era apenas uma rapariga e no era de esperar que soubesse daqueles assuntos to importantes. 
Ocultou o seu sorriso, observando como contemplava diferentes objectos da secretria atravs da lupa.
- Wynfield amassava-os a todos - disse Andrew, apaixonado pelo termo que, sem dvida alguma, acabava de aprender.

- E costumavam amass-lo mais vezes a ele. Ao ouvir aquela voz grave, Sarah levantou os
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olhos com surpresa. E, como da primeira vez que o tinha visto, em casa de Meg, o seu corao reagiu de uma forma altamente inapropriada.
Afinal de contas, aquele era o seu marido. H quase dois meses. Que tinha visto talvez uma dzia de vezes em todo aquele tempo e de quem no poderia desviar o olhar; 
mesmo que a sua vida dependesse disso.
- Isso  mentira - acusou- o Andrew, com os olhos brilhantes, como sempre que falava do seu heri.
- Andrew - resmungou Sarah.
- Mas no  verdade, Sarah. Foste um bom pugilista, no foste? - inquiriu Andrew. - Quero dizer, antes de te cortarem a perna.
Naquela ocasio, Sarah no se atreveu a abrir a boca.
- No to bom como Jackson - disse o conde com fluidez. - Nem como alguns dos que treinavam com ele.
Olhou para Sarah e ela perguntou-se o que leria no seu rosto. Comoo pela franqueza de Andrew sobre a perda da sua perna? Preocupao pela sua sade de uma esposa 
que no tinha direito a expressar aquela preocupao. Tinham um acordo, nada mais. S tinha que olhar e escutar o deleitdo Drew para saber que Justin estava a cumprir 
a sua parte.
O menino acompanhava o conde para quase
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todo o lado, at nos longos dias que passava em Wynfield. E Justin tinha o cuidado de levar Drew quando visitava os seus arrendatrios e os de Sarah. Os dois sabiam 
que aquilo, com o tempo, daria o fruto que os dois desejavam: a aceitao do distrito, por pior que fosse, porque o se amado conde aceitava o menino.
- Amanh parto para Londres - disse Justin. Tenho assuntos a tratar com os meus banqueiros que no posso continuar a adiar.
Sarah assentiu, compreendendo que no procurava a sua permisso, estava apenas a inform-la.
- Podia ir contigo e fazer-te companhia - sugeriu Andrew. - Assim no estars sozinho. Nunca estive em Londres.
O conde sorriu-lhe.
- J falmos sobre isso, Drew. Noutra ocasio. Noutra viagem.
- Estiveste alguma vez em Londres, Sarah? perguntou o menino.
- Sim - respondeu em voz baixa.
De repente, a sua cabea encheu-se com as imagens da ltima vez que tinha estado em Londres. Justin, incrivelmente elegante com o seu uniforme. Um salo de baile 
lotado de gente. Uma proposta de casamento. Que diferentes eram aquelas lembranas da dolorosa situao em que se encontravam.
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- Foi h muito tempo - disse-lhe.
Levantou os olhos para o seu marido, mas assim que o fez, contemplando o seu rosto durante apenas um segundo, Justin virou-se e saiu para o corredor. Sarah pensou 
ouvir uma breve exclamao quando se foi embora, mas o som foi to fugaz que no tinha a certeza, nem sequer quando mais tarde reviveu a cena vezes sem conta. Depois 
ouviu como se afastavam os seus passos irregulares.

Olhou para Andrew, que estava a colocar a sua lupa sobre os papis da mesa. Pelo menos, a ausncia de Justin permitir-lhe-ia passar mais tempo com Drw. No a incomodava 
que gostasse tanto dos seus momentos com o conde,  claro, mas tinha sentido a sua falta. Talvez sentisse falta de ser tambm o centro do seu mundo. O seu pequeno 
mundo, naquele momento, partilhado com um homem que parecia um enigma. E muito mais distante do que antes, mesmo vivendo sob o mesmo tecto.
Os dias da ausncia do conde passram-se lentamente. Na primeira semana, Sarah e Andrew restabeleceram a sua velha camaradagem. No entanto; no havia dvida de que 
o menino sentia a falta de Justin.
Drew conversava constantemente sobre
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Wynfield, relatando cada momento que tinham passado juntos e ideando coisas que pensava sugerir-lhe quando o seu heri regressasse. Como no lhes tinha dado nenhuma 
estimativa de quando seria, os dias passavam, longos e vazios para os dois. Sarah no se tinha apercebido de como eram importantes as imagens fugazes e ocasionais 
que captava do seu marido.
- Quando voltar? - perguntou Andrew, num tom aborrecido, quando j tinham passado dez dias sem ter notcias do conde.
- Quando tratar dos seus assuntos, suponho - respondeu-lhe Sarah, contemplando a paisagem banhada pela chuva daquele dia frio de Dezembro. Perguntou-se se Justin 
se arriscaria a viajar naquelas condies. E se o fizesse, se no passaria muito frio. Estaria a trabalhar to arduamente na capital como ali?
Sabia que tinha comeado numerosos projectos em Wynfield, antes da sua partida, apesar das inclemncias do tempo. Claro que, se estivessem dispostos a gastar bastante 
dinheiro, havia trabalhadores no distrito capazes de enfrentar o Inverno mais rigoroso se fossem bem pagos. As melhorias que estava a fazer na sua propriedade estavam 
a causar um ressurgimento da economia local. Certamente era mais um motivo para a sua popularidade, pensou Sarah. Os seus lbios esboaram um sorriso pela ironia. 
Embora
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Wynfield estivesse a usar o seu dinheiro, isso no tinha contribudo em nada para melhorar a sua aceitao no distrito. E, sinceramente, no se importava.
- Poderamos escrever- lhe - sugeriu Andrew.
- Penso que no lhe disse o que queria para o Natal.
- Espero bem que no o faas - disse Sarah. Os meninos que no fazem mais do que pedir presentes de Natal no os recebem.
- Mas como saber o que quero se no lhe disser? - perguntou Andrew.
- Seja o que for que receberes do conde, deves estar agradecido - disse Sarah.
- Claro que estarei - respondeu Andrew. Mas no penso que haja algo de errado em dar-lhe uma pista do que quero.
- Podes dar-ma a mim - sugeriu, sorrindo perante a sua irrefutvel lgica.
- E contar-Lhe-s? Escrevers para Londres?
- Talvez.
- S queres saber para seres tu a dar-me o presente.
Sarah riu-se.
- E qual  o problema?
- Mas isto  algo especial e s Wynfield pode dar-mo - insistiu Andrew.

- Entendo.
- Espero que no esteJas: - Andrew fez uma pausa, procurando a palavra correcta.
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- Decepcionada? - sugeriu Sarah.
- Ciumenta - respondeu Andrew.
- Ciumenta? - repetiu com perplexidade. E ento compreendeu que, em parte, sentia inveja da relao to prxima de Andrew com o conde. Mas no pelo que Andrew receava.
- Por gostar tanto de estar com ele - explicou-lhe Andrew. - Gosto de ti da mesma forma, Sarah. No tens que ter medo por isso.
- No, querido - disse Sarah, contemplando os seus olhos azuis ansiosos. - No tenho medo.
-  que estou a crescer, sabes - Sarah assentiu, sentindo-se incapaz de falar. - E. e nunca tinha tido um pai.
- Wynfield no  teu pai, Drew - disse em voz baixa e o seu corao contraiu-se de amor por ele.
- Eu sei. J falmos disso.
Sarah perguntou-se como teria sido aquela conversa, tendo em conta a tendncia de Andrew de dizer o que pensava sem rodeios.
- Mas... - hesitou novamente, e o seu pequeno rosto continuava srio. - Ele  o mais prximo que estarei de um pai, suponho - concluiu com tristeza.
Sarah no podia alegar nada a esse respeito. Afinal de contas, aquilo era, em parte, o que tinha pensado obter com a sua oferta. Ps a sua mo na cabea de Drew 
e aproximou-o para lhe
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dar um beijo nos caracis. O menino permitiu-lhe a carcia e depois, endireitando-se, separou-se dela.
- J no sou uma criana, Sarah - disse- lhe.
- Eu sei - corroborou.
De novo, contemplou a paisagem fria e desolada e perguntou-se, com o mesmo desejo de Andrew, quando regressaria o conde.
- Caramba, Sarah! - falou- lhe uma voz agradvel. - Ests a trabalhar muito cedo. E com que vontade!
Era uma voz e um sotaque que Sarah teria reconhecido em qualquer parte. Levantou os olhos, abertos de incredulidade. David Osborne, sorridente, estava de p na porta 
aberta do seu escritrio.
Tinha uma capa que deixava ver um casaco de cor verde-garrafa e um colete que cobria com elegncia uma cintura ainda esbelta. O seu leno estava engomado e to alto, 
que quase Lhe roava o queixo perfeitamente barbeado. At os seus olhos lhe sorriam, como se realmente se alegrasse por v-la outra vez.
- O que ests a fazer aqui? - perguntou, sentindo um estremecimento de terror por todo o seu corpo: Todas as lembranas daqueles dias terriveis na Irlanda surgiram 
de repente na sua cabea.
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-  essa a forma que tens de saudar o teu querido irmo? - brincou, com genuno regozijo no olhar.
- No s meu irmo, nem sequer querido - contrariou Sarah.
- Mas sou o pai do teu... filho adoptivo, no  assim?

Sarah sabia que a incerteza da sua voz era to falsa como o seu sorriso. To falsa como tudo nele. Inconscientemente, comparou-o com outro sorriso masculino e, como 
lhe tinha ocorrido, da primeira vez que a apresentaram a Osborne, no lhe agradou.
- Um filho adoptivo um pouco incomodado. Sobretudo agora - acrescentou em voz baixa. Apesar da sua suavidade, havia um toque de ma lcia no seu tom.
- No sei a que te referes - disse Sarah. Perguntou-se se teria tido notcias do seu casamento e se tramava alguma maldade, - O que ests a fazer aqui? - perguntou-lhe 
outra vez.
- Estamos em tempos difceis, Sarah. Se as pessoas no podem contar com a familia quando esto em apuros, ento, em quem podem confiar?
- Tu no tens famlia aqui - disse-lhe friamente.
- Tenho um filho - replicou. - Ou esqueceste-te oportunamente daquela. verdade entre todas as tuas mentiras?
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- Muito pelo contrrio, diria eu - respondeu Sarah, mas j sabia do que se tratava. O que sempre ti nha acontecido com Osborne. Era tenaz na busca dos seus objectivos, 
e um deles sempre tinha sido o dinheiro dos Spenser. Por isso tinha-a cortejado primeiro a ela e, em seguida, Amelia.
Mas David tinha aprendido a recear a ira de Brynmoor e por isso no tinha reclamado nada ao marqus, mesmo depois de lhe roubar a sua filha. O seu plano original 
tinha ficado reduzido a cinzas quando o marqus anunciou a morte de Mellie. Talvez houvesse algum sentido na sua loucura, afinal de contas.
- Tu tens tanto, Sarah, e eu to pouco. S as doces lembranas do amor da tua irm. E um filho que nunca vejo. Um menino que nem sequer me conhece. Muito poucos 
lucros... e de pouco valor prtico - acrescentou, sorrindo. - Por isso devo ajoelhar-me aos teus ps e suplicar a tua merc.
- No - disse Sarah.
- No ters gasto tudo, pois no, irm? - perguntou Osborne, sorrindo outra vez, nada desolado pela sua negativa. - Claro que tens um novo marido. E muito caro, 
ouvi dizer. Por isso  que hesitas?
- O meu marido - disse Sarah, sentindo como comeava a ficar irritada, - no te diz respeito.
- Sempre que a fortuna do marqus o possa sustentar.
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Sarah apertou os lbios para travar a explicao que ansiava dar- lhe. No tinha nada a ver com ele o facto do seu marido necessitar da sua herana. Ou se ela a 
estava a gastar de maneira prematura.
- O teu pai sabe o que ests a fazer com o seu dinheiro? - perguntou Osborne. - Comprar um marido, quero dizer. Juro-te, querida, eu teria sido muito mais barato.
- No tenho dvidas - comentou, e depois compreendeu que acabava de reconhecer que ele tinha razo: que o seu casamento tinha sido caro. S que no estava interessada 
naquele acordo,  claro.
- Desde que o teu marido no leve o que corresponde ao meu filho - disse o irlands, ainda sorridente. - Suponho que no posso queixar-me da tua. fraqueza.
Havia tantas coisas implcitas naquela concluso que Sarah ficou momentaneamente sem fala.

- A minha fraqueza? - repetiu, incrdula. Aquela era a acusao que mais lhe doa. Mas a sugesto de Osborne, de que estava a comprar um marido s custas de Drew, 
era igualmente ridcula. Como a implicao de David estar preocupado com o seu filho.
- Perdoa-me se estou enganado, mas trata-se do mesmo homem por quem estavas to loucamente apaixonada quando nos conhecemos, no
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 assim? Claro que agora tem um ttulo.  muito melhor do que um soldado humilde. Parabns, Sarah! Conseguiste o que querias.
Naquela ocasio, Sarah mordeu a lngua. Quanto antes terminasse aquela conversa, melhor. Embora agradecesse o facto de David ter escolhido aquele momento, em que 
Justin estava ausente, para fazer a sua apario.
Ento, pensando como isso seria conveniente para ele, perguntou-se se no saberia que o conde estava em Londres. Afinal de contas, os David Osborne do mundo gostavam 
poucas vezes de tratar com algum como Wynfield, que seria difcil de enrolar ou intimidar.
- O rapaz... no se interpe entre vs? - perguntou David.
- Entre ns?
- Como acabaste de contrair matrimnio... Pensei que talvez quisesses que o levasse comigo.
As palavras soavam casuais, quase espontneas. E ao ouvi-las, Sarah sentiu que o seu sangue gelava nas veias e todo o seu corpo se imo bilizava com aquela ameaa.
- O que queres dizer com isso? - sussurrou.
- Bem, simplesmente, que carregaste com o peso de criar o meu filho durante mais de quatro anos. E agora, tendo em conta como as tuas circunstncias mudaram.
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Deixou que as palavras ficassem suspensas no ar. Sarah tentou adivinhar a que propsito vinha aquela sugesto. David nunca tinha professado o menor interesse pelo 
bem-estar de Andrew, e muito menos o desejo de assumir a responsabilidade de criar o seu filho.
- No - disse em voz baixa.
- E se insistir? - perguntou-lhe numa voz igualmente suave, mantendo o sorriso nos seus lbios enquanto olhava para ela.
- No tens direito a insistir. Tu no te preocupas com Andrew - acusou-o. - Nunca te preocupaste.
- Todos os pais se preocupam com os seus filhos. Pelo menos, ser difcil para ti convencer os outros do contrrio. E Andrew , que eu saiba
- disse quase com regozijo na voz, - o meu nico filho.
- No podes prov-lo.
- Ah, Sarah, s to ardilosa. Seria difcil demonstrar quem so os seus pais depois de tanto tempo. Subretudo, tendo em conta o que sugeriste ao longo dos anos para 
explicar o seu nascimento. Ou, melhor dizendo, para explicar por que algum como tu voltaria para casa, depois de uma ausncia prolongada, com um beb. Correram 
muitos rumores, imagino.
- Em nenhum deles mencionavam o teu nome
- afirrmou. - Nem o de Amelia.
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Aquele era o nico pensamento que a tinha consolado durante o remoinho de intrigas que a tinham envolvido. Os rumores tinham-na acusado a ela como pecadora e no 
 sua irm que, 

claro, toda a gente acreditava morta e enterrada, meses antes do nascimento do beb.
- Mas tu e eu sabemos a verdade - insistiu Osborne.
- Uma verdade que jamais poders provar.
- Referes-te a prov-lo, por exemplo, perante um tribunal? - perguntou com inocncia. - Suponho que para isso necessitaria de algum tipo de documento - sugeriu.
Tinha razo, compreendeu Sarah com alvio. Para reclamar Drew legalmente, David necessitaria de algum documento que o relacionasse com o menino. De contrrio, lutaria 
com ele at  morte, utilizando as velhas intrigas em seu prprio benefcio. O seu corao, que se tinha paralisado ao ouvir a meno dos tribunais, voltou a bater 
com fora.
- Mas eu tenho um documento,  claro acrescentou David. Levou a mo ao bolso da sua capa e tirou um papel. - O sacerdote que baptizou o beb e assistu Amelia no 
seu leito de morte teve a amabilidade de o procurar. No te lembras? Como seu parente mais prximo e como testemunha de ambos os acontecimentos, tu tambm o assinaste.
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Sarah sentiu-se dominada pelo medo. Efectivamente, tinha assinado um documento. David tinha-lhe dito que era necessrio para enterrar Amelia. Sarah, destroada pela 
morte da sua irm e muito mais preocupada em manter a criana viva, no se tinha preocupado com qual quer requisito legal ou religioso. Tinha assinado o que David 
lhe tinha posto sobre a mesa, agradecendo o facto de, por fim, se ter ocupado de alguma coisa.
- Est tudo aqui - mostrou-Lhe. - L-o se quiseres. Ou  o teu marido que se ocupa agora dos teus assuntos?
Sarah levantou-se, com os joelhos trmulos, e estendeu a mo para que lhe entregasse o papel. Osborne riu-se.
- Disse para o leres, querida, no para ficares com ele. Receio que no o trates com o cuidado que ele merece.
Hesitou, no querendo aproximar-se mais dele, mas seria uma estpida se acreditasse na sua palavra do que estava escrito naquele papel. Talvez tivesse deixado que 
David a enganasse ao assin-lo, h quatro anos, mas j no era a mesma pessoa de ento. Tinha mais experincia em questes de negcios, para comear. E havia alguns 
homens dignos da sua palavra. Mas outros...
David Osborne fazia parte, definitivamente,
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da segunda categoria. Tremendo de fria, rodeou a secretria e aproximou-se da soleira da porta, onde o homem estava. No mesmo lugar onde Justin lhe tinha dito que 
ia partir para Londres.
- Est bem - aceitou. Osborne desdobrou a folha que tinha tirado do seu bolso e segurou-a para a sua inspeco. Era exactamente o que tinha dito, um documento que 
registava o baptismo de um menino. Andrew David Osborne. Filho de.
Inspirou. Os nomes escritos no papel eram bastante claros. Filho de Amelia Spenser e David Osborne. E ao p, com a mesma clareza, estava a sua prpria assinatura, 
to cuidadosamente caligrafada como num exerccio de escola.
- Tu no queres Andrew - disse Sarah.
- Essa no  a questo, querida. A questo  que tu queres.  assim que se fazem os acordos, Sarah. Quando uma parte deseja muito alguma coisa, o suficiente para 
pagar um preo por ela.

- E qual  o preo?
Fosse qual fosse, sabia que teria que pag-lo. E, em seguida, ao recordar o dinheiro que tinha autorizado a sair das suas contas, nas ltimas semanas, perguntou-se 
se poderia pag-lo.
- Ainda no me decidi - avisou-a com um tom quase jocoso. - Mas f-lo-ei muito em breve, prometo-te. Estaremos em contacto um com o outro. No duvides, Sarah.
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E sem dizer mais uma palavra, virou-se e desapareceu no corredor, nas sombras onde tinha visto o seu marido pela ltima vez. Sarah no podia deixar de pensar nas 
palavras de David: Estaremos em contacto um com o outro".
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Sete
- Falta muito? - perguntou Andrew. Desde que tinham sado de Longford, fazia a mesma pergunta em intervalos de quinze minutos.
No podia estar mais ansioso que ela por chegar a Londres, pensou Sarah. Depois da confrontao com Osborne, tinha decidido levar Andrew para o mais longe possvel 
de Longford. Para um
lugar onde o seu pai no o pudesse encontrar.
Aquele tinha sido o seu primeiro instinto. O segundo, procurar a proteco de Wynfield. Aquela viagem satisfazia os dois. No se tinha questionado por que motivo 
tinha tanta certeza que Justin poderia manter Drew a salvo. Simplesmente porque era Justin, pensou: E porque o amante da sua irm no era um rival para ele.
Sarah tinha compreendido a ironia. Se Osborne levasse adiante a sua ameaa de ir para os tribunais, Justin saberia finalmente que ela no o
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tinha trado. Talvez ento, a fria indiferena que se reflectia nos seus olhos quando olhava para ela, desaparecesse. E Sarah desejava que isso acontecesse mais 
do que nada no mundo. Alm de Drew.
Inspirou profundamente e sorriu para o pequeno, apesar da sua angstia. No devia perceb-la. Apertou-o contra si e cobriu-o com a manta que tinha no colo.
- Chegaremos daqui a pouco - respondeu-lhe.
- Ests cansado?
- S quero v-lo - disse Drew.
- Eu sei - sussurrou Sarah, beijando a pequena cabea que se apoiava no seu ombro. - Eu sei.
E ela tambm. Queria contar a Justin toda a histria srdida. Confessar as mentiras que continha a carta que lhe tinha escrito h quatro anos. Revelar-lhe a promessa 
que tinha feito  sua irm e que a tinha impulsionado a escrev-la.
No o digas a ningum, nem sequer ao pap. No poderia suportar que soubessem o que fiz". Pobre Amelia. Se David levasse a cabo a sua ameaa, tudo seria revelado, 
e da pior maneira possvel. Mancharia para sempre o nome de Amelia e o escndalo pblico de um julgamento perseguiria Drew para o resto da sua vida.
E Sarah no sabia como responderiam os jzes s reivindicaes de um neto ilegtimo. Os
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direitos dos descendentes masculinos sempre se consideravam de maior peso que os das mulheres. A nica razo pela qual Amelia e ela iam herdar as propriedades do 
seu pai era porque no tinham nenhum parente varo que pudesse reclam-la. Talvez, aos olhos da lei, Andrew tivesse o mesmo direito que elas  sua herana.
Sarah jamais negaria a Drew o seu legado,  claro, mas se o seu pai morresse antes de Andrew alcanar a maioridade, o que parecia muito provvel, ento David Osborne 
deteria todo o controlo sobre o dinheiro do seu filho. E pior ainda, para consegui-lo, tambm tentaria controlar o menino.
Sarah no se importava com o dinheiro, embora soubesse o que aconteceria se casse nas mos de Osborne. Mas preocupava-se em no perder o pequeno que tinha sido 
dela desde as primeiras horas de vida.
Todas as consequncias possveis da ameaa de David deram voltas vertiginosamente na sua cabea. Se Osborne contasse a verdade sobre o Drew nos tribunais, talvez 
Sarah conseguisse recuperar o amor que Justin tinha sentido por ela. Mas poderia perder Drew, pensou com desespero.
- Falta muito? - perguntou Drew.
- Pelo menos, uma hora, penso eu. Queres que te conte uma histria?
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- De militares - pediu-Lhe.
- No conheo histrias de soldados - respondeu Sarah com sinceridade.
- Ele sim.
S havia um ele" no pequeno mundo de Andrew. O homem que ocupava o centro do seu universo. Tinha sido Sarah, em pessoa, a encarregar-se de o colocar ali. Como ia 
permitir que o arrancassem de si? Mas se a verdade fosse revelada.
Deliberadamente, resolveu no voltar a pensar nisso. Em troca, apertou o pequeno corpo contra si, apoiou o queixo na sua cabea e con templou a paisagem desolada 
atravs dos vidros da carruagem.
Tinham tido sorte de que as estradas estivessem geladas mas sem neve. E, perante a possibilidade de um nevo, o seu motorista tinha-lhe sabiamente desaconselhado 
a fazer aquela viagem. Mas Sarah quereria estar com Justin se aquela tempestade desabasse sobre as suas cabeas. No falava da tempestade de neve,  claro, que nem 
sequer tinha influenciado a sua deciso. Estava muito mais preocupada com a tempestade que Osborne ameaava fazer desabar sobre todos eles.
- Ento, podes contar-me uma histria de outro tipo - concedeu Andrew. - Mas que=seja emocionante, Sarah. J no sou um beb.
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Quando era um beb, pensou, tinha sido seu, posto ao seu cuidado pela sua irm moribunda.
- Est bem - acedeu, tentando pensar num conto bastante sangrento para cativar a sua ateno at chegarem  casa londrina do seu pai. Era uma vez - comeou a dizer, 
e no deixou de falar at que Andrew baixou a cabea, sumido no sonho, contra o seu peito. Depois, uma vez mais, todas as possibilidades do que aconteceria se Osborne 
levasse a cabo a sua ameaa correram livremente pela sua cabea.

A sua inteno era ir para a casa do seu pai e,  claro, no esperava que Justin estivesse l. Ter- se-ia acomodado na sua prpria residncia da cidade. No entanto, 
quando chegaram a Londres, percebeu que nem ela nem Drew se sentiriam satisfeitos at o verem. Por isso, tinha feito aquela viagem to precipitada e, talvez, to 
tola.
No tinha avisado Justin da sua chegada e no tinha a certeza de como a receberia. Mas, afinal de contas, disse para si, era a esposa do conde de Wynfield. Tinha 
todo o direito a bater  sua porta e procurar proteco para a noite. No se tinha incomodado em enviar algum  frente para que avisasse os empregados da residncia 
londrina do seu pai da sua chegada, portanto, l tambm no a esperavam. Simplesmente, fazia mais 144
sentido ir para casa de Justin, onde a casa j estava preparada.
No entanto, quando o carro parou diante da entrada principal, Sarah teve a impresso de que a manso estava vazia. Passou algum tempo at abrirem a porta, apesar 
do seu motorista bater incessantemente. Fosse qual fosse o dilogo entre o seu criado e o lacaio que respondeu, o motorista finalmente regressou para ajud-la a 
sair.
Quando entrou na casa, Sarah compreendeu que, embora o conde estivesse em Londres h quase duas semanas, no tinha recebido ningum, apesar de a temporada estar 
aberta. Os mveis das salas formais estavam cobertos com as suas capas de Inverno e estava tanto frio na casa que podia ver a sua respirao.
Drew procurou calor entre as suas saias enquanto permaneciam de p no amplo vestbulo, esperando que o mordomo de Wynfield aparecesse. O motorista assegurou-lhe 
que o tinham ido chamar, mas  medida que passavam os minutos, Sarah perguntou-se se teria cometido um terrivel erro ao aparecer ali.
Ouviu uns passos longnquos e rpidos e finalmente o mordomo do conde apareceu no outro extremo do vestbulo, onde Sarah e Andrew o esperavam. Era bvio que se tinha 
vestido precipitadamente, j que ainda estava a ajustar as roupas. Que estavam muito necessitadas de arranjo,
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pensou Sarah quando conseguiu ver,  luz do candeeiro, em que estado estava o seu velho casaco preto.
Claro que, dada a m fortuna da famlia Wynfield nos ltimos anos, no a surpreendia. Os projectos mais recentes do seu marido tinham-se centrado na sua casa de 
campo e nos seus agricultores.
- Sou a condessa de Wynfield - anunciou, e compreendeu que era a primeira vez que tinha tido oportunidade de usar o seu ttulo.
- Milady - o mordomo quase gaguejou a sua resposta.
- O conde encontra-se aqui, imagino. O homem pareceu no saber como responder, e durante vrios segundos no o fez.
- Saiu para jantar? - inquiriu Sarah finalmente.
- O conde espera-a, milady?
Sarah sabia que o pai e o irmo de Justin tinham deixado que as suas propriedades cassem na runa, mas aparentemente, tambm no sabiam como ensinar os seus criados.
- Tenho a certeza de que isso no lhe diz respeito - declarou em voz baixa, conferindo  sua voz a medida justa de censura.
Notou como Drew tremia. E afinal de contas, era, como tinha afirmado, a condessa de Wynfield. Por pior que estivesse aquela manso,
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ela e os seus habitantes eram da sua responsabilidade.
- Se o conde estiver aqui - continuou, - desejo que me leve em seguida junto dele. Depois encarregue-se de preparar uns quartos contguos para o meu filho adoptivo 
e para mim. Assegure-se de acender a lareira e de que os lenis das camas estejam limpos e quentes - acrescentou, observando como o mordomo abria os olhos, espantado. 
- Poder encarregar-se de levar a nossa bagagem para os quartos quando estiverem preparados. E que algum se ocupe dos cavalos, por favor. Fizemos uma viagem muito 
longa.
Aparentemente, aquele era um tom ao qual o mordomo estava acostumado. Pareceu querer dizer algo, dar alguma desculpa pelo seu comportamento, talvez, mas decidiu 
sabiamente que talvez o melhor fosse fazer o que lhe tinham dito.
- Se tiver a amabilidade de me seguir, milady. Sarah ps a mo sobre o ombro de Andrew, dirigindo o menino exausto: O candeeiro que o mordomo levava oscilou diante 
deles, praticamente a nica luz da casa. A escada central, lindssima, mal se distinguia enquanto o seguiam, embora houvesse claridade suficiente para ver as manchas 
e sinais de desgaste do seu tapete pudo.
Subiram um lance e depois outro antes que o mordomo os conduzisse por um corredor escuro.
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Naquele piso a nica coisa que podia haver eram
aposentos,pensou Sarah. No acreditava que o
homem tivesse entendido mal as suas instrues,
deliberadamente ou no. Tinha-lhe pedido claramente que a levasse ao conde.
No momento em que ia protestar,o mordomo
levantou a mo para bater a uma porta. Abriu-se
antes que pudesse executar a aco e,na soleira,
apareceu a figura do criado de Justin. Era evidente que Peters saa naquele instante do quarto
mas ao ver os hspedes inesperados do conde
parou,boquiaberto.
O mordomo levou o punho lentamente at s
costas. Depois de um segundo ou dois,o criado
fechou a porta atrs de si. Permaneceu diante
dela,com uma atitude quase protectora.
- Milady - cumprimentou Peters. No parecia
tanto uma saudao como ma expresso de surpresa. Ou uma pergunta,talvez.
- Eu gostaria de ver o conde - disse Sarah com
voz serena,decidida a manter a compostura apesar daquela exibio masculina de hostilidade.
Em seguida,pela primeira vez,ocorreu-lhe pensar por que se surpreendiam tanto ao v-la e por
que o criado estava diante dos aposentos de Justin,como que a impedir a sua passagem.
Teria Justin ido a Londres expressamente para
visitar a sua... Visitar uma... No pde completar os seus pensamentos,porque no sabia
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que termos devia usar. Sabia que o seu pai tinha tido uma amante. Inclusive tinha-Lhe mencionado o seu nome numa ocasio, num dos seus discursos desconexos.

Justin, que tinha vivido durante vrios anos fora do pas, tinha passado alguns dias, talvez semanas, em Londres antes de regressar a Wynfield. Talvez tivesse renovado 
uma velha... amizade na capital. Ou tivesse encontrado uma nova. Em qualquer caso, no daria as boas-vindas a Sarah, na sua casa, naquela noite. Nem ele nem os seus 
fiis criados.
A agonia da imagem de Justin com outra mulher atrs da porta foi mais poderosa que a vergonha que a dominou. No estranhava que esti vessem a bloquear a entrada 
do seu quarto.
Estava a expor-se ao ridculo ao ir ali. Ao correr em busca de Justin, ao primeiro sintoma de problemas. Apesar do que sentia por ele, o conde no lhe tinha feito 
nenhuma promessa sobre o seu comportamento privado. E, ingenuamente, Sarah nunca tinha considerado a possibilidade de Justin procurar os seus prazeres carnais fora 
do casamento.
- O conde espera-a; milady? - perguntou o criado quando recuperou finalmente a compostura.
- No - sussurrou Sarah, sem corrigir a sua impertinncia.
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- O que se passa? - perguntou Andrew. Sarah olhou para ele, agradecendo aquela desculpa para no ter que enfrentar os dois homens que protegiam a intimidade do conde. 
Drew contemplava-a com ansiedade reflectida nos seus olhos de um azul profundo. O seu rosto tornou-se impreciso de repente, quando umas lgrimas inesperadas lhe 
nublaram os olhos. Sarah pestanejou e inspirou fundo.
- Temos de ir para casa do meu paidisse-Lhe. - Aqui no nos esperam.
Nem nos do as boas- vindas".
Drew abriu os olhos com surpresa.
- Wynfield no est aqui? - perguntou - Disseste que sim - tinha elevado a voz. As lgrimas afloraram aos seus olhos, produto da fadiga e da terrvel decepo depois 
da sua longa viagem. Tinhas-me prometido, Sarah - acusou-a. - Prometeste-me que poderia ver Wynfield:
- Que raios se passa a fora?
A voz irada pertencia a Justin. Como no caso de David Osborne, Sarah teria reconhecido o seu timbre em qualquer parte. Levantou os olhos e viu como a porta se abria 
atrs do criado, deixando ver o pequeno quarto.
Pelo menos, havia luz, pensou. E calor. Podia sentir o calor da lareira estendendo-se pelo corredor gelado onde estavam ela e Drew. Peters tinha-se virado ao ouvir 
a voz do seu senhor e 150
depois, inclinando-se ligeiramente, afastou-se para um lado, abrindo caminho ao homem que tinha aberto a porta. Para surpresa de Sarah, Justin estava apoiado numa 
muleta e as chamas do fogo atrs de si perfilavam cruelmente a razo. A perna da cala direita das suas calas caa em linha recta, claramente vazia por baixo do 
joelho. E Sarah voltou a sentir a ardncia das lgrimas.
- Wynfield - disse Drew com alvoroo. Ao ver Sarah e Andrew no corredor, Justin abriu muito os olhos, como tinha feito o seu criado. No entanto, o efeito foi muito 
mais agradvel. Pelo menos, mais agradvel para a sua sensibilidade. Claro que j no o via h muito tempo. Tinham passado tantos dias sem poder olhar para o seu 
marido s escondidas...

- Sarah? - perguntou, com a voz impregnada da mesma incredulidade que no dia do seu encontro na casa de Meg Rndolph. O corao, uma vez mais, bateu desmesuradamente.
Deu-se conta de que Drew se separava dela para se agarrar ao seu amado Wynfield. O conde cambaleou, mas graas aos seus reflexos e ao apoio da muleta, conseguiu 
recuperar o equilbrio. Rodeou a cabea do pequeno com a sua mo livre e apertou-o contra a sua perna s.
No entanto, no afastou o olhar do rosto de Sarah. No o tinha feito desde que Peters se tinha
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afastado, descobrindo a sua presena. Depois de um silncio longo e tenso, perguntou com suavidade:
- O que se passa?
Santo Deus, como ansiava contar-lhe! As palavras tremeram na sua lngua, exigindo libertao. Tinha ido at ali  procura do seu amparo e o instinto tinha sido to 
poderoso perante a ameaa de David Osborne que o seu bom-senso, normalmente confivel, no tinha sido capaz de domin-la.
Mas claro, no podia contar-lhe nada do que realmente acontecera. No havia maneira de explicar o que Osborne tinha dito sem revelar a relao do irlands com Drew. 
E os detalhes do nascimento do menino que tanto tempo tinha mantido em segredo.
- Andrew sentia a tua falta - explicou. E eu tambm. Preciso tanto de estar contigo. Preciso de saber que ests por perto".
Aquelas palavras, to verdadeiras como as outras, no foram pronunciadas. Sarah permaneceu na soleira, observando-o. Depois, a voz de Andrew irrompeu no silncio 
reflexivo que se prolongou entre eles.
- J  quase Natal - declarou.
Justin olhou para ele, graas a Deus concentrando-se no rosto do menino em vez de no seu.
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- E vieste at aqui s para me desejar Feliz Natal? - disse o conde num tom alegre, sorrindo para Drew.
- No - respondeu Andrew, rindo.
- Para me trazer presentes? - brincou Justin, despenteando o cabelo curto do rapaz com uma mo grande e morena.
Andrew voltou a olhar para Sarah, com as sobrancelhas levantadas, numa expresso interrogante.
- Viemos s compras - declarou Sarah. Poderia ter sido a desculpa perfeita para a sua chegada imprevista, dado que s faltavam duas semanas para o Natal, no fosse 
a envergadura da viagem naquela poca do ano. O conde voltou a olhar para ela e ao ver perplexidade nos seus olhos, Sarah corou.
- Compras? - repetiu com cautela.
- As lojas aqui so muito melhores que na povoao - explicou-lhe.
-  claro - afirmou Justin.
Surgiu outro silncio. Felizmente, Andrew, que parecia no reparar no desconforto entre os dois adultos da sua vida, voltou a quebr-lo.
- No teu quarto est calor - disse-lhe.
- Gostarias de entrar? - convidou-o o conde, sorrindo para o menino. Em seguida, voltando-se lentamente, utilizou a muleta para regressar  sua secretria, que estava 
colocada
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perto da lareira. Era bvio que tinha estado ali sentado, antes da sua chegada. Quando se sentou na cadeira, apoiou a muleta contra o bordo da mesa.
- O que  isso? - perguntou Andrew. Tinha seguido o seu heri e estava a contemplar os pa pis espalhados sobre a secretria. At de onde Sarah estava, podia ver 
que eram desenhos.
- Planos - explicou o conde em voz baixa.
- De qu? - perguntou Drew.
- De coisas que talvez nunca se tornem realidade - disse Justin, sorrindo. Colocou o rapaz sobre o seu colo e aproximou o primeiro desenho para examin-lo com ele. 
Os criados do conde tinham desaparecido na escurido atrs de Sarah, mas ela continuava junto  porta, sentindo-se ignorada. Afastada do lao que Justin e Andrew 
tinham formado. Um vnculo que tinha desejado para Andrew, embora...
- Aqui dentro est calor, Sarah - sugeriu Justin - E vai continuar a estar se fechares a porta.
Levantou os olhos da contemplao ausente dos seus planos e surpreendeu-o a olhar para ela. E nos seus olhos viu algo que no pensava voltar a ver. Boas-vindas, 
no, talvez, isso fosse pedir demasiado. Mas... aceitao. Aceitao do seu direito de estar ali.
"Aqui dentro est calor" tinha sido um convite. E Sarah, atrada, como uma traa solitria 
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chama do afecto crescente entre Justin e Drew, entrou no quarto do seu marido.
Justin sabia que aquela viagem imprevista era algo mais que uma expedio de compras. Tinha quase a certeza de que Sarah tinha inventado aquela desculpa enquanto 
esperava, indecisa, diante da porta do seu quarto. E a indeciso no era algo que associasse com a mulher em que se tinha convertido.
Estava surpreendido com os seus lucros em Longford. Ao contrrio de Wynfield, tudo na sua propriedade funcionava perfeitamente, da leitaria at  quinta. E era prspero. 
Os seus arrendatrios estavam bem cuidados e os seus livros de contas coincidiam. No se atrevia a perguntar se continuavam a coincidir, sobretudo tendo em
conta as quantidades que tinha extrado das suas contas nos ltimos meses.
Mais do que na verdade tinha necessitado, reconheceu. Tinha-a advertido de que o seu acordo lhe sairia caro e supunha que tinha estado decidido a demonstrar-lhe 
isso mesmo.
No entanto, Sarah no se queixou como,  medida que as somas aumentavam, Justin tinha esperado. Quase parecia que esperava que ela o fizesse, para poder atirar-lhe 
 cara o seu protesto, mas Sarah no tinha renegado o seu acordo,
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nem sequer tinha proferido uma s palavra de protesto. O senhor Samuels tambm no o tinha feito, mas Justin tinha visto o assombro reflectido nos seus olhos, em 
mais de uma ocasio, pelas somas que pedia. E, ao princpio, a sua inteno tinha sido assombr-lo.
Tambm tinha querido,  claro, que o Inverno no surpreendesse os seus camponeses sem comida ou proteco adequadas, e alguns dos projectos que tinha ordenado em 
Wynfield Park tinham sido necessrios para que no se fosse literalmente abaixo. Mas quando chegasse a Primavra.
- O que so? - perguntou Sarah.

Levantou os olhos e surpreendeu-a de p junto  sua cadeira, contemplando os desenhos.
Os dias e as noites passados em Londres tinham sido longos... e muito vazios. Vazios por mais de uma razo, reconheceu ao perceber a fragrncia feminina de gua 
de rosas. Uma fragrncia demasiado evocadora de um antigo Vero naquela mesma cidade.
- Coisas que espero levar a cabo na Primavera - explicou-lhe. - Uns novos mtodos de agricultura sobre os quais tenho lido. No s quero restaurar Wynfield Park, 
como quero convert-lo em muito mais do que era - e reparar a fortuna e o bom-nome da sua famlia. E saldar a dvida que tinha com Sarah.
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Sarah estava a olhar para ele, observando-o enquanto falava. E Justin compreendeu que certamente o que tinha dito lhe parecia uma lou cura. Os cavalheiros, sobretudo 
os que estavam sem dinheiro, no se preocupavam em planear canais de irrigao e de drenagem para os seus prados.
No entanto, no tinha tido outra coisa com que empregar o tempo. O mdico tinha-lhe receitado descanso para que a ferida que se tinha aberto dois meses antes ao 
saltar de Estrela, curasse o suficiente para poder utilizar de novo o p artificial.
- Mas no vais restaurar esta casa? - perguntou Sarah.
Justin no tinha a certeza do que queria dizer. Ou por que se preocupava. Afinal de contas, se queria ir a Londres, sempre tinha a casa do seu pai, muito mais elegante 
do que aquela. At a sua localizao no corao de Mayfair era muito mais desejvel.
- No penso que necessitemos de duas residncias em Londres. E os preos do mercado imobilirio aqui so muito bons, apesar da economia.
Pela primeira vez desde que tinha aberto a porta e visto Andrew e Sarah juntos no corredor, os seus lbios descontraram e quase pareciam esboar um sorriso.
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- Talvez fossem melhores com... uma nova decorao.
- Uma decorao completamente nova, diria eu - disse Justin. Claro que isso requereria mais dinheiro. A sua irritao inicial para com a ideia de Sarah, para com 
a sensao de estar a ser comprado, tinha regressado. J tinha decidido vender a casa tal como estava e utilizar os lucros para saldar em parte a dvida para com 
ela.
- J que estou aqui... - disse com hesitao.
- Perdo?
- A no ser que tenhas especial interesse em escolher tecidos e alcatifas.
- Ests a oferecer-te... - fez uma pausa, sem saber exactamente o que estava a sugerir.
- Para me encarregar da casa. Penso que se lhe devolvermos o seu antigo esplendor aumentar o seu valor quando a puseres no mercado.  uma boa estratgia de negcios.
- E as compras?
- No penso que ocupem todo o meu tempodeclarou, sorrindo-lhe pela primeira vez.

Era quase o sorriso que recordava e algo se agitou no seu peito em resposta. Mas entocom preendeu que o que havia no sorriso e nos olhos de Sarah no poderia ser 
o mesmo. Nenhum dos dois era o mesmo.
Ele era um mutilado que dependia da caridade de Sarah. E ela era a mulher que o tinha recusado
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antes de se achar naquela situao. No restava nada da relao que tinham tido. A nica coisa que havia entre eles era um acordo de negcios.
Disso se tratava a sua oferta. Sarah era bastante ardilosa para saber que com poucos gastos para fins estticos, o valor da casa cresceria quando a pusesse  venda. 
E quanto antes se vendesse, mais depressa recuperaria o seu dinheiro. No devia tirar mais concluses da sua sugesto. Nem da sua chegada  sua casa com expresso 
assustada.
Assustada. Isso era o que tinha visto nos seus olhos: medo. Mas se Sarah estava a fugir de algo, ele seria a ltima pessoa a quem recorreria. Por que ia querer a 
sua proteco, ou acreditar que ele podia proteg-la? No podia,  claro. Nunca mais.
- Penso que adormeceu - disse Sarah em voz baixa.
Inclinou-se junto  sua cadeira para contemplar o rosto do menino que tinha ao seu colo. Justin no se deu conta de que, enquanto falavam, Drew tinha descido a cabea 
at apoi-la sobre o seu ombro.
Sarah ergueu os olhos daquele pequeno semblante aprazvel para olhar para ele, sorridente. E Justin controlou a atraco daquele sorriso. Controlou a emoo que 
gerava e impediu o desejo de o devolver.
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No se permitiria a nenhuma fantasia romntica sobre a presena de Sarah ali. Nenhuma fan tasia sobre o que pensava que diziam os seus olhos. No podia permitir- 
se. J tinha muitos problemas sem imaginar que uma mulher, que no o tinha desejado quando estava forte e inteiro, pudesse estar interessada nele naquele momento.
- Ters que o levar - disse-lhe com brusquido.
Sarah abriu os olhos com surpresa. Pela aspereza da sua voz, ou ao compreender que ele no podia levar o rapaz para a cama?
-  claro - respondeu, mas no se moveu. Olhou para ele. - Sentes-te bem, Justin? - inquiriu em voz baixa.
A pergunta atravessou a couraa que o seu orgulho tinha criado quando Sarah o tinha visto pela primeira vez, de p na soleira, tal como era. Meio homem.
E um choro por culpa disso, resmungou com fria. Desde o comeo, tinha resolvido no ceder  auto-compaixo.
- Claro que sim - respondeu-lhe.
O seu tom voltou a ser demasiado spero. Duro e frio. Embora tivesse reparado na forma como Sarah se tinha encolhido ligeiramente, no disse nada para suavizar 
o seu efeito. Preferia que pensasse que era um patife a um covarde.
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Sarah no se moveu, pelo menos, at Justin levantar Andrew bruscamente. Ento pegou no menino e, apoiando-se com uma mo na sua ca deira, endireitou-se.
Permaneceu de p junto a ele por um momento, ainda olhando para ele. Depois, sem dizer uma palavra, virou-se, atravessou a diviso e saiu pela porta.

Justin apertou os lbios, reprimindo a urgncia de a chamar e desculpar-se. Sarah tinha-se preocupado com a sua sade, uma preocupao muito natural, e em troca 
ele tinha-se comportado com rudeza. Se continuasse a trat-la daquela forma, nunca lhe confiaria o verdadeiro motivo da sua visita.
Pelo menos, estavam ali, sob a sua proteco. E enquanto tivesse vida, por muito desajeitado que fosse aquele corpo, faria exactamente isso. Proteg-los-ia, nem 
que para isso tivesse que perder a vida, jurou com ferocidade. Mas negou a urgncia de investigar em profundidade a ra zo pela qual estava to seguro. E to endiabradamente 
entregue a isso.
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oIto
Justin no tratou de muitas das coisas que tinha para fazer durante as duas semanas seguintes, salvo contemplar como Sarah transformava a casa. A mudana mais imediata 
foi a conduta da criadagem. por mais estranho que parecesse, apesar de Sarah estar a faz-los trabalhar mais do que eles estavam habituados h anos, os criados pareciam 
ter em alta considerao a sua nova condessa.
Devido  sua obstinada determinao em no exibir a sua incapacidade mais do que o estritamente necessrio, Justin comia as refeies nos seus aposentos. No entanto, 
a tentao de reunir-se a Drew e Sarah durante o jantar quase bastava para tir-lo do seu exlio auto-imposto. Sobretudo quando se sentava solitrio junto  lareira. 
Os planos agrcolas que o tinham ocupado durante semanas estavam quase esquecidos e imaginava os dois juntos na sala de jantar.
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No entanto, no lhe faltava companhia durante o dia. Andrew passava quase todo o tempo nos seus aposentos, salvo quando saa s compras com Sarah. Regressava daquelas 
expedies transbordante de excitao, com o rosto corado pelo frio e os olhos cintilantes.
Foi depois de uma daquelas sadas que Justin se deu conta de que o Natal estava prximo e que Drew esperaria sem dvida um presente da sua parte. Podia encarregar 
um dos criados para que comprasse algo para o rapaz, mas parecia-lhe demasiado impessoal... e insatisfatrio.
A nica pessoa que podia saber o que Andrew queria de verdade era Sarah, mas Justin no lhe tinha dirigido a palavra desde a noite da sua chegada. Ao recordar a 
sua brusca reaco  sua preocupao naquela noite, no se surpreendia que estivesse a fugir dele. Sabia que dependia dele dar o passo seguinte. E emendar o seu 
comportamento.
Decidiu tomar cuidado com o seu aspecto, coisa que j no fazia h meses. No entanto, depois de olhar-se uma vez ao espelho do seu quarto, no voltou a faz-lo. 
Vaidade, reconheceu, e no permitiu que os seus olhos voltassem a pousar-se no seu reflexo.
Desceu com cautela a majestosa escada. Da sua posio, podia ver quase todas as salas formais e, pela primeira vez, deu-se conta das mudanas operadas por Sarah 
desde a sua chegada.
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Quase parecia a manso que recordava da sua infncia.
A velha casa resplandecia. A madeira e o cobre refulgiam, cada mesa abrilhantada com uma capa fresca de cera e o aroma a essncia de limo impregnava o ar. Em todas 
as salas ardia um bom fogo e os incontveis vidros dos candelabros venezianos cintilavam  luz.

Sentia-se afligido pela generosidade de Sarah, sobretudo pelo dinheiro que tinha gasto em Wynfield Park e nos seus arrendatrios. Naquele momento, o conde compreendeu 
que estava ainda mais em dvida com a sua esposa. No s a um nvel econmico, mas pessoal.
- Justin?
Sarah estava de p na soleira do grande salo. Atrs de si trabalhava um grupo de criadas. Sem dvida tinha estado a dirigir as suas tarefas antes de ouvir o passo 
inconfundvel de Justin na entrada.
Usava um vestido simples de l cinzenta, muito apropriado para as tarefas da casa. O seu cabelo loiro, excepto pelos caracis que acariciavam a sua testa e o seu 
rosto, estava coberto com uma touca. Era a primeira vez que a via daquela maneira, pensou Justin, e inconscientemente sorriu perante a tentativa de Sarah de assumir 
o ar adequado de matrona.
Mas era apenas uma tentativa, pensou. Por 
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alguma razo, parecia mais jovem com a touca, embora o efeito devesse ser contrrio. Talvez se devesse ao rubor do seu rosto e ao brilho de excitao nos seus olhos, 
um brilho muito parecido com o de Drew.
Aquela era a Sarah que recordava, compreendeu de repente. Exactamente como tinha imaginado durante aqueles meses solitrios em Espanha, antes de receber a carta 
que tinha desfeito os seus projectos de vida em comum.
Deliberadamente, Justin desviou o olhar do seu rosto, fingindo contemplar as mudanas visveis  sua volta.
- Um excelente trabalho, Sarah - elogiou finalmente. - Nunca pensei que a casa pudesse recuperar o seu antigo esplendor.
Voltou a olhar para ela a tempo de ver como o rubor das sas mas do rosto se intensificava. Como consequncia do seu elogio, pensou. E tinha havido muito poucos 
elogios, disse para si, depois do muito que Sarah fazia por ele.
Tinha estado demasiado absorto na sua prpria dor. No s a fsica, embora tivesse sido bastante aguda. Tinha sentido demasiado orgulho para reconhecer o que aquele 
casamento significava para ele em termos financeiros. E, pensou, demasiada amargura por Sarah se ter apaixonado loucamente por outro homem, h cinco anos.
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-  uma casa lindssima - declarou Sarah.
- Agora  - respondeu Justin com suavidade. Graas a ti.
- Tinha pensado... - comeou a dizer, olhando para ele. - Quero dizer, esperava que, se no te importares,  claro... Drew e eu pudssemos passar aqui o Natal. As 
estradas estaro intransitveis nesta altura. Tivemos sorte na nossa viagem para a capital, mas pode ser que o regresso no seja to fcil.
- Esta casa  tua, Sarah. Sobretudo agora...
Fez uma pausa, novamente fascinado pelo efeito das suas palavras. Sarah inspirou fundo e os seus seios ergueram-se sob o corpete justo de l. E, por incrvel que 
parecesse, o seu corpo reagiu quele pequeno movimento com uma ereco imediata que, conforme receava, era perceptvel. De novo, desviou o olhar do seu rosto.
- Tenho que te pedir um favor - disse-Lhe, recordando a sua misso.

- Perguntava-me o que teria tirado o lobo da sua toca.
Voltou a olhar para ela. Estava a brincar, compreendeu, ao ver o leve esgar dos seus lbios. No entanto, aproximava-se bastante da verdade. Tinha-se retirado para 
os seus aposentos como um idoso invlido. E no o era. Talvez os seus movimentos fossem torpes, mas j no estava doente. A inflamao do coto tinha desaparecido 
por completo
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e sentia-se muito melhor. Suficientemente forte para no incomodar os seus criados fazendo-os levar-lhe a comida ao seu quarto.
- Ser mais um urso com uma garra ferida, diria eu - respondeu. - Poders perdoar o meu comportamento na noite da tua chegada?
- Perdoar-te?
- Fui grosseiro. E no te dei as boas-vindas.
- Estava a invadir a tua privacidade - respondeu Sarah. - Se algum necessita de pedir perdo... comeou a desculpar-se.
- Vais contar-me a verdadeira razo da tua visita? - perguntou.
Os seus olhos abriram-se com surpresa, mas logo de seguida tentou ocultar aquela expresso desviando o olhar. Justin soube pela sua reaco que as suas suspeitas 
estavam certas.
- No sei a que te referes - respondeu Sarah, erguendo ligeiramente o queixo.
- O teu pai fez alguma coisa a Drew?
- No - negou em seguida. -  claro que no. Brynmoor nunca faria mal a Drew.
- Andrew no tem tanta certeza disso.
- Eu sei - reconheceu. - Mas...
Inspirou outra vez e Justin manteve os olhos fixos no seu rosto, recordando o efeito que o leve movimento dos seus seios lhe tinha produ zido. No podia permitir-se 
apaixonar-se outra vez por Sarah Spenser. No lhe agradaria.
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- Ainda no confias em mim, Sarah? - perguntou em voz baixa. - Juro-te que sei guardar uma confidncia.
- No tenho a menor dvida disso - disse-lhe, e fez uma pausa. - Mas no tenho nenhuma confidncia a fazer. Mencionaste um favor?
No fazia sentido insistir, tendo em conta a determinao de Sarah. No podia obrig-la a confessar-lhe por que tinha fugido.
- Trata-se de Andrew. Vai sem dvida esperar que lhe oferea um presente, mas no me ocorre nada de que possa gostar. Receio que ir s compras. - hesitou, imaginando 
as ruas naquela poca do ano, lotadas de gente, apesar do frio.
- Seria difcil para ti - concluiu Sarah por ele. O seu olhar era to sereno como a sua voz. No havia um rasto de piedade pela impossibilidade de Justin se aventurar 
pelas lojas. Simplesmente tinha declarado aquele facto.
- Sim - respondeu o conde.
- E queres que eu o compre por ti.
- Importas-te?
-  claro que no - disse- Lhe. - Diz-me o que tens em mente.
Quase contra a sua vontade, os seus lbios formaram um sorriso.
- Esperava que tivesses algo a sugerir-me - reconheceu.

- Havia algo... - comeou a dizer, depois moveu a cabea. - Mas receio que Drew no tenha
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chegado a dizer-me. Algo que s Wynfield podia dar-lhe. Penso que foi o que disse.
- Algo que s eu podia dar-lhe?
Sarah assentiu.
- No te mencionou nada?
- No - respondeu Justin, tentando recordar alguma insinuao de Drew.
- A subtileza no  o seu forte - sugeriu Sarah. - Suspeito que se tocares no assunto...
- No resistir  oportunidade de me dizer.
- Certamente, no - corroborou Sarah - Drew adora-te, deves sab-lo - acrescentou.
- Drew tinha uma grande necessidade de ateno masculina que os dois j reconhecemos
- disse Justin. - E um fascnio grotesco pelas partes do meu corpo que perdi, assim como uma curiosidade natural sobre o meu percalo.
Sarah no disse nada por um momento, mas o seu olhar era sombrio, os seus lbios rgidos.
- Lamento - disse finalmente. - Falarei com ele.
- No, Sarah. Cus, no queria dizer isso. A franqueza de Andrew  melhor que a alternativa.
Justin no tinha tido inteno de sugerir que devia castigar Drew pela sua curiosidade natural, mas as suas palavras tinham albergado um rasto de amargura.
- A alternativa?
- Fingir que nada mudou - disse finalmente.
- Que...  imperceptvel.
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- Ou sem importncia - continuou Sarah. Fez-se de novo silncio. Justin tinha revelado demasiadas coisas, tinha dito demasiado, e Sarah era mais ardilosa do que 
pensava.
-  claro que no tem importncia - declarou, animando o tom, detestando a auto-compaixo que detectava em si mesmo. - Afinal de contas, sobrevivi. Acredita em mim, 
agradeo ter sobrevivido.
- Acredita em mim - respondeu Sarah em voz baixa. - Eu tambm agradeo por teres sobrevivido.
Olhou para ele durante apenas mais um segundo e depois virou-se e desapareceu no salo. Justin ouviu como conduzia as criadas nas suas tarefas, num tom muito diferente 
da suave afirmao que acabava de expressar. Eu tambm agradeo por teres sobrevivido".
Talvez se sentisse agradecida para o bem de Drew? ", pensou. Mas mais tarde, a ss no seu quarto, ao recordar o que os seus olhos tinham reflectido fugazmente, perguntou-se 
se a sua preocupao por Drew tinha realmente algo a ver com o que tinha dito.
Nem Andrew nem Sarah o tinha urgido a reunir-se a eles na Vspera de Natal. No entanto, ele tinha pedido ao seu criado que descobrisse a que
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horas se serviria o jantar, mesmo antes de tomar uma deciso. Quando se decidiu, vestiu-se com o mesmo cuidado que tinha tido na manh em que tinha sado em busca 
de Sarah para lhe perguntar sobre um presente para Andrew. E naquela ocasio resistiu a olhar-se ao espelho de corpo inteiro do seu quarto:
Apesar de ter proporcionado a Drew muitas oportunidades para que pedisse o seu presente, continuava sem saber a que se tinha referido ao mencionar algo que s Wynfield 
lhe podia dar. Esgotado o tempo, Justin tinha enviado um criado s lojas. Os doces e o brinquedo mecnico com que tinha voltado pareciam-lhe pouca coisa, mas, a 
no ser que pedisse um emprstimo  sua esposa, teriam que servir.
Ao descer as escadas, ouviu a gargalhada de Andrew. Certamente estavam a entreter-se com jogos de mesa antes do jantar, uma tradio da Vspera de Natal. Aquela 
era uma das poucas ocasies do ano em que as crianas participavam de diverses normalmente reservadas aos adultos.
Atrado pelos risos de Drew, Justin atravessou o vestbulo e parou na soleira do salo. No se tinha enganado. Estavam absortos num animado jogo de palitos, com 
as suas cabeas loiras muito juntas. Enquanto os observava, a gargalhada de Sarah uniu-se  do seu filho, enchendo a diviso
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com uma alegria h muito tempo esquecida naquela casa.
Como se tivesse notado a sua presena, Sarah dirigiu os olhos repentinamente para a soleira da porta e viu o seu rosto. As suas gargalhadas extinguiram-se e as suas 
pupilas dilataram-se de assombro. O que Justin viu neles, no entanto, no foi recusa.
Antes que pudesse analis-lo por completo, Drew gritou:
- Wynfield!
Correu para a soleira e Justin preparou-se para a investida. No entanto, naquela ocasio o menino parou e pegou na sua mo para conduzi-lo para a mesa de jogos.
- No quero incomodar - disse Justin a Sarah.
- Na tua prpria casa? - inquiriu, sorrindo=lhe.
- Eu diria que no. Ficamos muito contentes por te juntares a ns. Feliz Natal.
- Obrigado - respondeu em voz baixa.
- Ganhei a Sarah - anunciou Drew.
- E sem piedade - reconheceu Sarah alegremente. - Gostarias de pr  prova a tua destreza?
- Sou um rival temvel - disse o conde a Andrew enquanto se sentava numa das cadeiras que rodeavam a mesa. - Vamos l.
O sero passou-se numa sucesso de manjares deliciosos, jogos e gargalhadas.  medida que passavam as horas, a tenso existente entre ele e
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Sarah pareceu dissipar-se. Era demasiado fcil recordar outros seres como aquele, nos quais olhava para ele com olhos sorridentes. E demasiado fcil esquecer o 
que os tinha separado.
No teria que ter sido assim. No com Drew como aviso constante. Mas o menino tinha ganho o seu prprio lugar no corao de Justin e j no era simplesmente o smbolo 
da infidelidade da sua me.
- O que fazemos agora? - perguntou Drew quando terminaram um animado jogo de adivinhas.
- Talvez devssemos pensar em ir para a cama
- disse Sarah. - Pelo menos, tu - corrigiu-se, olhando para o conde.

O rubor que repentinamente tingiu o seu rosto no tinha nada a ver com o frio. No entanto, a sua gargalhada ainda estava presente nos seus olhos azuis como a noite. 
Talvez fosse efeito da luz das velas, pensou Justin, ou um reflexo do seu vestido de cetim cor de safira.
Sarah no tinha touca naquela noite, notou com regozijo. Tinha adornado o cabelo com um simples gancho de diamantes e safiras que refulgia cada vez que voltava a 
cabea. E nunca tinha estado to bonita.
Ao dar-se conta de que continuava a olhar para ela, virou a cabea como se procurasse a garrafa de vinho do Porto que estava sobre a
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bandeja. Ainda no o tinha provado. Se Sarah o provasse iria subir-lhe  cabea. Seria melhor que ele a limpasse com um bom gole.
Afinal de contas, j tinha cometido o mesmo erro numa ocasio, o erro de acreditar que o que via nos olhos de Sarah Spenser era um reflexo do que sentia por ela. 
Naquela noite as suas emoes no eram mais que o produto da sua solido e isolamento.
No o surpreendia a sua forte reaco fsica  beleza de Sarah. H meses que no estava com uma mulher. Antes mesmo de ser ferido.
Apesar da sua invalidez e da sua contrariedade natural a expor o seu corpo aleijado a qualquer pessoa, e muito menos  frgil sensibilidade de uma mulher, os seus 
desejos e necessidades fsicas no tinham desaparecido. E, devido  pro longada abstinncia, tinham-se agudizado. E continuariam a agudizar-se, pensou, bebendo um 
longo gole de vinho, se passasse mais tempo com a sua esposa.
A sua esposa. Uma esposa a quem no tinha tocado durante as longas semanas de casamento. Nem sequer lhe tinha roado os dedos, salvo acidentalmente, talvez.
Observou as suas mos naquele momento, enquanto cortava o pudim de Natal, pondo uma fatia num prato para Andrew e outra para ele, certamente. Realizava aquela simples 
tarefa com a
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mesma graa e economia de movimentos com que escrevia nos livros de contas do seu pai ou alisava o cabelo de Andrew.
Tinha observado o seu dilogo fcil naquela noite. Drew, encostado sobre o seu joelho, escutava cada palavra que ela dizia. Sarah com a mo  volta do rosto de Drew. 
E Justin envergonhava-se de reconhecer que tinha sentido cimes do seu afecto sincero. Os mesmos cimes que o tinham impulsionado a sair do seu quarto solitrio, 
esperando pela sua aceitao.
Uma aceitao do que era e tinha deixado de ser. A de Sarah parecia to genuna como a de Drew. Nenhuma vez lhe tinha recordado, com palavras ou feitos, a dvida 
que tinha para com ela. Nem tinha insinuado que o considerava menos homem que o Justin de h cinco anos.
- Boa noite; querido Wynfield - despediu-se Drew. - Feliz Natal.
Justin levantou os olhos do seu copo vazio e surpreendeu o menino de p, junto  sua cadeira. Sem pensar, inclinou-se para a frente e apertou-o contra ele.
- Feliz Natal, Drew - sussurrou.

O menino permaneceu contra o seu peito por um momento, feliz, antes de recuar para olhar para ele.
- Tenho um presente para ti - revelou-lhe. Fi-lo eu mesmo.
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- A srio? - disse Justin, sorrindo.
- Tens... - Drew fez uma pausa, lanando olhares nervosos a Srah, consciente de que a pergunta que queria formular estava proibida. Quero dizer... - comeou de 
novo, em voz muito mais baixa. Hesitou novamente.
- Se tenho um presente para ti? - perguntou-lhe o conde. Drew assentiu. - Um pequeno presente - confessou Justin. - No sabia o que querias exactamente.
- Sarah diz que no se deve dizer o que queremos. No sei como as pessoas vo saber se no lhe dissermos - disse Drew, num tom razovel.
- Eu tambm no - corroborou Justin, sorrindo.
- Fiz um marcador para os teus livros - sussurrou Drew. - S to poderei dar amanh.
- Tenho a certeza que  uma obra de arte - disse o conde, quase com a mesma suavidade.
- Assim sabers sempre onde paraste a leitura.
- Justin assentiu, sentindo um n na garganta. Foi Sarah quem o sugeriu - confessou Andrew. Mas fui eu que o fiz. E desenhei a Estrela. Pensei que gostarias porque 
tenho a certeza de que sentes a sua falta.
- Ser a minha posse mais apreciada - disse Justin.
- Foste tu que fizeste o meu presente?
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- No... todos - reconheceu, recordando o brinquedo e os doces escolhidos pelo seu criado. Justin sabia no fundo do seu corao que no era aquilo que lhe deveria 
dar, mas no tinha adivinhado porqu. Agora j sabia.
- Tenho a certeza de que so maravilhosos, de qualquer forma - continuou Andrew para reconfort-lo. - E tens algo para Sarah? Brynmoor no se lembra do Natal, sabes? 
Ela apenas recebe o que eu lhe dou. E as felicitaes dos criados,  claro.
Justin deu-se conta de que no tinha pensado em comprar um presente para Sara. Eram adultos e havia demasiadas coisas entre eles. Demasiada dor e sentimentos que 
Drew no compreendia.
- Significaria mais se tu mesmo o tivesses feito
- aconselhou-Lhe Drew. - Sarah adora presentes pessoais porque levam uma parte de ti neles.
Justin assentiu, mas, por alguma razo, as palavras do menino tinham feito estremecer a sua conscincia.
Realmente, Sarah no tinha ningum. Um pai louco que no sabia em que ano nem em que dia vivia. Um filho demasiado jovem para compreender as relaes intrincadas 
dos adultos que o rodeavam. E um marido que no se tinha lembrado de lhe fazer um presente de Natal, nem sequer pelo que tinha feito por ele.
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- Est na hora de te ires deitar, Drew - disse Sarah em voz baixa.
Os dois levantaram os olhos, sobressaltados pela sua voz, e viram que estava de p, junto  cadeira. de Justin.
- Vou levar-te para cima e acomodar-te - disse-lhe. - E quando acordares, ser Natal.
Estava a sorrir para o pequeno, evitando conscientemente os seus olhos, pensou Justin.

- Boa noite - disse a Drew. Incapaz de resistir, Justin aproximou os dedos do rosto redondo do menino, provocando um sorriso. Depois, Andrew pegou na mo da sua 
me e saiu com ela do salo. Justin podia ouvir os comentrios de Drew enquanto subiam as escadas.
Serviu-se de outro copo de Porto da garrafa que o mordomo tinha deixado junto  sua cadeira. Um vinho forte e uma noite inquieta, ou pensamentos de Sarah a dar voltas 
 sua cabea durante toda a noite. Dadas aquelas opes, aproximou o copo dos seus lbios e esvaziou-o de um s gole, como uma dose de remdio. Talvez o fosse. Pelo 
menos, preventivo.
Justin no podia tirar as palavras de Drew da cabea, nem as imagens que tinham evocado. Sarah sozinha. Racionalmente, no sabia por que devia sentir pena de Sarah 
Spenser. Era uma das
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herdeiras mais ricas da Inglaterra e podia comprar o que quisesse ou necessitasse.
E consciente como estava das circunstncias do conde melhor do que ningum, salvo o seu conselheiro, no esperaria nenhum presente dele. Sarah no se sentiria decepcionada. 
Compreendia os limites da sua relao tanto quanto ele. Drew, no entanto...
Drew sentir-se-ia decepcionado, reconheceu. Por Sarah, evidentemente, e decepcionado com ele. Justin sabia, e perturbava-o ainda mais pensar nos anos em que Sarah 
no tinha tido ningum que lhe fizesse um presente de Natal.
Ela tinha-o querido assim, disse para si com amargura. Mas depois do sero que acabavam de desfrutar, a lembrana da sua infidelidade parecia vazia, sem fora. E, 
por alguma razo, no era uma desculpa suficientemente boa para justificar o seu descuido. No entanto, era demasiado tarde para corrigi-lo.
Sarah adora presentes pessoais porque levam uma parte de ti neles. Talvez fosse demasiado tarde para lhe fazer o seu prprio presente, mas naquela casa havia coisas 
que tinham uma parte dele. Pelo menos, uma parte do que Justin tinha sido, uma criana como Drew.
Levantou-se, colocou a muleta sob o brao e atravessou a diviso. Quando abriu a porta, o vestbulo estava escuro. At os criados se tinham
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j deitado. Comeou a caminhar para as escadas de trs. Eram estreitas e altas, e movia-se nelas com mais dificuldade, mas tambm tinha menos possibilidades de se 
encontrar com algum. Tinha-se afastado apenas uns passos pelo corredor quando compreendeu que estava junto  porta do quarto da sua me. Um quarto onde no tinha 
entrdo desde a sua morte, h mais de dez anos.
Obedecendo ao mesmo impulso que o tinha tirado do seu quarto, ps a mo na maaneta e rodou-a. Esperava que estivesse fechada  chave, mas no foi assim. Ao abrir 
a porta, o toucador da sua me apareceu perante os seus olhos, aparentemente intacto.
At cheirava a ela, e os leves aromas despertaram lembranas da sua infncia. Algumas vezes tinha tido permisso para ver como se vestia para um baile, e a sua criada 
penteava-lhe o cabelo e ajudava-a a escolher uma tiara da delicada caixa onde os guardava.

E quando se virava para procurar a sua aprovao, Justin pensava sempre que era a criatura mais linda de toda a existncia: Inspirou profundamente e quase pde sentir 
a sua presena nas suaves essncias de ps e de lavanda. Era quase como se o seu fantasma estivesse ali.
Sorriu pela sua estupidez. Demasiado Porto, pensou, aproximando-se do toucador. Ali no haveria nada mais que bagatelas, sem dvida.
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Robert ou o seu pai, teriam vendido tudo o que tivesse de valor. Acendeu as velas que havia junto ao espelho e abriu a gaveta, procurando entre os adornos de bijutaria. 
Um alfinete de cermica que tinha usado numa ocasio para assistir a um baile de mscaras. Uns ganchos de marfim, que ficavam lindos no cabelo escuro da sua me, 
mas que no serviriam para Sarah. E um colar de prolas pequenas e irregulares.
A sua mo hesito e depois pegou nelas. As prolas brilharam suavemente  luz, mais cinzentas que brancas. Tinha-as comprado  sua me, no dia do seu aniversrio, 
recordou com certa surpresa, pela nitidez daquela parte do seu passado.
Deveria ter mais uns anos que Drew e tinha-as comprado a um homem com o seu prprio dinheiro. O colar tinha-lhe parecido a jia mais linda que tinha alguma vez visto, 
sobretudo quando a sua me o tinha posto  volta do seu pescoo branco esbelto. Tinha ido ao seu quarto, na noite seguinte, mostrar-lho. Estava vestida para um jantar 
e tinha posto as suas prolas.
Naquele momento, compreendeu que certamente as teria tirado ao sair do seu quarto. No entanto, Justin tinha a certeza que as valorizava tanto como o conjunto de 
diamantes e rubis que o seu pai Lhe tinha tambm oferecido pelo seu aniversrio. Tinha-as usado com orgulho no jantar e tinha sido a mulher mais linda daquele sero.
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Sorrindo por aquela lembrana, Justin deixou que o colar voltasse para a gaveta. Depois, os seus dedos hesitaram novamente e recuperou as contas pequenas e irregulares 
com um rpido puxo. Segurou o colar na palma da sua mo por um momento e em seguida guardou-o no bolso do colete.
Voltou a atravessar a diviso, fechando a porta com cuidado ao sair. Encerrando lembranas que no eram infelizes, simplesmente descoloridas, como um querido tecido 
muito usado e apreciado. Apesar dos problemas financeiros que o seu pai tinha enfrentado, e naquele momento Justin sabia que tinham sido graves, Robert e ele tinham 
sido imunes aos seus efeitos graas ao amor da sua me.
Sarah tentava proteger Drew da mesma forma. Das intrigas. De descobrir a verdade sobre o seu nascimento. E no podia negar a Drew o que ele mesmo tinha desfrutado, 
uma infncia to livre de preocupaes quanto os adultos da sua vida tinham podido oferecer-lhe.
Ao pensar em Drew, recordou os motivos daquela incurso. Sem dvida encontraria algo apropriado para dar ao menino nos quartos do ltimo andar, na creche e na sala 
de aula. Um livro que o tinha encantado quando era pequeno, pelo menos.
Justin no soube se se tinha distrado devido  escurido ou  sua pressa, mas quando a ponta da muleta
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escorregou de um dos degraus, no pde fazer nada para deter a sua queda. S tinha subido um tero das escadas, por isso, no se tinha ferido gravemente. S umas 
quantas ndoas negras... e um duro golpe no seu orgulho.
Acabou deitado ao p das escadas, apoiado nelas de cintura para cima. A muleta tinha cado ruidosamente e estava sobre o cho de madeira, fora do seu alcance.
- Raios - sussurrou, mais zangado que ferido.
- Magoaste-te?
O sussurro foi to inesperado que se inclinou para a frente, com as mos num dos degraus, antes de responder.
- S no meu orgulho - respondeu com sinceridade.
Sarah aproximou-se pelo corredor e deixou o candelabro que levava sobre uma mesa baixa. Depois, agachou-se junto a ele.  luz trmula das velas, quase no podia 
distinguir os contornos do seu rosto. Esperava que a viso dela tambm no fosse melhor.
- O que aconteceu? - perguntou Sarah. Desviou o olhar para o alto da escada antes de voltar a fixar-se nele. J a via melhor. Tinha o rosto sereno; e no se ofereceu 
para ajud-lo a levantar-se, pelo que lheh estava eternamente agradecido.
- Acabei o vinho do Porto - disse-lhe, e observou como curvava os lbios.
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- Ests brio - sugeriu, sorrindo.
A sua voz, assim como o seu sorriso, continham uma nota de alvio. Talvez por no estar ferido ou por no se ter refugiado na mesma indelicadeza com a qual tinha 
reagido quando ela tinha demonstrado preocupao pela sua sade.
- Um pouco - mentiu.
- Mas o que fazias aqui? - inquiriu, voltando a olhar para cima.
- Procurava mais vinho do Porto? - sugeriu. Naquela ocasio, Sarah riu-se, e o robusto n de mortificao que lhe tinha oprimido o peito desde que tinha ouvido a 
sua voz desfez-se. Pelo menos, ainda a fazia rir. E talvez nunca suspeitasse como era humilhante para ele que o visse
assim.
- Normalmente, chamam-se os criados quando precisamos de alguma coisa - disse-Lhe num tom vivo. - s o conde. E penso que at a esta hora acudiriam a um pedido teu.
- Prefiro andar pela casa sem que ningum me veja - respondeu Justin. - Assim h menos intrigas, tu sabes - e compreendeu, ao ver a sua expresso, que tinha escolhido 
a palavra errada. Errada pelo menos para aquela mulher. O mexerico era um tema cruel e doloroso para ela, no objecto de brincadeira.
- Os teus criados esto bem adestrados para isso - disse-lhe.
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Levantou-se com movimentos graciosos apesar da volumosa camisa de dormir que tinha vestida. Era de gola alta e mangas compridas, para se proteger do frio, embora 
suficientemente fina para que,  contraluz, Justin conseguisse distinguir o contorno do seu corpo. Continuava a ser to esbelto como o de uma rapariga, apesar de 
ter dado  luz um filho.
De novo, o seu corpo reagiu com uma ereco imediata. Aborrecido pela sua falta de controlo, tambm ele se levantou, apoiando-se na parede com uma mo.

Sarah inclinou-se e recuperou a muleta do cho. Aproximou-se para lhe dar e Justin hesitou um momento, procurando nos seus olhos algum rasto de pena. Ao no encontr-lo, 
pegou na muleta; colocando-a sob o brao antes de separar a mo da parede. Em seguida, quase por vontade prpria, aquela mesma mo fechou-se em torno do antebrao 
de Sarah.
Sarah contemplou os seus dedos, morenos em contraste com o branco da sua roupa. Lentamente, levantou os olhos. Estavam muito abertos e escuros, mas continuava sem 
haver repulsa neles. Nem pena. Nada do que tinha esperado ver se alguma vez se atrevesse a tocar outra vez naquela mulher.
Puxou-a, e Sarah deu o passo necessrio para que a sua boca pudesse descer sobre a sua. E no houve hesitao na sua resposta.
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Justin apercebeu-se que, no fundo, sabia que voltaria a beijar Sarah. Sempre tinha sabido. E que seria o mesmo. Que desencadearia uma onda de fogo por todo o seu 
corpo, como da primeira vez que a tinha beijado, s escondidas, e quase com o mesmo temor que naquele instante.
Os lbios de Sarah tremeram sob os seus, to suaves e inexplorados. Antes, com as restries da sua idade e posio, aquele toque de lbios teria sido suficiente. 
Teria que ser suficiente. No entanto, agora no...
Ele atravessou a frgil barreira com a sua lngua, exigindo acesso e resposta. E finalmente obteve-a. A sua boca abriu-se, exalando o seu doce flego, ao mesmo tempo 
que aceitava a invaso da sua lngua. E conquistou-a. Sarah era uma mulher, a sua esposa, e no uma jovem inexperiente.
Soltou a mo do seu brao e deslizou-a pelas suas costas para a apertar com mais firmeza contra si. O seu corpo era dcil, fundia-se com o seu, dava as boas-vindas 
s suas carcias. Ao dar-se conta, aprofundou o beijo, recorrendo a toda a experincia adquirida durante longos anos, desde que tinha beijado Sarah Spenser pela 
primeira vez.
Ento tinha tremido nos seus braos, como naquele momento. Tinha respondido ao seu beijo, movendo a boca com avidez contra a sua. To ansiosa por ele, parecia, como 
ele por ela.
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Podia sentir os seus seios, com os seus pequenos mamilos endurecidos pelo frio ou pelo desejo, contra o seu peito. Deslizou a mo ainda mis para baixo, rodeando 
a suavidade dos seus glteos, apertando-a contra a sua ereco. Desejando-a to desesperadamente que quase estava louco de necessidade. De amor...
Sarah abriu a boca e proferiu uma exclamao. Afastou-se, e o impulso quase o fez perder o equilbrio. Quando Justin abriu os olhos, Sarah estava a olhar para ele. 
Com as pupilas dilatadas, como se estivesse emocionada. Levou os dedos aos lbios, que estavam cheios, como se os tivesse beijado bem. E assim tinha sido, reconheceu.
- O que se passa? - perguntou-lhe em voz baixa.
Tinha gostado. Era suficientemente experiente para sab-lo. No era h assim tanto tempo celibatrio para no conseguir reconhecer a natureza da sua reaco. O corpo 
de Sarah tinha reagido intensamente ao beijo e  sua proximidade, como ele. E de repente...
- No - disse ela.

Cruzou os braos a modo de escudo sobre os seus seios, esfregando as mangas da camisa de dormir com as mos, como se tivesse frio. Estava a tremer, compreendeu Justin, 
e o seu corpo
estremecia com tanta fora como se estivesse a delirar.
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- Sarah? - inquiriu. Deu um passo para ela e a sua muleta ressoou sobre o cho de madeira. Um rudo demasiado brusco entre os seus sussurros.
Sarah no lhe respondeu. Virou-se e afastou-se a correr, deixando ver uns tornozelos esbeltos sob a prega da sua camisa de dormir. Fechou com fora a porta do seu 
quarto e o rudo perturbou a quietude da casa.
E Justin voltou a ficar s, no corredor. Por um momento, pensou que aquilo no tinha acontecido, que Sarah no tinha estado ali, que tinha sonhado.
Mas no tinha sonhado. A dor do seu sexo confirmava que a mulher que tinha abraado no tinha sido fruto da sua imaginao. Tinha sido real e complacente, at que, 
de repente...
Ficou um momento de p, tentando compreender o que tinha acontecido. E no pde. Finalmente, virou-se e, com mais cuidado naquela ocasio, subiu os degraus estreitos 
das escadas de servio, desaparecendo na escurido fria e solitria.
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Nove
- Tenho que voltar para Longford - disse Sarah.
Tinha o rosto composto, mas demasiado tenso, quase angustiado. E os seus olhos azuis estavam fechados.
- No dia de Natal? - perguntou Justin com incredulidade.
Apesar de se ter recriminado na noite anterior pelo que tinha acontecido, a decepo formou um n no seu estmago. Continuava sem entender por que Sarah se tinha 
ido embora a correr, mas no tinha conseguido esquecer como tinha reagido ao seu beijo. Tinha esperado poder passar o dia com ela e com Andrew. Naquele momento, 
era evidente que a sua fuga no tinha terminado no seu quarto.
- O meu pai... - Sarah interrompeu-se, quase como se a sua garganta a impedisse de pronunciar
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as palavras. Fechou os lbios, mordendo fugazmente o inferior antes de continuar a falar. H momentos em que est mais confuso do que o normal. s vezes at fica 
violento.
- De certeza que pode esperar que...
- No - interrompeu-o. - Os criados no podem control-lo quando fica assim. Mandaram-me chamar, mas s recebi a sua mensagem esta manh.
- Se pudesse esperar uns dias... - comeou a dizer.
- Receio que nem sequer umas horas. Tenho que partir para Longford agora mesmo se quero chegar antes do anoitecer.
Justin no podia dizer se Sarah lamentava ou no aquele imprevisto. J se tinha virado para a porta do seu quarto quando lhe perguntou:
- E Drew?

A pergunta deteve-a e no respondeu durante um longo momento, nem sequer quando virou o rosto para ele. A sua hesitao reforou a suspeita de que a razo da sua 
viagem a Londres, em pleno Inverno, e com a ameaa de uma tempestade de neve, tinha tido algo a ver com o menino. Teria tido outro encontro mais perigoso com os 
rapazes da povoao? Se tinha acontecido, no o tinha mencionado durante todos os dias que tinham passado juntos.
-  Natal - recordou-lhe, esperando minar a sua determinao.
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- Sugeres que deixe Drew aqui?
No tinha querido sugerir isso, mas deu-se conta de que no havia motivos para no o fazer. Drew no se importaria. Tinha medo do marqus, embora no quisesse reconhec-lo. 
E era Natal.
- Por que no? - perguntou Justin. Sarah continuava a olhar para ele como se tentasse decidir-se. - Lev-lo-ei para casa quando voltar. Ou...
- naquela ocasio foi ele quem hesitou, perguntando-se se tudo voltaria a ser como dantes em Longford. Se continuariam distanciados e alienados como, recordou, ele 
mesmo tinha querido.
- Ou podes voltar para c quando tiveres resolvido o problema do teu pai.
No soube o que o tinha impulsionado a fazer aquela sugesto. Uma tendncia para o masoquismo, talvez. Claro que, depois do que tinha acontecido na noite anterior, 
viver com Sarah sob o mesmo tecto, fosse qual fosse, ia ser muito mais difcil.
- Voltars logo para Longford? - perguntou.
Quando o mdico me der permisso", pensou Justin. Mas era incapaz de reconhec-lo. No queria evocar coisas nas quais no queria pensar. Nem queria que Sarah pensasse 
nelas, sobretudo depois do seu beijo da noite anterior.
- O quanto antes - prometeu-lhe. - Por que no deixas que Andrew fique aqui comigo?
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- Tens a certeza?
- Penso que seria o melhor para todos. Sarah assentiu a contragosto. Sabia que Justin
tinha razo, mas o conde tambm compreendia a falta que iria sentir de Drew. Como ele, se Sarah levasse o rapaz com ela para Longford. A casa enorme parecer-lhe-ia 
mais fria e solitria que antes da sua chegada.
- Ento... no voltarei para Londres - disse Sarah. - No h motivos para faz-lo. A casa
est preparada, poders p- la no mercado quando desejares. E em Longford h sempre tantas coisas para fazer... - deixou a frase inacabada, sem afastar os olhos 
do seu rosto.
- Eu cuidarei de Andrew - prometeu-lhe, sabendo que isso era o que queria que fizesse. Era a razo pela qual tinha levado o menino para Londres.
Finalmente, Sarah assentiu. Justin tentou ver nos seus olhos a mulher que, to fugazmente, tinha apertado nos seus braos, mas s viu ansiedade neles.
Deslizou a mo no bolso do seu casaco e tirou o presente que tinha embrulhado ao regressar ao seu quarto na noite anterior. No com papel de seda e um lao, como 
os presentes que o seu criado tinha comprado para Andrew. Justin ti nha-se limitado a colocar o colar de prolas de imitao, que certamente pareceriam ainda mais
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falsas  luz sbria do dia; sobre uma folha de papel branco que tinha retorcido nos extremos. Depois tinha escrito o nome de Sarah nela. Parecia

ridculo sobre a palma da sua mo. Sarah contemplou-o por um momento antes de olhar para
ele nos olhos.
- Feliz Natal,Sarah - felicitou-a em voz baixa
e viu como as lgrimas brilhavam nos seus
olhos. - No  grande coisa - advertiu-a,compreendendo com pesar como o seu presente era
insignificante na verdade. Devia ter bebido mais
Porto do que pensava para imaginar que Sarah,
ou qualquer mulher,poderia querer aquilo. Eram da minha me - confessou-lhe,tentando
pensar numa explicao lgica para o seu presente,receando,de repente,que pudesse parecer-Lhe ofensivo. - Comprei-as para ela quando
tinha a idade de Drew. Pensei... - interrompeu-se,
porque na verdade no podia explicar-Lhe o que
tinha pensado ao escolher as prolas de entre as
bagatelas que ainda restavam da sua me.
Sarah voltou a olhar para o embrulho. Lentamente,tirou-o da palma da sua mo,mas no fez
inteno de desenroscar os extremos do papel e
ver o que Lhe tinha dado. Quando voltou a olhar
para ele,tinha os olhos muito mais abertos do
que dantes e j no havia lgrimas neles.
- No tenho nada para ti - disse-lhe.
Justin sorriu,pensando no muito que j lhe tinha dado, reconhecendo instintivamente que nenhum dos dois queria recordar aquela dvida.
- No esperava nada - tranquilizou-a. Sarah voltou a assentir e depois, quase como na noite anterior, virou-se e saiu do seu quarto, fechando a porta com suavidade 
ao sair.
- A tua primeira vara? - perguntou Drew. Os seus olhos brilhavam desde que o tinha convidado a entrar no seu quarto. Como na noite anterior tinha encontrado o presente 
perfeito para ele, estava impaciente por lho dar. Naquele momento, soube que tinha sido a escolha ideal.
Drew tinha-lhe dito que s vezes tinha permisso de Sarah para montar o seu pnei. Pela forma como tratava Estrela, percebia que gostava de cavalos e j era bastante 
crescido para aprender a montar. Justin lembrava-se quando Robert e ele passeavam satisfeitos, com os grandes cavalos,  volta do curral com eles, trotando sobre 
os seus lombos.
- E mostras-me como us-la? - pediu Drew. Aquilo era parte do presente,  claro. A promessa de ensinar Andrew a montar.
Algo que realmente lhe agradava.
- Ou a no us-la - corrigiu. - Quando entenderes o teu cavalo e ele te entender a ti, ters menos
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oportunidades para usar a vara. Ser apenas um objecto que os cavalheiros usam.
Drew assentiu e voltou a olhar para a vara em mimiatura. Justin tinha-se esquecido da sua existncia, mas ao v-la na noite anterior, sobre a sua antiga cama na 
creche, tinha sabido que era perfeita para os seus propsitos.
- Obrigado - agradeceu Andrew, olhando para ele outra vez.
- No tens de qu - respondeu o conde em voz baixa.

Levou a vara consigo,  claro, pegando com cuidado na mo esquerda antes de virar a maaneta para sair do quarto. Atrs de si, Justin esboou um sorriso. Pelo menos 
tinha acertado com ele, pensou, recordando os olhos de Sarah ao levantar o rosto do embrulho ridculo que Lhe tinha entregue.
- Vou recompensar-te, Sarah - sussurrou, com os olhos fixos no fogo. - Algum dia, juro-te que vou recompensar-te.
Durante todo o trajecto de volta a Longford, Sarah no deixou de pensar em Justin. No momento em que estavam prestes a recuperar parte do que tinha havido entre 
eles, a sua amizade
- pelo menos, viu-se obrigada a partir.
E ele tinha duvidado dos seus motivos. Tinha-o lido claramente, naquela manh, nos seus olhos. Claro que, depois do que tinha acontecido na noite anterior, por que 
no ia acreditar que estava a fugir dele?
Justin tinha-a beijado e a sua reaco tinha sido de pnico. E nem sequer podia explicar porqu. A sensao do seu corpo contra o seu, to incrivelmente duro? Ou 
a sua mo nas suas ancas, empurrando-a para um contacto mais ntimo com ele.
Sarah tinha conscincia do que acontecia. Apesar da sua virgindade, no era uma estpida. E tinha vivido demasiados anos no campo para continuar a ser inocente sobre 
o que acontecia
entre um homem e uma mulher.
 Mas era bvio que Justin no a tomava pela inocente que era na verdade. Conhecer algo inte lectualmente, de forma abstracta, era muito diferente da experincia 
fsica propriamente dita. E o que tinha acontecido na noite anterior tinha sido muito fsico. E assustador, como tudo o que era desconhecido.
Mesmo assim, no compreendia por que tinha medo de Justin. Nunca lhe tinha feito mal e nunca lhe faria, mas, por mais excitante que tivesse sido, sentia falta de 
algo no seu encontro amoroso. Tinha sido demasiado repentino. E tinha-se sentido pressionada, como se Justin esperasse algo demasiado depressa.
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Claro que no era culpa de Justin, reconheceu. Sarah era a sua esposa e no lhe tinha dado motivos para pensar que no receberia com agrdo as suas carcias. F-lo-ia. 
Cus, claro que o faria. Mas... aparentemente, Justin esperava que ela soubesse muito mais sobre o que aconteceria entre eles.
Se o seu casamento se consumasse... e naquele momento parecia inevitvel dada a forosa proximidade e o desejo bvio de Justin de uma
relao fsica, ento a verdade sobre o nascimento de Andrew seria revelada. Para Sarah seria uma bno,  claro, porque aconteceria de
uma forma que no poderia considerar uma ruptura do seu juramento.
Ento, por que tinha fugido? Voltou a olhar para o colar de prolas. Estava no seu colo, sobre o papel que tinha o seu nome escrito. Tinha estado ali durante toda 
a viagem.
Tocou numa das pequenas contas irregulares com o dedo. Sorriu, recordando o que Justin lhe tinha dito. Tinha a idade de Drew quando as tinha escolhido para a sua 
me. E queria que ela ficasse com elas.
No tinha a certeza do seu significado. Talvez apenas que Justin estava embriagado na noite anterior. Tinha-o confessado abertamente e ela tinha notado o vinho nos 
seus lbios.

Teria sido aquela a explicao do beijo e no
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a crescente proximidade que tinha imaginado durante o sero? Nem o perdo pelo que Justin pensava que ela tinha feito. Nem amor... nem sequer afeio. Tinha sido 
simplesmente o efeito de vinho em demasia?
Levantou os olhos das prolas e olhou pela janela da carruagem, calculando a sua localizao. Estaria em casa em menos de uma hora. De volta aos mesmos problemas 
que tinham ocupado os seus pensamentos e energias ao longo dos anos, desde que tinha quebrado o seu compromisso com Justin Tolbert. Preocupaes com o seu pai,
 com Longford e Drew. E, naquele momento, com David Osborne.
Se o dinheiro era a nica coisa que impediria David de ir aos tribunais e ganhar a custdia de Drew, ento, dar-lhe-ia dinheiro. O que pedisse, pensou com ferocidade. 
Mas nunca, nunca daria Drew.
Sarah bateu  porta do quarto do seu pai, co lando a orelha  madeira slida. No se ouvia nada. E embora tivesse esperado, totalmente imvel, no houve resposta. 
Perguntou-se se o seu pai teria finalmente adormecido, esgotado pelo que, segundo a mensagem de Dawson, o seu criado, tinham sido trs dias de delrios e desvarios.
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- Pap - chamou-o, mas tambm no houve resposta. Pegou na chave que a senhora Simkins lhe tinha dado, agarrou na maaneta e rezou uma orao silenciosa antes de 
abrir a porta.
O quarto estava s escuras e em silncio. No havia velas, nem candeeiros. A tendncia do seu pai de atirar objectos impedia-o. Sarah reuniu toda a coragem de que 
era capaz e atravessou a porta, fechando- a atrs de si.
Permaneceu de p um momento, deixando que os seus olhos se adaptassem  penumbra. Distinguiu a cama alta e antiga, com as suas cortinas. E a escrivaninha e a cadeira 
do seu pai, prximas das janelas.
- Pap - voltou a cham-lo.
Sabia que a sua voz no o despertaria mesmo que estivesse a dormir. O sono esgotado no qual caa depois de um daqueles ataques era to pro fundo como um coma. Parecia 
no perceber os
rudos ou a luz  sua volta. Numa ocasio, depois de um ataque violento, tinha dormido durante trs dias e tinha acordado dcil, quase
como uma criana.
Caminhou para a janela com a inteno de correr as cortinas para se assegurar de que o seu pai se encontrava bem. Enquanto se movia, partes de vidros ou porcelana 
rangiam sob os seus ps. No caminho, tropeou com um objecto que
no tinha visto e que no pde identificar
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Quando chegou s janelas,hesitou apenas um
momento antes de levantar a mo e correr o tecido.
A luz tnue do entardecer entrou no quarto
devastado. No restava nada sobre as superfcies
das mesas ou cmodas. Todos os objectos tinham sido atirados ao cho. Havia uma bandeja
de comida derrubada,certamente deixada ali desde
a ltima vez que Dawson tinha tentado dar de

comer ao seu pai. Havia roupas espalhadas por
toda a diviso, algumas delas cortadas ou rasgadas: Consciente da fora inaudita que tinha o seu
- pai em momentos como aquele,no duvidou do
que tinha acontecido.
Fortalecendo-se,caminhou para a cama alta.
Esperava encontrar o seu pai ali,a dormir,mas
no foi assim. A cama parecia a nica pea intacta do quarto,com a sua colcha de damasco totalmente lisa no meio do caos.
- Onde est esse bastardo filho da me?
Sarah sobressaltou-se ao ouvir a pergunta. Virou-se e viu o seu pai a emergir do canto mais escuro do quarto,com os seus olhos azuis,analisando-a sob as suas grossas 
sobrancelhas. Tinha o rosto contrado e saliva no canto do lbio.
Drew? pensou. Meu Deus,refere-se a Drew".
- No est aqui - respondeu,tentando manter
a voz calma. - Aqui no h ningum mais do que
 eu, pap. Sou Sarah. Vim cuidar de ti.
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A nica coisa que sentia era terror e aquilo afligiu-a. Queria fazer o mesmo que na noite anterior, fugir de algo que no entendia. De algo que a assustva e confundia. 
De algo desconhecido.
Mas aquele era o seu pai, que a tinha amado tanto a ela como  sua me. Tinha-a amado tanto que, depois da sua morte, nunca mais tinha sido o mesmo. O homem que 
Amelia e Sarah tinham adorado em pequenas tinha desaparecido.
- Vou mat-lo - disse o idoso. - Juro sobre a sepultura da tua me que o pisarei como o filho bastardo que .
- No est aqui, pap - repetiu Sarah em voz baixa, dando um passo para ele. - No h mais ningum aqui. Por que no deixas que te ajude a levar-te para a cama? 
Deves estar cansado.
- No me enganes com as tuas palavras doces
- disse. - No voltars a enganar-me outra vez.
- Pap - sussurrou Sarah, olhando para ele, tentando descobrir algo no seu olhar. - Sou eu. No h mais ningum aqui. Se te deitares, cha marei Dawson. Ele encarregar-se- 
de tudo - prometeu. - Ele cuidar de tudo.
Brynmoor inclinou a cabea, como se avaliasse o seu tom. Sarah fez um esforo por se manter imvel. Estava suficientemente perto para perceber o seu odor corporal. 
O odor de um corpo velho e sujo misturado de forma nauseabunda com o aroma do perfme que ps, dos
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dias que passava na corte, quando tinha sido um dos favoritos do antigo rei.
- No ests cansado? - perguntou-lhe. - No dormes h tantos dias. Dawson disse-me. A tua cama est aqui.
Virou-se, e os olhos do seu pai seguiram o seu movimento. Realmente a cama oferecia um aspecto tentador. E depois de se deitar, adormeceria. Acontecia sempre o mesmo.
- Anda para a cama, pap, est na hora de descansar - sussurrou-lhe, e estendeu-lhe a mo. Quase como se no pudesse resistir ao convite, o seu pai ps os seus dedos 
de veias marcadas sobre a sua mo. Estava a tremer, compreendeu Sarah, e ela no.

J no tinha medo dele. Era ela quem detinha o controlo. Era a me que persuadia a criana cansada e insistia para que descansasse. Fechou os dedos  volta da sua 
mo e puxou-o. Brynmoor arrastou os ps para ela e para a cama.
Sarah desejou poder dar- lhe um banho e vestir-Lhe a sua camisa de dormir, mas no importava. Dormiria e, durante o seu sono, os criados limpariam os destroos que 
tinha causado. Com a mo que tinha livre, abriu a cama. Obedientemente, o idoso subiu o primeiro dos dois degraus que estavam junto  cama. Meteu-se debaixo dos 
lenis que Sarah tinha levantado e depois deixou- se tapar.
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Sarah deslizou os dedos pelo seu cabelo despenteado, alisando-lho. Quase estavam to compridos como os de Drew, pensou, porque o menino detestava ter que cortar 
o cabelo e ela no o forava.
- Frio - sussurrou Brynmoor, tremendo dos ps  cabea.
- Eu sei - disse Sarah. - Sei que tens frio. Dawson vai acender a lareira enquanto dormes. Fecha os olhos pap e quando acordares estar quente - prometeu-lhe.
Brynmoor contemplava o seu rosto com o olhar perdido como o do beb de Meg Randolph. Sarah sorriu-lhe, perguntando-se se a reconheceria al guma vez. Se voltaria 
a pronunciar o seu nome.
- Agora dorme - sussurrou.
- Boa menina - balbuciou o seu pai. Lentamente, fechou as plpebras enquanto ela continuava a alisar-lhe o cablo. Abriu os olhos mais uma ou duas vezes, olhando 
para ela por um momento, antes que os fechasse de todo, ocultando o vazio que reflectiam os seus olhos de um azul desbotado.
Sarah inclinou-se e beijou-o na testa. Brynmoor moveu uma mo sob os lenis, tentando tir-los. Deu-lhe uma palmadinha no ombro torpemente e, quando Sarah levantou 
a cabea para ver o seu rosto, tinha aberto outra vez os olhos.
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Os seus dedos, frios e trmulos, acariciaram-lhe o rosto.
- s uma boa menina, Mellie - disse claramente.
Mellie. Assim tinha o seu pai chamado a Amelia quando era menina. A sua dce Mellie. E tinha-o sido. A sua filha mais nova. A favorita.
Sarah cobriu-lhe a mo com a sua por um momento e depois voltou a colocar-lhe o brao sob os lenis. Tinha fechado os olhos outra vez e pareciam afundados sob a 
pele descolorida e fina das suas plpebras.
Esperou durante um longo tempo junto  sua cama, vigiando-o at que a ltima fresta de luz desapareceu do cu. Em seguida, tensa pelo frio e pela viagem longa, endireitou-se.
No voltou a cabea para olhar para o idoso que antes tinha sido o seu pai. Atravessou a diviso cheia de cacos e abriu a porta, inspirando profundamente antes de 
a fechar  chave e descer em busca de Dawson.
204
Dez
- Sarah! - gritou Drew. - J chegmos, Sarah! Estamos em casa!
Entrou a correr no escritrio quase antes que se extinguisse o som das suas palavras. Sarah apenas teve tempo de contornar a sua secretria antes que aparecesse 
na soleira. De repente, estva nos seus braos, o pequeno corpo contra o seu, como se se tivessem passado meses e no dias desde a ltima vez que o tinha visto.

Sarah abraou-o com ferocidade e depois afastou-o, pondo-lhe as mos nos ombros para olhar para ele. Tinha o rosto vermelho pelo frio e os olhos brilhantes e claros. 
E felizes, compreendeu. Incrivelmente felizes. Sarah tirou-Lhe o gorro e deslizou os dedos pelos caracis desordenados sentindo a ardncia das lgrimas. Abraou-o 
com fora outra vez para as ocultar.
- Ests muito contente por me veres? - perguntou.
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- Mais do que imaginas - respondeu com sinceridade.
- Wynfield disse que ficarias feliz. Disse que
me abraarias com todas as tuas foras, e  verdade.
Drew resistiu um pouco e ela soltou-o,deixando que desse um passo atrs.
- Cresceste meio metro - elogiou Sarah.
Realmente parecia mais alto. E mais velho.
Claro que podia dever-se ao facto de o ter constantemente ao seu lado,o que no lhe dava oportunidade de ver como crescia. Nem sequer
quando j no sou uma criana,tinham sido as
palavras mais frequentes em todos os seus comentrios.
- Olha - disse Drew,ignorando o seu elogio
hiperblico sobre o seu tamanho como demasiado ridculo para replicar. Mostrou-lhe uma
pequena vara de couro com o punho gasto. - Era
de Wynfield - explicou-lhe atrapalhadamente
pela emoo. - A sua primeira vara e deu-ma
como presente de Natal.
Levantou os olhos do seu tesouro,muito abertos pela incredulidade,esperando uma resposta
de semelhante assombro. Sarah no o teria decepcionado por nada deste mundo.
- A sua primeira vara? - perguntou em tom
devidamente maravilhado. Drew,assentiu com
solenidade. - Meu Deus - sussurrou.
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Esticou o brao e tocou no seu punho suave, deslizando os dedos com admirao pela sua superfcie.
-  exactamente do meu tamanho - explicou Drew.
- Parece que sim - corroborou Sarah.
- Tenho muita sorte, Sarah. No  verdade?
A pergunta quase se perdeu. Tinha estado a aguar o ouvido, desde a entrada sbita e precipitada de Drew, ao perceber o rudo de uns passos irregulares que, naquele 
momento, se aproximavam pelo corredor. Levantou os olhos da vara e por cima da cabea de Drew para centr-los na soleira. De novo, o seu corao comeou a bater 
desmedidamente e sentiu uma onda de calor hmido na parte inferior do seu corpo.
E ento, Wynfield apareceu na soleira da porta, com os seus ombros largos, enchendo-a quase por inteiro. Os seus olhos castanhos procuraram o seu rosto logo de imediato. 
Como Drew, tinha o rosto corado. Tirou o chapu, que segurava numa mo, e o seu grosso cabelo castanho estava quase to despenteado como o de Drew.

- Ol, Sarah - cumprimentou-a em voz baixa. Controlou a urgncia de se atirar para os seus braos com o mesmo mpeto de Drew e de lhe dizer como tinha sentido a 
sua falta e como tinha desejado ouvir pronunciar o seu nome. Limitou-se a perguntar:
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- Fizeram uma boa viagem?
Justin assentiu, quase imperceptivelmente, apertando um pouco os lbios antes de responder.
- Tendo em conta a estao.
- Aqui neva h trs dias - respondeu Sarah. Deu-se conta de que continuava de joelhos e apoiou-se no cho para se levantar. Os joelhos tremeram-lhe enquanto voltava 
a colocar-se atrs da mesa e se sentava na sua cadeira.
- Ento, pergunto-me como tero progredido os trabalhos em Wynfield Park - disse num tom
prtico.
- Receio que no tenha tido tempo de averigu-lo - reconheceu. E era verdade. Tinha estado muito ocupada.
Justin baixou os olhos para Drew, que estava a dar palmadinhas na esquina da secretria com
o lao da vara, apreciando o estalo. Em seguida voltou a olhar para Sarah.
- Como est o teu pai? - inquiriu, expressando com os olhos uma desculpa por no o ter perguntado antes.
- Muito melhor, obrigada. Costuma recuperar durante um tempo depois de...
- Fico contente - disse Justin.
Depois surgiu um breve silncio, interrompido unicamente pelos estalos da pequena vara. Sarah queria perguntar-lhe se se encontrava
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bem, mas era bvio que tinha muito melhor aspecto. Tinha averiguado, por alguns comentrios dos criados do conde, que tinha ido a Londres em busca de tratamento 
mdico. No sabia em que tinha consistido, mas tinha deduzido que talvez fosse por isso que no tinha usado o p artificial durante a sua estadia na cidade.
Naquele momento, tinha-o posto, portanto, raciocinou Sarah, devia sentir-se melhor. Resistiu  tentao de deslizar o olhar pela linha recta da sua perna das calas 
e concentrou-se na cor do seu rosto. Estava melhor. Ou no facto de j no estar to magro. Parecia-se muito mais com o homem que tinha sido antes de partir para 
Espanha. O seu Justin, pensou, o seu amado Justin.
- Penso que irei comprovar os seus progressos - anunciou.
Os seus. progressos? Os trabalhadores de Wynfeld Park, recordou.
- Claro - respondeu Sarah.
- Posso ir contigo? - inquiriu Drew.
- Desta vez, no - respondeu o conde, sorrindo. As suas palavras quase se ocultaram com o protesto de Sarah.
- Mas, acabaste de chegar - disse ao menino.
- No estivemos a ss nem um momento. No era o que tinha pretendido dizer. As suas palavras pareceram implicar que no lhe agradava a presena de Justin e, era 
o mais oposto 
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verdade. E ao seu corao. At os olhos de Drew se dilataram ao ouvi-la.
- Outro dia, Drew - prometeu Justin em voz baixa.

Antes que Sarah pudesse formular um protesto ou uma desculpa, Justin j se tinha virado. A soleira ficou repentinamente vazia e escutou os seus passos a afastar-se 
pelo corredor. A expectativa que tinha agitado o seu corao trans formou-se em frustrao.
- No te agrada Wynfield? - perguntou Drew.
- No queres que esteja connosco?
Fez um esforo para olhar para Drew em vez de olhar para a soleira por onde Justin tinha desaparecido. O rosto ardia-lhe com pesar e vergonha.
-  claro que sim - tranquilizou-o.
Drew examinou o seu rosto, procurando uma confirmao. No estranhava o seu cepticismo, dda a sua infeliz escolha de palavras. E se Drew punha em dvida os seus 
sentimentos, o que devia pensar Justin?
- Fico muito contente por terem voltado. Tive muitas saudades dos dois.
- Vai ensinar-me a montar.
- Imaginava que o faria - disse Sarah, sorrindo.
"E vai ensinar-te todas as coisas que deves saber. Coisas que te convertero no mesmo tipo de
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homem que ele . E se nada beneficiar com este casamento...
Interrompeu aquele pensamento, uma possibilidade que no queria reconhecer. Tendo em conta os impedimentos do espectro da sua antiga relao, era uma clara possibilidade.
Se nada mais beneficiasse com aquele casamento, obrigou-se a concluir, ento o lugar que Wynfield tinha ocupado na vida de Drew bastava para compensar o seu investimento. 
Todos
os seus investimentos.
- Ol!
Andrew levantou os olhos ao ouvir a voz do desconhecido. Estava a agitar a vara contra a cerca do curral, esperando Wynfield. J estava a entardecer naquele curto 
dia de Inverno, mas o conde tentava sempre regressar a Longford antes do anoitecer, j que no gostava de montar Estrela s escuras pelo bosque.
Um bom cavaleiro sempre protege os seus cavalos, tinha-Lhe dito. Drew tinha a certeza, portanto, de que Wynfield regressaria cedo. Poderiam voltar juntos para casa 
e perguntar-lhe-ia quando comeariam as suas aulas de equitao. Desejava que o conde viesse rapidamente, porque estava a tremer de frio apesar de ter o seu casaco 
mais grosso. Ento, o desconhecido tinha-lhe falado.
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- Ol - respondeu Drew.
O homem estava apoiado sobre a parede de um estbulo. No era um criado, as suas roupas eram demasiado elegantes. Pareciam inclusive mais elegantes que as de Wynfield, 
que era um conde.
- Tu s o Andrew? - perguntou o homem. Os seus olhos sorriam, como os seus lbios. Drew devolveu-lhe o sorriso, agradado pela forma como a sua pele se enrugava  
volta dos seus olhos. Eram de cor azul escura, como os seus. E como os de Sarah.
- Eu sou Andrew - corroborou. - Drew, se o
preferir.
- Prefiro muito mais.
O estranho afastou-se da parede e comeou a caminhar na direco da criana. Era to alto

como Wynfield; pensou Drew, mas... mais encorpado. Mais corpulento, corrigiu-se, observando como o homem avanava pela erva gelada. No coxeava como o conde, claro. 
Talvez isso significasse que no tinha sido soldado.
- Como se chama? - perguntou Drew, deixando por um momento de agitar a sua vara.
- David.
- Como na Bblia? - perguntou Drew. David riu. O som da sua gargalhada era to agradvel como o seu sorriso. Drew deu-se conta de que nem Sarah nem Wynfield riam
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muito. Na Vspera de Natal, sim, mas naquele dia no. Naquele dia...
- Receio que justamente como na BIblia - o homem estava de p ao seu lado, com a mo estendida e a palma para cima. -  uma boa vara. Posso v-la?
Embora o seu presente ainda fosse muito novo e especial, dado que tinha pertencido ao conde, as boas maneiras de Drew conseguiram superar momentaneamente o seu apego 
pela sua posse. Deixou a vara sobre a palma da mo e observou, fascinado, como os olhos do desconhecido voltavam a sorrir-Lhe antes de examin-la.
- Uma vara muito boa - disse finalmente. Eu tive uma muito parecida quando fui para a ndia com o exrcito.
- ndia! - sussurrou Drew.
- Foi h muito tempo - explicou David. Gostarias de saber coisas sobre a ndia?
- E sobre o exrcito! - exclamou Drew com os olhos muito abertos.
Sarah tinha-lhe dito que no falasse com WVynfeld sobre a guerra porque receava que isso o entristecesse, mas era bvio que aquele cavalheiro no se importava de 
falar sobre as suas experincias militares. Os seus olhos continuavam a sorrir-lhe.
- E sobre o exrcito,  claro - corroborou David facilmente, devolvendo-lhe a vara. Os pequenos dedos enluvados de Drew fecharam-se sobre o punho, contemplando o 
rosto do seu novo amigo. Outro soldado", pensou com excitao.
- Conhece Wynfield? - perguntou-Lhe.
- O conde? Penso que no tive esse prazer.  teu amigo?
Drew assentiu e virou a cabea, esperando ver Estrela a qualquer momento com Wynfield sobre o lombo. No entanto, o caminho que partia do bosque estava muito escuro. 
E continuava vazio.
- Poderamos falar noutro lugar? - perguntou David. - Aqui fora est um pouco frio. Embora no tanto como nas montanhas do Tibete. L  que faz frio. Claro que era 
o contraste com o ca lor o que o tornava pior, suponho. Na ndia faz
um calor horrvel durante o Vero. Caramba, lembro-me de uma campanha... - David hesitou na sua reminiscncia, dirigindo o seu olhar para os estbulos.
Os criados dos estbulos estariam ali, Drew sabia, esperando, como ele, o regresso de Wynfeld.
- Est calor nos estbulos - sugeriu Drew. H sempre lume aceso no compartimento dos cavalos.
David voltou a pousar o olhar no seu rosto.
- Ento deverias estar l dentro. Ou em casa disse-Lhe. - Fiz-te ficar aqui fora mais tempo do
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que o necessrio. Receio que Sarah no me v perdoar por isso.

- Sarah sabe que venho para aqui - disse Drew. David riu-se.
- A fugir das suas saias? Muito bem! Por alguma razo, Drew sentiu-se ferido pela sua gargalhada, apesar do elogio que lhe deu. Fazia com que parecesse ainda uma 
criana, como se continuasse a agarrar-se a ela como estava acostumado a fazer dantes.
- No preciso de fugir! - protestou Drew. - Venho aqui todas as tardes esperar Wynfield.
- Ento ests  espera do conde? Ser melhor que no te afaste do teu dever - disse David. Sorrindo, juntou os calcanhares e fez-lhe uma elegante saudao. - Falaremos 
outro dia quando no estiveres to ocupado.
- Ia falar-me sobre a ndia - recordou-lhe Drew.
- E falarei, mas... - os lbios bem formados franziram-se um pouco. - Esta noite no. Tu esperas pelo conde se for esse o teu desejo. Eu conto-te as minhas histrias 
noutro dia.
- Quando? - perguntou Drew.
- Amanh  tarde? - sugeriu o seu novo amigo.
- Se estiveres livre - Drew assenti ansiosamente, com os olhos brilhantes. - H braseiros na estufa - acrescentou David. - Ali no passaremos frio. Sabes onde ?
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- Junto  barraca do jardineiro.
- Devia imaginar que um rapaz como tu conheceria todos os recantos deste lugar - disse-lhe.
- Espero-te amanh s quatro na estufa. Se vieres, contar-te-ei tudo o que sei sobre essa campanha, alm de outras coisas que tu gostarias de saber sobre a ndia.
- Est bem - aceitou Drew.
Os dedos longos de David introduziram-se no bolso do seu colete. Tirou um relgio e soltou-o da sua corrente.
- Sabes ver as horas, Drew? - perguntou-lhe.
-  claro. J no sou uma criana, sabe?
- No, no s - corroborou David em seguida. - Com isto, sabers exactamente quando ir ao nosso encontro.
Estendeu-lhe o relgio, mas Drew no esticou a mo. Nunca tinha tido um relgio, embora soubesse ver as horas. Sarah tinha-lhe ensinado.
- Vs esta marca? - perguntou David, inclinando-se para lhe mostrar uma pequena ruga no metal. -  a marca de uma bala - disse-lhe em voz baixa, com a voz quase 
to impregnada de assombro como a de Drew. - Este relgio salvou-me a vida. Portanto, como poders imaginar,  uma das minhas posses mais apreciadas. Cuida bem dele, 
Andrew. Mas claro, tenho a certeza que o fars. Afinal de contas, j no s uma criana.
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-Incapaz de resistir, Drew pegou no relgio de bolso da mo do estranho antes de olhar para o homem que lhe tinha confiado o objecto que lhe
 tinha salvo a vida. David continuava a sorrir, inclusive com os olhos.
- At amanh - recordou-lhe. - Um encontro - secreto. Um encontro s entre tu e eu. No o vamos contar a ningum, nem sequer a Sarah. Parece-te bem, Andrew, que 
seja o nosso segredo?

Drew assentiu, escutando distraidamente, com os olhos postos de novo no tesouro que lhe tinham confiado. Deixou a vara no alto da cerca e, segurando o relgio com 
cuidado na mo direita, deslizou o polegar da sua esquerda lentamente pela marca.
A marca de uma bala", pensou. E teria um nencontro secreto, como os soldados. Imaginou
os batalhes vestidos de vermelho diante do inimigo. Quase podia sentir o rufar dos tambores e ver os estandartes ondeando no ar trrido e poeirento da ndia. David, 
o seu novo amigo, tinha
 estado l; e estava disposto a contar-lhe tudo.
Quando Drew voltou a levantar os olhos, deu-se conta de que era quase de noite e de que a pradaria do estbulo estava vazia. O estranho tinha-se ido embora, como 
se tivesse desaparecido entre as sombras.
David tinha razo, pensou, tremendo outra vez. Estava muito frio ali fora. E no havia luz
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suficiente para examinar o relgio e a marca dei xada pela bala.
Regressaria a Longford, decidiu. Tambm poderia esperar por Wynfield l. Daquela forma, Sarah no se preocuparia se o procurasse para o jantar.
Desejou poder falar com algum sobre o relgio, poder mostrar-lho a Sarah. Ou melhor ainda, a Wynfield, que, sem dvida, reconheceria que se tratava de um relgio 
militar. Mas no podia faz-lo, claro, tinha jurado guardar segredo. Um segredo militar. Como o encontro do dia seguinte, no qual David lhe contaria tudo sobre a 
ndia.
Andrew comeou a atravessar o curral, mas antes de chegar  porta, j estava a correr, com o relgio cuidadosamente protegido na mo direita. A vara que Wynfield 
lhe tinha dado no Natal, que com tanto entusiasmo tinha mostrado a Sarah no dia anterior, jazia esquecida no alto da
cerca.
Sarah tinha esperado alguma notcia de David Osbome desde o seu regresso a Longford. At tinha perguntado ao senhor Samuels quanto capital havia disponvel, prevendo 
a sua visita. E tinha-se assustado ao ouvir a resposta. Estava ao
corrente das quantidades de dinheiro retiradas
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por Justin, mas no se deu conta do pouco que ficava nas contas.
 medida que passavam os dias sem receber notcias de Osborne, a sensao de medo e receio comeou a diminuir. Tanto que, quando Sarah recebeu a sua carta, duas 
semanas depois de Drew e Justin regressarem de Londres, quase foi uma comoo voltar a saber dele. Sups que o passar do tempo a tinha arrastado para uma falsa sensao 
de segurana. Isso e o facto de Justin estar de volta.
No havia mais exigncias na carta do que um encontro que no devia ser em Longford mas no bosque que percorria o limite oriental do terreno.
Havia uma pequena clareira do outro lado do riacho onde, conforme lhe tinha confiado Amelia
 numa ocasio, David e ela se encontravam nas semanas prvias  sua fuga.

Sarah compreendia por que razo Osborne no queria arriscar-se a tropear em Justin. No entanto, no gostava muito da ideia de se reunir com ele num lugar to isolado. 
Claro que no via como podia evit-lo, dado que David no lhe tinha dado nenhuma indicao sobre o seu paradeiro ou a forma de contactar com ele. A sua mensagem 
dava por feito que faria o que lhe dizia.
E teria que faz-lo, no tinha escolha. Iria ao encontro e escutaria as suas exigncias e depois
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teria que encontrar uma forma de lhe dar o que quisesse. Estava desesperada por expulsar das suas vidas a ameaa que David Osborne representava. Pelo menos, at 
 prxima vez que ficasse sem dinheiro, pensou com amargura. E talvez ento.
Ergueu os olhos da carta e pousou-os na soleira do seu escritrio. Recordava Justin ali de p, olhando para ela fixamente. Talvez quando Osborne voltasse para receber 
outro pagamento, tivesse algum ao seu lado que pudesse pr fim quela chantagem.
Sarah atou o capuz da sua capa de l  volta
do rosto,tentando proteger o pescoo e a cara do
vento gelado. David estava atrasado e as sombras do bosque abanavam em seu redor. Ao princpio pensou em ir a cavalo ao seu encontro e,
naquele momento, medida que a luz comeava
a diminuir,desejou t-lo feito.
Tinha metido uns quantos mantimentos da cozinha numa cesta de vime e tinha dito  senhora
Simkins que ia visitar um dos seus arrendatrios
mais idosos. Se a governanta tinha achado estranho que fizesse uma visita de caridade quela
hora to tardia,graas a Deus,tinha mantido a
boca fechada.
Sarah tinha deixado a pesada cesta no cho
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enquanto esperava. Cruzou os braos sobre o peito, com os ombros cansados sob a capa. Os seus olhos escrutinaram o bosque em redor da clareira. Estava impaciente 
por acabar com aquilo. Impaciente por descobrir as turvas intenes de David Osborne.
- Ah, Sarah. Devia ter imaginado que serias pontual.
Era como se, ao pensar nele, o tivesse conjurado. Virou-se na direco da sua voz e surpreendeu-o apoiado contra o tronco de um carvalho, com as mos na cintura 
e com os tornozelos graciosamente cruzados.
Uma pose certamente praticada, pensou com cinismo. Mesmo assim, tinha que reconhecer que estava elegante. No estranhava que tivesse podido seduzir a sua irm. Era 
atraente e demasiado organizado... e interessado unicamente em si mesmo, recordou.
- O que queres? - desafiou-o, mantendo a voz to frigida como o ar de Janeiro.
- J sabes o que quero, Sarah. Penso que fui muito claro no nosso encontro anterior. Quero o neu filho.
- No ests interessado em Andrew. Nunca estiveste.
- No te precipites a julgar-me, Sarah. O que te faz pensar que no albergo sentimentos para com o rapaz?
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- Talvez porque no quiseste saber nada dele desde que nasceu - a rplica era deliberadamente mordaz, embora no tivesse levantado a voz.

- Estou disposto a emendar a minha incons cincia. Deverias aplaudir-me, diria eu, dado que te dedicaste a criticar to livremente a minha relao anterior com Drew.
- No tiveste nenhuma relao anterior com ele - disse Sarah.
- Agora pretendo corrigi-lo - replicou Osborne com fluidez.
- Quanto?
- Quanto? - repetiu Osborne,como se no fizesse ideia do que Sarah estava a dizer.
- Para que te vs embora. Para que deixes
Drew em paz. Quanto dinheiro  preciso para
que nos deixes em paz?
- Sarah - disse David,num tom cheio de perplexidade e desolao,claramente fingidos. Os
seus olhos reflectiam regozijo. - Pensei que te
agradaria o meu desejo de conhecer o meu filho.
- Porqu? - perguntou. - No s o tipo de homem que quero que o meu filho conhea. Nem
sequer quereria que conhecesse a tua existncia.
- Suponho que preferes a adorao que sente
pelo conde.
- Por Wynfield? Sim,prefiro. E  oportuno,
porque Drew adora-o mesmo.
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David sorriu.
- Que pena ento, que o conde no seja o pai de Andrew. E no o , Sarah. No pretenders negar isso?
Sarah hesitou, consciente de que no podia. David tinha provas da sua paternidade. E os tribunais ver-se-iam obrigados a consider-las.
- Tu no queres estar preso a uma criana - afirmou. - Por que no me dizes o que queres? Assim poderemos pr fim a esta farsa.
David riu-se e o som vibrou no ar, crispando-lhe os nervos. De repente, afastou-se da rvore e com algumas passadas largas, colocou-se frente a ela.
- No podes permitir-te que me zangue, Sarah
- disse-lhe. - Desta vez eu tenho-vos todos apanhados. E no h ningum que possa impedir-me de fazer o que quiser convosco. Nem o teu pai demente nem o teu marido 
to nobremente mutilado.
Sarah apertou os lbios para conter a rplica que queria dar. Olhou para ele, tentando com todas as suas foras no reflectir o medo que sentia.
- Diz-me o que queres - pediu outra vez.
- Algo que quis h mais de cinco anos. Como Sarah tinha apenas pensado em dinheiro, o seu movimento tomou-a de surpresa. David deu um passo adiante e rodeou-lhe 
as costas com o brao para apert-la bruscamente contra ele. Com a outra mo segurou-a pela nuca, imobilizando-a.
Ao princpio, a surpresa impediu-a de reagir e quando compreendeu o que pretendia, j era de masiado tarde para resistir. Os seus braos tinham ficado aprisionados 
entre as dobras da sua capa e o trax robusto de David e quando baixou a cabea, viu que ainda estava a sorrir.
Os lbios de David capturaram os seus. Sarah tentou afast-lo com as palmas das mos, mas no tinha fora sufiiente e David limitou-se a aumentar a presso da sua 
boca, obrigando-a a atirar a cabea para trs at que lhe caiu o capuz.

O sopro do ar frio gelou-a, parecia que al gum lhe tinha atirado um balde de gua gelada. Incitou-a a resistir com mais frenesi. Finalmente, conseguiu tirar as 
mos das dobras da sua capa e comeou a dar-lhe murros na cara e na cabea.
Finalmente, David soltou-a e ergueu o brao para se proteger dos murros. Tinha os olhos brilhantes de regozijo, mas tinha-se visto obrigado a recuar.
- No mudaste nada, Sarah - disse, rindo-se da sua indignao. - Continuas igualmente inocente.
Corando, com a mo na garganta, Sarah percebeu como mudava a sua expresso. Mas nunca ningum tinha acusado Osborne de falta de astcia Nem de no conhecer as mulheres.
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- Cus - continuou. - Continuas a ser inocente, no ?
Sarah quis bater-lhe outra vez; apagar aquele sorriso sagaz do seu rosto, destruir as palavras que pareciam ter ficado suspensas entre eles. - E pergunto-me porqu 
- acrescentou num tom reflexivo. Quase parecia que se preocupava. Como se realmente quisesse sab-lo. - Quanto queres? - perguntou-lhe Sarah. Estava a ofegar como 
se tivesse estado a correr, mas era da fria.
- Por que razo o teu marido no te beija, Sarah? Que tipo de casamento tens com o teu conde galante, querida?
Sarah no sabia o que dizer. Mais tarde compreenderia a gravidade do seu erro, mas o desconcerto impedia-a de dar alguma explicao. E ao ver que no respondia, 
David tirou as suas prprias concluses.
- Por isso estavas disposta a reunir-te aqui comigo. s o tipo de mulher que precisa de ser beijada, muito e com frequncia. O tipo de mulher apaixonada que a pobre 
e frgil Amelia, por muito que o tentasse, nunca pde ser.
- No fales da minha irm - avisou-o.
- Tens razo - disse em tom complacente. Tu s muito mais interessante. Sempre o foste. Mas estavas to apaixonada pelo teu soldado...
Interrompeu-se, estudando o seu rosto, que estava rgido no s do frio e da irritao, mas
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tambm dos seus esforos por no revelar os seus sentimentos. David usaria qualquer arma que lhe desse.
- E continuas a estar - continuou numa voz impregnada de surpresa eespeculao. - E no entanto, por alguma razo... - de repente, a perplexidade do seu rosto limpou-se 
e voltou a rir-se num tom trocista. - No lhe disseste - revelando
a sua concluso. - Como toda a gente, pensa que Drew  o teu querido e pequeno bastardo. E no o desmentiste porque no queres manchar o precioso nome de Amelia. 
Meu Deus, ds-te conta de como isto  divertido?
- Basta! - gritou Sarah com voz dura e fria. - E levado pela sua legtima nobreza, Wynfield no quer tocar- te porque pensa que j foste usada. Merecem-se um ao 
outro. Os dois so demasiado virtuosos para o seu prprio bem
- acusou-a, rindo-se outra vez. - E por isso ests to vida de carcias.
- Das tuas no! - clarificou, sem se incomodar em negar o resto.
- Porque o teu amado pensa que s uma...

- continuou, ignorando o seu insulto. Naquele momento, Sarah odiou Osborn quase tanto como o tinha odiado quando tinha abandonado Andrew na Irlanda. Quase como quando 
Amelia tinha morrido sozinha, salvo pela sua presena.
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- A minha vadia - acrescentou em voz baixa. Algo estava a acontecer, uma ideia estava a formar-se no seu crebro, mas Sarah no sabia o que era. A nica coisa que 
sabia era que o seu instinto no se tinha enganado. No devia ter ido ao encontro de David Osborne. Tinha sido uma estpida ao expor-se daquela forma ao seu poder.
- Ento eu tinha razo - insistiu. -  verdade que compraste um marido. Mas no conseguiste o que esperavas, pois no, Sarah? Deves estar muito decepcionada.
De novo a sua voz reflectia um genuno regozijo.
-  a ltima vez que te pergunto - avisou Sarah. - Quanto  preciso para que te vs embora?
- E  uma pena que tudo isto se estrague. Levantou a mo e com um longo dedo enluvado em suave pele de bezerro, riscou uma linha pelo seu rosto, da extremidade do 
olho at ao canto dos seus lbios e, depois, lentamente pelo seu lbio inferior. Sarah apanhou a sua mo com inteno de empurr-la, mas David era demasiado forte 
para ela. Fechou os dedos em torno dos seus e levou-os aos lbios. Beijou-Lhe o dorso da mo e em seguida, sorrindo, soltou-a.
- Entrarei em contacto contigo, doce Sarah - prometeu-lhe em voz baixa. - Asseguro-te de que entrarei em contacto.
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David virou-se e atravessou a clareira, desaparecendo na mesma escurido de onde se tinha materializado. Atrs de si, Sarah respirou tremulamente. Estava to furiosa 
que todo o seu corpo tremia. De novo, tinha-a vencido. Apesar do seu ultimato, no tinha feito nenhum progresso nas suas tentativas de se livrar de David Osborne.
Tinha voltado de Londres h quase duas semanas, pensou Justin, enquanto conduzia Estrela
ao entardecer pelos bosques que uniam as duas propriedades e, em todo esse tempo, quase no tinha visto Sarah.
Tinha respeitado os termos do seu acordo, regressando a Longford cada tarde. No entanto, durante as breves horas de luz dos dias de Inverno, tinha-se entregue s 
reformas que estavam a acontecer na sua propriedade. Enquanto
fiscalizava as obras, no tinha que pensar no seu casamento. Nem em Sarah.
Continuava sem entender o que tinha acontecido em Londres naquela noite. Teria apostado a sua vida pelo que tinha visto nos olhos de Sarah, um momento antes de a 
beijar. Teria jurado sobre a sua alma imortal que ela tinha desejado aquele beijo.
Tinha apostado, reconheceu tristemente, que no momento em que os seus lbios se fecharam
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sobre os seus, no momento em que ela se entregou nos seus braos, tinha perdido.
Tinha-se apaixonado por Sarah Spenser uma vez e ela tinha-o trado. Portanto, tinha aceite casar-se com ela com os olhos abertos, achando que o que queria dele era 
exactamente o que tinha combinado: que guiasse Andrew e favorecesse a sua aceitao na sociedade. Nada mais.

Depois, quando tinha feito a sua apario em Londres, tinha acreditado que Sarah desejava algo mais. Algo relacionado com as emoes que h anos tinham surgido com 
tanta fora entre eles. Apesar de saber que j numa ocasio tienha preferido outro homem, Justin tinha cado na mesma armadilha. A armadilha de pensar que Sarah 
Spenser sentia algo por ele. E aparentemente, tinha voltado a enganar-se.
De repente, percebeu vozes distantes. As palavras eram confusas, mas o tom era suficientemente alto para se propagar pelo ar frio. Puxou as rdeas para abrandar 
Estrela e perguntou-se se os rapazes da povoao se teriam aventurado de novo pelo bosque.
Pelo menos, Drew no estaria por ali, pensou com alvio. Em seguida compreendeu, com imensa surpresa, que tambm j no via muito o rapaz. Em Londres tinham estdo 
juntos quase constantemente, mas desde o seu regresso a
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Longford, Drew parecia ter encontrado outras ocupaes.
Nem sequer lhe tinha perguntado sobre as au las de equitao que com tanta nsia queria comear. E j no esperava nos estbulos todas as tardes pelo seu regresso. 
Perdido nas suas prprias perplexidades sobre a sua relao com Sarah, Justin no tinha questionado a ausncia do
pequeno.
Aproximou-se a cavalo para ver parte da clareira, atravs das frestas que deixavam os troncos altos e direitos das rvores nuas. Deteve o seu cavalo e entreabriu 
os olhos para a luz de crescente para identificar a fonte daquelas vozes.
Tratava-se de uma mulher, e no dos rapazes da povoao, pensou enquanto aproximava Estrela com cuidado, embora continuassem ocultos pelas rvores. Tinha uma capa 
que dissimulava a sua figura, mas o capuz tinha cado para trs. Inclusive na penumbra pde distinguir que tinha. cabelo loiro. E o contorno familiar do seu perfil 
clssico.
A primeira coisa em que pensou foi que Sarah e Drew tinham sado para esperar por si. Mas depois, ao ver a outra figura, por uma fresta do matagal que o separava 
da clareira, compreendeu que a pessoa que estava com Sarah no era Drew.
Justin desmontou com movimentos furtivos,
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mais por instinto que por premeditao. Deixou Estrela atrs e aproximou-se do casal, que parecia absorvido na conversa. As suas vozes tinham ficdo reduzidas a 
sussurros e no podia distinguir o que diziam.
Justin no reconheceu o acompanhante de Sarah, nem sequer quando estava suficientemente perto para vislumbrar os seus traos. Enquanto os observava, o desconhecido 
acariciou o rosto de Sarah, deslizando um dedo lentamente pelo seu rosto e depois pelos seus lbios, um gesto de evidente ternura.
Sarah apanhou os dedos dele com os seus, e o homem levou-os unidos aos lbios, dando-lhe um beijo no dorso da mo. Em seguida, virou-se e desapareceu no bosque em 
sombras.
Sarah ficou perfeitamente imvel por um momento, com o olhar fixo no lugar por onde tinha desaparecido o seu acompanhante. Justin tambm no se moveu... quase no 
respirou enquanto a repulsa cobrava forma no seu estmago.
Incapaz de continuar a olhar mais, fechou os olhos, controlando uma onda de desolao e de desespero mais intenso que qualquer outra que tivesse conhecido.
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Onze
Quando Sarah regressou a casa, ainda estava a tremer. No sabia se era pelos rescaldos da sua fria ou pelo frio. Qualquer das duas teria sido desculpa suficiente.
Encarregou um criado que notificasse a senhora Simkins da sua chegada e foi refugiar-se
nos seus aposentos para analisar o que tinha acontecido. Tinha subestimado penosamente a
sua capacidade de conduzir Osborne e, como resultado, David tinha adivinhado aspectos muito
ntimos do seu casamento. Sarah no duvidava de que utilizaria aquelas revelaes da forma que melhor o pudesse beneficiar. David Osborn no se importaria com quem 
fosse prejudicado desde que conseguisse o que queria.
Sobressaltou-se ao ouvir que batiam  porta. Talvez fosse Drew, querendo contar- Lhe aventuras daquele dia. Mas j no o fazia h dias.
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Sem dvida, estaria a fazer aquelas revelaes a Justin. Ela adorava como tinham estreitado os seus laos desde que tinham ficado juntos em Londres, mas sentia falta 
do pequeno. Sentia falta da cumplicidade que sempre tinham tido.
Quando abriu a porta, a senhora mkins passeou o olhar pelo quarto antes de dirigir-se a Sarah.
- Ento o pequeno no est consigo, miladydeclarou.
- Drew? - inquiriu Sarah. A sua pulsao acelerou-se e deixou-se dominar pela angstia ao ver a expresso da sua governanta.
- No veio jantar - disse a senhora Simkins. - E no est na creche. Pensei que poderia estar aqui - a governanta passeou novamente o olhar pelo quarto, como se 
esperasse ter-se enganado na sua primeira inspeco.
- Deve estar com o conde - sugeriu Sarah. Drew sempre esperava Wynfield e, embora fosse mais tarde que a hora a que Justin estava acostumado a regressar...
- O conde tambm no voltou - a governanta destruiu aquela possibilidade reconfortante. Perguntei ao seu criado antes de vir v-la.
Sarah olhou para o relgio do suporte da lareira. Eram seis e meia, mas j tinha escurecido h mais de uma hora. E conhecia os costumes de Justin to bem como a 
senhora Simkins.
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- Mandou algum procur-lo aos estbulos? Talvez o tenham retido l e Drew esteja  sua espera.
- Ocorreu-me perguntar primeiro se estava consigo. Posso enviar um criado aos estbulos.
Sarah pegou na capa que estava no encosto da cadeira onde a tinha deixado ao entrar.
- Irei eu mesma. Certamente encontr-lo-ei pelo caminho - disse num tom tranquilizador, embora o seu corao continuasse a palpitar descontroladamente. - Por favor, 
no se preocupe, senhora Simkins. E prometo- lhe que falarei com Drew sobre o seu atraso.
- No ralhe com o menino por mim, milady. O seu jantar pode esperar.  que est uma noite to fria... - as palavras da governanta ficaram suspensas no ar, a sua 
preocupao evidente nos seus olhos escuros.
- No viram o rapaz,milady - disse o criado

dos estbulos,depois de interrogar os seus rapazes. - Nem o rapaz nem o conde estiveram aqui
esta tarde.
- Ento vou precisar da carruagem para ir a
Wynfield Park - declarou. - No se preocupe,
Riley. Tenho a certeza que Andrew est com o
senhor.
De novo surpreendeu-se ao tranquilizar outros quando a sua inclinao era deixar-se levar pelo pnico. No entanto, recordou todas as vezes que Drew tinha cruzado 
os limites da propriedade sem a sua permisso. Era evidente que o tinha feito outra vez. Certamente porque Justin se tinha atrasado e Andrew tinha comeado a preocupar-se.
- Procurem na propriedade, Riley - ordenou Sarah. - S para termos a certeza. E faa-o saber a Wynfield se o encontrarem:
No podia culpar Sarah por ter sido um estpido, concluiu o conde de Wynfield finalmente. Tinha demorado duas horas e vrios copos para chegar quela concluso. 
Estava satisfeito, no s porque era precisa, mas eminentemente razovel. Afinal de contas, sabia perfeitamente como era Sarah Spenser. O que lhe tinha feito h 
cinco anos era prova suficiente.
E desde o comeo tinha-lhe dito exactamente o que desejava daquele casamento. Tinha sido uma oferta estritamente de negcios. Faz com que o meu filho seja aceite 
na sociedade, ensina-o a ser um cavalheiro, e pagarei as tuas dvidas".
Qualquer um o teria entendido assim, pensou Justin enquanto se servia de outro copo - o excelente conhaque francs do seu pai. Estava to encantado
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com aquela mulher que estava disposto
a perdoar-Lhe as suas indiscries passadas. Disposto a fazer seu o seu filho bastardo. Disposto a
despir a sua alma... e o seu corpo,pensou Justin
com amargura... para o seu regozijo.
E,sem dvida,Sarah ter-se-ia regozijado ao
ver como o tinha conquistado. E assim era. Tinha estado a suspirar por Sarah como um adolescente apaixonado,enquanto que ela j tinha seleccionado o seu prximo 
amante.
Baixou o copo vazio e colocou-o com cuidado
sobre a mesa,ao seu lado. Com cuidado porque
nem a sua mo nem a mesa pareciam firmes. S
se tinha entregue  bebida duas vezes nos ltimos seis meses e no tinha demorado para se recordar do que era estar embriagado. brio,como
tinha dito Sarah. S que agora,estava mesmo.
No entanto,no tinha obtido o que queria.
Ainda no tinha destrudo a sua capacidade de
pensar,ou de recordar. As imagens da clareira,
to vvidas e dolorosas como h umas horas,
continuavam na sua cabea. O homem beijando
o dorso da mo de Sarah,acariciando o seu rosto
com um dedo longo e enluvado. Tocando em Sarah como se tivesse esse direito. Na sua Sarah.
Salvo que nunca o tinha sido,claro. Nunca tinha sido a sua Sarah. A ideia de que sentia algo
por ele era a sua prpria fantasia,o seu equvoco.
No o tinha amado,nem h cinco anos nem...
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A ideia foi repentina, erguendo-se na sua conscincia nublada pelo lcool. No entanto, quanto mais a considerava, mais sentido tinha. Tinha suposto que durante a 
sua ausncia, Sarah poderia ter encontrado um novo objecto para os seus afectos, mas parecia-lhe muito mais provvel que o homem da clareira e o homem a quem Sarah 
se tinha entregue h cinco anos fossem a mesma pessoa.
O pai de Andrew? Justin recriou os traos do desconhecido, que quase no tinha conseguido discernir ao entardecer. E depois, com a mesma deliberao, destruiu-os. 
Andrew era um Spenser da cabea aos ps. Parecia-se muito mais com Sarah do que com o estranho. E no havia forma de provar a teoria de Justin.
Talvez essa fosse a razo pela qual no tinha visto Andrew com frequncia nas ltimas duas semanas. Talvez Drew estivesse ocupado a criar laos com o seu verdadeiro 
pai... e Sarah tambm, pensou ao recordar a cena da clareira. Rodeou o pescoo da garrafa com a mo e serviu-se de outra dose de conhaque no copo. Em Londres tinha 
bebido o Porto porque a sua cabea se encheu com pensamentos de fazer amor com Sarah. E naquela noite...
Seria melhor no pensar nas razes pelas quais estava a beber naquela noite. Era melhor no pensar absolutamente. Com aquele objectivo, o conde de Wynfield aproximou 
o copo dos
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lbios e depois, fechando os olhos s imagens que no deixavam de tortur-lo, esvaziou o seu contedo.
Na casa reinava tanta escurido que Sarah perguntou-se se Justin teria despachado os seus criados enquanto as reformas durassem. Finalmente, algum abriu a porta 
e outra pessoa correu para chamar Blevins. Sarah permaneceu no
vestbulo, como Drew e ela tinham esperado juntos na entrada da residncia londrina do conde. Parecia destinada a bater s portas do conde, pedindo para ser recebida.
- Lady Wynfield - disse Blevins. Sarah levantou os olhos e viu o idoso a observ-la do extremo oposto do vestbulo.
- Estou  procura do meu filho adoptivo, Blevins - explicou-lhe. - Penso que veio ver o
conde.
- Receio que a devem ter informado mal, milady. No houve nenhuma visita esta tarde. Salvo a sua,  claro.
- Andrew no est aqui? - perguntou. Todas as palavras de consolo que tinha empregue comearam a perder fora.
- Receio que no, milady.
- Ento eu gostaria de ver o conde - anunciou-lhe.
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- Penso que o senhor... est indisposto. A resposta do mordomo parecia carregada de genuno pesar. No entanto, Sarah comeava a sentir- se como em Londres: deslocada 
e recusada. Talvez devesse recorrer  mesma soluo.
- Receio que devo insistir para que me leve ao meu marido - declarou em voz baixa.
Blevins estudou-a um momento antes de inclinar a cabea.
- Se tiver a amabilidade de me acompanhar, milady - disse-lhe.
Blevins tinha-a conduzido  biblioteca, compreendeu Sarah. A sala estava iluminada por uma nica vela, que se erguia sobre uma mesa junto a uma poltrona gasta. Os 
dois mveis estavam colocados de forma acolhedora diante do fogo, mas a lareira estava vazia, salvo por um monte de cinzas cinzentas e frias.

Passeou o olhar pela diviso, que parecia estar igualmente vazia. J se estava a virar para perguntar a Blevins por que a tinha levado ali, quando o mordomo saiu 
para o corredor e fechou a porta atrs de si. Sarah exalou o ar que tinha inspirado e de novo contemplou a diviso, escrutinando as sombras com mais ateno. - Justin? 
- chamou-o em voz baixa:
Era uma pergunta, porque j tinha decidido
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que Blevins devia ter cometido um erro. Acabava de colocar os dedos na maaneta da porta
quando uma mo emergiu da escurido e a agarrou pelo pulso. Segurando-a com fora, Justin
puxou-a para a aproximar dele. Surpreendida
pela sua conduta to fora do comum, Sarah tentou soltar-se. Justin fez mais fora.
- O que fazes aqui? - perguntou em voz
muito baixa.
Estava to perto que podia cheir-lo. Um
aroma composto de amido e couro e sabo de
sndalo que sempre usava. Completamente masculino e tentador,sobretudo para ela. E impregnando aquelas fragrncias havia um rasto de conhaque. Justin tinha estado 
a beber e certamente
era a isso que Blevins se tinha referido ao dizer
que estava indisposto".
- Suponho que,na verdade,no importa por
que vieste - continuou antes que tivesse tempo
de formular uma resposta. - Renunciei a entender os teus porqus. So demasiado obscuros e
intrincados. Talvez esse tenha sido sempre o
problema entre ns.
- O problema? - sussurrou.
Tinha os olhos escuros,contornados pelas
pestanas longas e grossas. No entanto,quando
seus olhos se adaptaram  penumbra do quarto,
distinguiu melhor os seus traos. O seu sorriso
era to trocista como o de David... uma expresso
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que nunca tinha visto no seu rosto. E sentiu medo.
- Nunca entendi o que querias de mim - confessou-lhe. Sarah moveu a cabea, sem compreender do que estava a falar. Olhou para ele, receosa do que havia nos olhos 
dele, mas imobilizada pela emoo profunda das suas palavras.
- Mas se isto  o que queres, Sarah... se isto for o que sempre quiseste...
Inclinou-se tanto que sentia o seu flego sobre o seu rosto. E o aroma de conhaque era excitante, como o toque da sua mo, com os seus dedos fortes e ligeiramente 
calosos em torno da sua cintura, em atitude possessiva. Nunca tinha visto Justin assim. Sempre tinha sido o cavalheiro perfeito, saLvo naquela noite em Londres. 
Tinha fugido dele naquela ocasio e tinha-o lamentado depois.
- Nesse caso, no vejo por que no posso ser to complacente como qualquer outro homem - concluiu com suavidade.

Sarah no recordava com exactido o que tinha dito antes mas aquelas palavras pareciam fora de contexto e o seu tom quase acusatrio. Justin segurou no seu outro 
pulso e empurrou-a contra a porta. Continuava a olhar para ela com intensidade, quase desafiando-a a resistir. Mas no desejava resistir, s de deixar que aquilo 
seguisse o seu curso, como com frequncia tinha
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desejado que acontecesse naquela noite em Londres.
Depois,comeou a descer a cabea e com o
primeiro roar dos seus lbios no seu pescoo,
Sarah perdeu toda a sensao de inquietao. Fechou os olhos e atirou a cabea para trs,
apoiando-a na porta. Respirava com agitao.
Justin deslizou a lngua languidamente pela
pele suave sob o seu queixo e pela sua garganta
at que encontrou a barreira da gola alta da sua
capa. Soltou o seu pulso direito e,com uma mo,
desfez o lao,abrindo a capa com os dedos. Sarah lanou uma exclamao quando Lhe tocou na
pele com o polegar,deslizando-o pelo decote do
seu vestido. Tinha a mo quente em contraste
com o frio da sua pele e os seus movimentos
eram deliberados.
Sarah afundou a mo livre no seu cabelo. Era
como seda e frisava-se em torno dos seus dedos
como o cabelo de Drew. To quente e vivo como
a boca de Justin,que tinha retomado a lenta carcia do seu polegar.
-  isto que queres? - sussurrou. Tinha os lbios to perto que as palavras deixaram um rasto
de humidade na sua pele. No podia responder;
perdida como estava na onda de sensaes. Responde-me; Sarah - exigiu-lhe. -  isto que
queres de mim?
- Sim - sussurrou,compreendendo que assim
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era. O medo que tinha sentido em Londres tinha desaparecido, afogado por aquele desejo intenso. Necessitava das carcias de Justin como tinha necessitado da sua 
fora.
A sua boca j tinha descido para o espao entre os seus seios. Nenhum homem a tinha tocado assim. Tremiam-lhe os joelhos e um fogo abrasador propagava-se pelo seu 
corpo, acendendo terminaes nervosas que tinham permanecido adormecidas durante toda a sua vida. At aquele momento. At s carcias de Justin.
Justin encontrou o seu seio com a mo e fechou-a em torno da sua redondez. A firmeza dos seus dedos parecia quase to ertica como as carcias da sua lngua. Com 
atrevimento, Sarah pousou a mo na sua camisa e o tecido engomado foi ligeiramente abrasivo sob as pontas sensveis dos seus dedos. Moveu-os sobre os contornos firmes 
do seu trax, reconhecendo a sua fora em contraste com o seu prprio corpo. Os seus dedos exploraram at encontrarem. o pequeno relevo do seu mamilo.
Ouviu como continha o flego. Gostou de ouvi-lo, portanto, continuou a mover os dedos, sentindo como o mamilo se endurecia sob as suas carcias.
Justin soltou a sua outra mo com a mesma brusquido com que a tinha agarrado. Antes que Sarah pudesse compreender o que se passava,
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Justin recuou, separando o seu trax ao mesmo
tempo que com as ancas a empurrava contra a
parede, aprisionando-a com a mesma eficcia
que antes. Despiu a camisa pela cabea com um
movimento rpido e fluido antes de a deixar cair
ao cho.
Depois pegou nas mos dela e colocou-as sobre o seu peito,incitando a explorao que Sarah
tinha considerado to atrevida. Queria que ela
lhe tocasse e isso parecia-lhe quase to excitante
como o movimento dos seus lbios sobre a sua
pele nua.
Sarah obedeceu e as suas palmas moveram-se
lentamente pela superfcie felpuda do seu trax.
Justin tinha o rosto tenso,quase contrado,e os
olhos fechados. Tinha atirado a cabea para trs
e respirava com irregularidade.
O mesmo que tinha acontecido em Londres e
a tinha feito fugir estava a acontecer outra vez.
Mas naquela ocasio no sentia medo. Justin desejava-a,apesar do que pensava sobre Drew,
pelo que toda a gente lhe tinha dito. Apesar das
intrigas e das mentiras,continuava a desej-la.
S faltava um pequeno passo para o que ela
queria. Para a relao com que sempre tinha sonhado. Sabia que finalmente conseguiria que Justin a amasse,porque ela o amava profundamente.
Inclinou-se para a frente e beijou a pele suave
do seu ombro antes de deslizar a lngua pelo
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osso. Com mais atrevimento, os seus lbios pousaram-se na base do seu pescoo, e tambm o acariciou.
Em resposta, Justin afastou o tecido do seu corpete cruzado. Os seus dedos comearam a deslizar-se pela abertura que tinha criado, acari ciando a pele nua e altamente 
sensvel do seu seio. E ento, de repente, hesitou.
Sarah demorou um momento a compreender porqu, ao dar-se conta de que tinha fechado a mo  volta do colar de prolas que lhe tinha dado como presente de Natal. 
Sentiu como se
 afastava dela e, quando olhou para ele, surpreendeu-o a contemplar fixamente o colar sem valor que levava junto ao seu corao desde o seu regresso a Longford. 
O silncio prolongou-se e expandiu-se at que, finalmente, o quebrou.
- Quem , Sarah? - perguntou em voz baixa, demasiado baixa. E os seus olhos, frios e imensamente distantes, apesar da proximidade dos seus corpos, pousaram-se finalmente 
no seu olhar. Esperava uma resposta.
- Quem ... quem? - respondeu com hesitao.
- O homem da clareira - clarificou, dando um passo para trs sem soltar as prolas.
O corao dela parou. Sinceramente, no imaginava do que podia estar a falar. Tinha afastado o problema que Osborne representava dos seus sentimentos por Justin 
durante tanto tempo que
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no tinha acreditado que houvesse alguma relao entre eles. Mas  claro que havia, sempre tinha havido. E Justin tinha-os visto juntos.

- Chama-se David Osborne - disse em voz
baixa,olhando para ele com valentia.
Tinha mentido a Justin numa ocasio. Tinha-lhe mentido para o libertar do escndalo que
tinha partido o seu corao e manchado a sua reputao. Tinha-lhe mentido porque o amava demasiado para o prender a um compromisso que
o faria cair na mesma desgraa.
- O pai de Drew? - perguntou Justin.
Uma pergunta simples,que requeria uma
nica palavra como resposta. A verdade ou outra
mentira? No entanto,no chegou a tomar aquela
deciso porque finalmente, finalmente recordou
o que fazia ali.
- Onde est Drew? - perguntou-lhe.
No era o que Justin tinha esperado e Sarah
reconheceu a confuso nos seus olhos. O que
significava que Blevins tinha razo. Andrew no
estava ali e Justin tambm desconhecia o seu paradeiro.
- Drew? - repetiu.
- No est em Longford.
- De que diabos ests a falar?
- No est l. Vim aqui porque pensei que estaria contigo. Pensei que tinha estado  tua espera e ao ver que no voltavas para casa. Por que no voltaste para casa?
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Assim que pronunciou aquelas palavras, compreendeu-o. Justin estava a fazer exactamente isso quando a tinha visto com David. Sarah no sabia que costumava atravessar 
a cavalo o bosque em vez de ir pela estrada que ligava as duas propriedades.
- Para casa, Sarah? - perguntou Justin com amargura.
- O que viste... no  o que ests a pensar.
- Ento diz-me o que  - sugeriu com frieza. Mas antes que o fizesse, Justin soltou o colar e recuou um passo. Inclinou-se e apanhou a camisa que tinha deixado cair. 
Depois virou-se e caminhou para a lareira. Sarah observou como apoiava as mos no suporte, agarrando-se a ele, ainda com a camisa numa das mos. Em seguida baixou 
a cabea, como se estivesse a contemplar umas chamas inexistentes.
- Se Drew no est aqui... - comeou a dizer.
- Talvez esteja com o seu pai - respondeu Justin com mordacidade. E com as suas palavras, encaixaram todas as peas.
- Oh, meu Deus - disse Sarah em voz baixa. Justin virou-se ao ouvi-la e viu como os seus olhos reflectiam o medo que sem dvida estava patente nos seus. David tinha-lhe 
dito que queria Drew e no tinha acreditado nele. Mas se Drew no estava em Longford e tambm no estava ali...
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- Achas que est com ele? - perguntou Justin.
- Com Osborne?
 Lentamente,assentiu.
- Disse que queria Drew. Eu no acreditei
porque... porque nunca se preocupou com Drew.
Penso que descobriu que o meu pai estava doente
e pensou que era a sua oportunidade de me chantagear.

- Estiveste a dar-lhe dinheiro? - inquiriu Justin com incredulidade.
- Pensava faz-lo. Disse que Drew tinha direito a uma parte da sua herana por ser neto de
Brynmoor. Ameaou-me de levar o caso aos tribunais. Eu sabia que se fizesse isso,o escndalo
seria ainda maior. Ou,pelo menos,reavivaria o
antigo. E Drew...
- Seria o centro das atenes - terminou por ela.
Mas no era s isso,pensou Sarah. David
mostraria o documento do sacerdote perante os
juzes e a reputao de Amelia ficaria destruda.
Mas,pior ainda,tambm destruiria qualquer direito de tutela de Sarah sobre Drew. Mesmo que
David no se conseguisse apoderar do dinheiro
do seu pai,continuaria com Drew.
- Os juzes no lhe daro a herana - diss
Justin depois de um momento.
- Como podes ter tanta certeza?
- Porque s se concedem direitos aos filhos
ilegtimos se estiverem legalmente reconhecidos. O teu pai nunca reconheceu Drew.
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No era ma pergunta. Sabia to bem como ela que o orgulho de Brynmoor no lhe permitiria reconhecer o seu neto bastardo, nem sequer se tivesse estado mentlmente 
em condies de o fazer. Ignoraria a sua existncia, como tinha enterrado a filha que o tinha envergonhado antes de morrer.
- David tem provas - disse Sarah com hesitao, consciente de que estava perto de quebrar o seu juramento.
- Que tipo de provas?
- Algo que eu assinei. Atestando... a paternidade de David.
O olhar de Justin voltou a endurecer-se, ainda fixo no seu rosto.
- Osborne s vai poder usar essa prova para conseguir a herana depois da morte de Brynmoor. E s se tu reconheceres o rapaz como teu herdeiro.
- Ento, por que levou Drew?
- Que melhor forma de se assegurar de que Lhe dars o que quer? - perguntou Justin em voz baixa.
Justin estava convencido que David estava alojado no distrito, em algum lugar suficientemente perto para ir e vir de Longford. Porque, ao interrogar os criados dos 
estbulos, tinha descoberto que Osborne tinha estado ali algumas vezes,
A primeira vez,com Drew. E ningum tinha
informado Sarah. Ou o conde. Era um erro que
nenhum dos seus criados voltaria a cometer,
pensou Sarah. A fria com que Justin tratou com
os criados era outro aspecto do seu carcter que
nunca tinha visto antes. Quando ordenou que tirassem a carruagem,apercebeu-se das recordaes que traziam aqueles preparativos frenticos... A noite terrvel em 
que o seu pai tinha
descoberto a fuga de Amelia e tinha ido atrs
dela. O flego dos cavalos,ao misturar-se com o
ar frio, tambm tinha sido visvel ento, erguendo-se denso e branco  luz fantasmagrica
dos candeeiros.
- Eu acompanho-te - tinha dito ento. O seu

pai tinha-a ignorado,estalando o chicote sobre
os lombos dos seus cavalos como nica resposta.
Justin contemplou-a durante um longo momento
enquanto Sarah permanecia de p junto  carruagem,murmurando as mesmas palavras que tinha
pronunciado naquela noite longnqua.
- Viajarei mais depressa sem ti - disse-lhe.
- Por favor,Justin - suplicou. - No me
importa o que pensas sobre mim,mas deixa-me
acompanhar-te,por favor.
- E se estiveres enganada?
- Sobre David?
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- Talvez Drew tenha adormecido nalgum lado.
- Se acreditasses nisso, estarias a procur-lo aqui.
- Deixo isso contigo e com os criados - disse Justin.
- E se levou Drew?
- No - tranquilizou-a Justin. - No  isso que ele quer. Tu mesma o disseste.
- E se estiver enganada a esse respeito? - perguntou. - Por favor, leva-me contigo. No suporto estar aqui,  espera, sem saber de nada.
Justin estudou o seu rosto durante um longo momento e depois estendeu-lhe a mo. Sarah sentiu como o seu corao batia de alvio e gratido. Ps os seus dedos sobre 
os dele e sentiu como os apertava com firmeza.
- Se os encontrarmos... Quando os encontrarmos - corrigiu, - eu ocupo-me de Osborne, entendido?
Justin no lhe deu escolha. A contragosto, Sarah assentiu e ele ajudou-a a subir para a carruagem. Antes mesmo de ter tempo de se acomodar junto a ele, Justin estalou 
o chicote fazendo com que os cavalos se lanassem para a escurido.
Encontraram Osborne na tereira estalagem que visitaram. T-lo-iam encontrdo antes, se as
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duas propriedades no tivessem estado to prximas de vrias estradas frequentadas.
Justin foi to persuasivo com os estalajadeiros
como com os criados de Longford. Responderam s suas perguntas sem hesitao,lendo com
preciso o que havia nos seus olhos. No toleraria nenhuma tolice,e eles sabiam-no. Um domnio que sem dvida tinha aprendido durante os
anos que tinha servido como oficial s ordens de
Wellington.
- Est aqui - disse Justin.
Sarah tinha-o seguido para o interior do estabelecimento e esperava junto  lareira da sala,j
que o criado que lhes tinha aberto a porta tinha
ido despertar o estalajadeiro. Tinha acontecido o
mesmo nas duas pousadas anteriores.
- Drew est com ele? - perguntou.
- O estalajadeiro no viu Osborne esta noite,
portanto,no pde confirmar se havia algum
com ele quando voltou.
- Ento... - comeou a dizer Sarah.
- Uma das criadas levou-lhe o jantar ao seu
quarto. Pediu vinho quente e um copo de cidra.

Cidra para Drew,compreendeu Sarah.
- Quero ir contigo - disse-Lhe. - Quero v-lo.
- Mandei vir algum para reavivar o fogo.
Trarei Drew para aqui.
- E se David no o permitir? - perguntou.
Sarah observou o movimento subtil e lento
252
dos lbios de Justin. Demorou vrios segundos a dar-se conta de que o que estva a ver era um sorriso. Uma expresso que tanto a cativava, embora apenas a tivesse 
visto depois do seu regresso. Aquele sorriso era diferente, to frio como as suas perguntas aos criados. E to duro como os seus olhos quando lhe tinha pedido que 
lhe falasse de David.
- Se Drew quiser voltar para casa, Sarah - disse com suavidade, olhando para ela, - ento, tr-lo-ei.
- Se quiser voltar para casa? - repetiu:
- Osborne  o seu pai.
- Mas Drew conheceu-o agora.
- Drew est vido de ateno masculina. Quem poderia proporcion-la to bem como o seu prprio pai?
Tu, pensou, como sempre. No entanto, no o disse, porque a situao j era bastante dolorosa. Se Drew optasse por ficar com David, seria uma recusa to forte ao 
vnculo que tinha criado com Justin como aos seus sentimentos para com ela.
Mas Drew no faria isso, disse-se. Adorava Justin e amava-a a ela. No havia nada, nem ningum, pensou com ferocidade, nem sequer o en cantador David Osborne, que 
pudesse quebrar os laos que havia entre eles.
- Vai querer voltar para casa - disse-lhe.
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Justin apertou os lbios e olhou para ela. Finalmente, assentiu.
- Ento, eu trarei o rapaz - prometeu-lhe.
- No quero problemas - sussurrou o estalajadeiro ao apontar para a porta. - Dirijo um estabelecimento respeitvel e no quero que perturbem os meus hspedes.
- Eu tambm no - disse Justin.
Quantos menos rumores corressem sobre os
acontecimentos daquela noite,melhor,pensou.
No tinha podido evitar interrogar os criados em
Longford,mas para eles Osborne era,na verdade,um desconhecido. No tinham forma de
relacionar Osborne com o velho escndalo.
Sarah tinha vivido com os seus segredos duYrnte tanto tempo que faziam parte dela e ele...
ele tinha-a estado a proteger. E a proteger Drew;
 claro. Faria o mesmo pelas reputaes do seu
pai ou do seu irmo. Sarah era a sua esposa e os
votos que tinha jurado naquele casamento
de convenincia incluam o de am-la e de proteg-la.
Perguntou-se quo disposto estaria a respeitar
aquele juramento se a sua mo no tivesse roado
o colar de prolas deformadas. Quando
apareceu em sua casa,naquela noite,a ltima
coisa em que tinha pensado era proteg-la.
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sentia-se preparado para reclamar o que era dele... pelo menos, legalmente, fossem quais fossem as circunstncias, se Sarah no o evitasse. No entanto, estava de 
p diante da porta do homem que a tinha afastado do seu lado, prestes a exigir-lhe que devolvesse o filho ilegtimo de Sarah. Apesar do que Lhe tinha dito, Justin 
sabia que no tinha nenhuma vantagem sobre o pai de Andrew. Havia apenas a convico de Sarah de que Osborne na verdade no amava Drew e que ele, embora no fosse 
pai do rapaz, o amava muito.
- Pode ir - disse ao estalajadeiro, sem sequer olhar para ele. Em seguida, sem ver se lhe tinha obedecido, ergueu o punho e bateu na pesada porta de carvalho que 
o separava de David Osborne. E do filho de Sarah.
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Doze
Os traos do homem que abriu a porta eram ainda mais agradveis do que tinham parecido 
luz tnue da clareira. Sobretudo quando sorriu.
- Que honra mais inesperada! - disse David Osborne.
- Inesperada? - inquiriu Justin.
O seu sorriso ampliou-se.
- Esperava Sarah;  claro. Devo confessar que a sua chegada  uma surpresa. Gostaria de entrar;
milorde? - David deu um passo atrs, olhando para o quarto.
No era o melhor aposento da estalagem, decidiu Justin, mas o fogo ardia com fora. Os restos do jantar que Osborne tinha pedido estavam estendidos sobre uma mesa 
diante da lareira e na bandeja viu a garrafa com o vinho quente que tinha pedido. Um pequeno vulto perturbava a superfcie lisa da cama, visvel no canto mais escuro 
da diviso.
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- Podemos falar no corredor - sugeriu Justin.
- Seja o que for que tenha para me dizer - disse David com olhar de regozijo, - pode diz-lo diante do meu filho. No  uma criana, sabe?
A frase trocista perturbou-o. Justin tinha ouvido Drew afirmar aquilo dzias de vezes, sobretudo, sobre o que Sarah fazia ou dizia. Ou sobre algo que o tinha proibido 
fazer.
Certamente, Osborne tinha utilizado o desejo de Drew de parecer mais maduro do que era para levar a cabo o seu plano. A sua brincadeira era quase uma forma de admiti-lo. 
E uma advertncia de que, no pouco tempo que estivera com Drew, tinha conseguido compreend-lo.
Justin atravessou, a contragosto, a soleira e aproximou-se da lareira a coxear. Virou-se para a porta e surpreendeu Osborne olhando fixamente para o seu p direito, 
artificial. Lentamente, ergueu os seus olhos azuis at ao rosto de Justin. O mesmo sorriso trocista aparecia nos lbios de Osborne.
Demasiado bvio, bastardo, pensou Justin, quase regozijado pela clara tentativa de desestabiliz-lo. Surpreendeu-lhe o facto de quase no ter feito efeito. E aquele 
erro de julgamento fez com que Osborne lhe parecesse muito menos preparado do que Justin tinha pensdo.
- Na batalha de Vitria - explicou comodamente, olhando para Osborne. - J que mostra tanta curiosidade.
- Drew contou-me tudo - disse David. Ouvi dizer que se comportou como um heri.
Os meus parabns,junto com a gratido de toda

uma nao, claro - o seu olhar era to sarcstico como a sua voz. Ignorando aquela provocao,Justin fez-lhe a pergunta que o tinha levado at l.
- O que  que queres?
- Quero o meu filho. E a herana que lhe corresponde legitimamente,nada mais.
- A sua herana, Que o senhor pretende controlar no seu nome.
-  claro. Brynmoor j no est em condies
de administrar os seus bens. Sarah tenta,mas duvido que os tribunais a considerem uma administradora adequada para propriedades to vastas e diversas.
- Sarah conta com a ajuda de um conselheiro
competente - disse Justin.
- E acaba de adquirir um marido - sugeriu
David,sorrindo. - Cujas necessidades,se
permite record-lo,supuseram um grave buraco
nos seus recursos. Ou devo dizer nos recursos
de seu pai?
O conde meditou naquele argumento.
- E  possvel que os tribunais considerem
que o marido de Sarah ponha os interesses
258
de Drew  frente dos seus - explicou Justin. - Quer dizer, da sua. legtima herana.
- Tinha ouvido dizer que era ardiloso - reconheceu David num tom adulador.
- Quer Drew porque quer controlar a fortuna de Brynmoor.
- A herana do meu filho - corrigiu-o Osborne, ainda a sorrir.
- O seu filho.  claro, pode prov-lo.
- Disse a Sarah que podia. Mostrei-lhe o documento. Que leva a sua prpria assinatura, por certo.
- Suponho que no me querer mostrar o dito documento.
Osborne estudou-o por um momento. Franziu os lbios e depois disse:
- Sarah pode atestar a validez da minha reivindicao.
- Os tribunais exigiro algo mais que a sua palavra.
- Estou disposto a permitir que os tribunais se pronunciem a esse respeito - declarou Osborne. A questo  se Sarah est disposta ou no. - Esto a discutir sobre 
o qu? - perguntou Drew.
O conde desviou rapidamente o olhar para a cama. Drew estava a endireitar-se e o seu pequeno rosto parecia plido em contraste com a parede escura do fundo.
259
- Lamento muito, Drew. No queramos acordar-te - desculpou-se Justin.
- O que ests a fazer aqui, Wynfield? - perguntou Andrew em voz baixa.
O pequeno parecia mais dcil do que nunca desde que Justin o conhecia. Talvez fosse porque acabava de despertar de um sonho profundo ou por alguma outra razo.
Sentiria falta da sua me? Estaria arrependido do que tinha feito? Drew no estava acostumado a enganar-se ao julgar as pessoas e talvez tivesse comeado a ter dvidas 
sobre o seu pai.
- Sentes-te bem? - perguntou o conde. No en tanto, tinha voltado a pousar os olhos no rosto de Osborne. Apercebeu-se de que David nem sequer se tinha virado para 
a cama ao ouvir Andrew e tambm no olhava para o seu filho naquele momento.
- Estou bem - disse Drew. - No sou uma

criana, sabes?
A afirmao carecia da segurana habitual, como se a repetisse mais por costume do que por certeza.
- Eu sei - respondeu Justin.
- Estavas  minha procura? - perguntou Drew num tom quase esperanado.
- Sarah estava preocupada, no sabia onde
estavas. Pensei que tnhamos combinado que no voltarias a fugir.
260
- Eu no fugi - defendeu-se Drew com um tom de indignao.
- Mas no disseste a ningum para onde ias. Isso  o mesmo que fugir, fossem quais fossem
as tuas intenes.
- Ele disse que ia dizer a Sarah.
Ele. Osborne, compreendeu Justin, sentindo uma fria enorme.
- No disse - respondeu Justin. - Sarah desconhecia por completo o teu paradeiro. Est muito preocupada.
- Disseste que enviarias uma mensagem a Sarah - acusou-o Drew. - Disseste que a avisarias do nosso paradeiro.
- Ainda no a recebeu,  s isso - respondeu David com serenidade. - As mensagens costumam chegar com atraso.
No havia sentimento de culpa na sua voz, nem pesar pela preocupao que tinha causado. Justin acreditava que essa tinha sido a sua inteno: avisar Sarah sobre 
o que poderia acontecer se no Lhe desse o que queria.
- Sarah est l em baixo, Drew. Est  tua espera para te levar para casa - informou-o Justin.
- Para Longford. Para a tua cama.
Houve um longo silncio. Atrs de si, o conde podia ouvir o crepitar do fogo. No entanto, a pequena figura do outro extremo da diviso no emitiu nenhum som.
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- No queres ir para casa? - perguntou Justin.
- Vou para a ndia - disse o menino. - Mandaram o meu pai para l. Na ndia h tigres.
Justin inspirou profundamente. Pelo menos, tinha-lhe respondido quela pergunta. No entanto, acabava de abrir-se uma armadilha aos seus ps. Teria que ter muito 
cuidado com a sua maneira de proceder a partir de ento.
- Viste algum tigre alguma vez, Wynfield? perguntou Drew.
- No - respondeu Justin em voz baixa.
- Eu tambm no, mas vou ver. Podes vir connosco, se quiseres - ofereceu com magnanimidade.
Justin podia imaginar a reaco de Osborne se aceitasse aquela oferta.  claro, no tinha inteno nenhuma de ir para algum lado com Osborne. Nem de permitir que 
Drew se fosse embora com ele.
- E Sarah? - perguntou Justin - A ndia fica muito, muito longe daqui. Sei que Sarah iria sentir a tua falta se fosses para to longe. Suponho que tu tambm sentirias 
falta dela.
De novo, Andrew permaneceu em silncio durante algum tempo. Depois virou-se para Osborne.
- Sarah poderia vir connosco? - perguntou. Osborne riu-se e virou-se para olhar para seu filho pela primeira vez.
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- Posso tentar tratar... desse assunto. Por que no perguntas ao conde se ele pode? - sugeriu com malcia, voltando a fixar os olhos no rosto de Wynfield.
- Sarah no pode ir para a ndia, Drew - explicou Justin. - Tem de cuidar de Brynmoor e de tudo o que acontece em Longford. Tu sabes disso.
- Est a portar-se muito mal, milorde - disse Osborne em tom deliberadamente baixo para que no chegasse aos ouvidos do rapaz. - Se o senhor no a deseja...
Ao ouvir aquelas palavras incisivas, Justin sentiu uma onda de fria por todo o seu corpo. S havia uma forma de Osborne conhecer a natureza da sua relao com Sarah. 
Sarah em pessoa devia ter-lho contado.
- Se Sarah no pode acompanhar-nos, ento talvez... - Drew deixou a frase no ar.
Justin compreendeu que receava a brincadeira de Osborne. E que no estava ansioso por deixar o nico lar que tinha conhecido. Nem as pessoas que o amavam e aceitavam 
pelo que era. Um menino pequeno que tentava adquirir as qualidades que tinha aprendido a admirar: valentia, honra, sinceridade. Nenhuma das quais parecia estar na 
posse do seu pai.
- Deixa que te leve at Sarah, Drew - urgiu-o Justin.
- Penso que ser o melhor - acedeu Drew,
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com voz vacilante e muito baixa. - Posso ir contigo para a ndia noutra ocasio - sugeriu ao seu
pai. - Mas penso que ser melhor voltar para
casa com Sarah esta noite.
Osborne fez uma careta.
- Falaremos amanh,Andrew - falou com pacincia. - Agora tens que ir dormir. Amanh vers tudo com outros olhos. E poderei contar-te mais coisas sobre o que veremos 
na ndia.
- Mas... Sarah est  minha espera - disse
Drew.
- Sarah... - comeou a dizer David,com o
tom de irritao evidente na voz,antes que fizesse um esforo quase visvel para dissimul-lo.
- No ests a cargo de Sarah,Drew. Ests ao
meu. Eu sou a nica pessoa que decide sobre o
que podes ou no fazer. E no vais regressar a
Longford esta noite.
- Mas...
- Sem responder! - ordenou-lhe Osborne. Nunca sers um homem se deixares que uma mulher te governe.
- Vamos,Drew - incitou-o Justin em voz
baixa,decidindo que aquela resistncia j se tinha prolongado o suficiente. - O teu pai poder
vir a Longford amanh se quiser falar contigo.
Mas esta noite... - Justin no se mexeu perante a
sbita fria nos olhos de Osborne. - Esta noite
vou levar-te para casa.
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- No comece algo que no pode terminar, milorde - avisou-o David. Tinha controlado a sua fria, novamente, substituindo-a pela sua brincadeira habitual.
- Vamos, Drew - disse Justin sem levantar a voz e comeou a dirigir- se para a cama.

O pequeno j estava a levantar-se dos lenis amachucados. Tinha vestido ma das camisas de Osborne, com os punhos arregaados, embora os pulsos magros do menino 
quase no ficassem visveis.
De repente, Osborne moveu-se, interpondo-se no caminho de Justin.
- Estou a avis-lo - ameaou-o, elevando os punhos.
Justin riu-se. No pde evit-lo. Aparentemente, o melodrama era o forte de Osborne.
- Assustado, milorde? - desafiou-o Osborne.
- Chateado - clarificou Justin sucintamente. Depois o seu tom endureceu-se. - No seja estpido, Osborne. No h um modo mais fcil de fazer com que os juzes caiam 
sobre as nossas cabeas.
- No me oponho a isso. Afinal de contas, estou no meu direito. O senhor est a tentar roubar-me o meu filho.
- Que tambm  filho de Sarah Spenser - disse Justin. - E a influncia de Brynmoor  suficientemente ampla neste distrito para pr em
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dvida a sua reivindicao, face ao que diga esse papel. E se gastasse umas quantas libras nos lugares adequados, descobriria algumas coisas do seu passado que no 
lhe agradaria que chegassem aos ouvidos das autoridades.
- Chantagem, milorde? - respondeu Osborne num tom de brincadeira, mas ficou preocupado com a demora da sua resposta. Comeou a pensar na validade daquela ameaa.
- Por que no?  o mesmo que o senhor est a tentar fazer.
Enquanto falava, Justin tinha dado outro passo para Drew, que estava de p junto  cama. Parecia perdido e um pouco desolado naquela camisa to grande que lhe caa 
aos ps.
Em resposta ao avano do conde, Osborne lanou o seu punho direito. Justin moveu a cabea e o murro silvou de forma inofensiva junto ao seu ouvido. Acabava de reagir 
por instinto, ou talvez por uma lembrana inconsciente das longas horas passadas sob a excelente tutela do cavalheiro Jackson.
- Continua chateado? - perguntou Osborne em voz baixa, sorrindo. Ergueu os punhos diante do queixo, como se estivesse num ringue. - Ou j no gosta de pugilismo? 
- continuou com sarcasmo. - Andrew diz que era muito bom. H muitos anos, claro.
- Meu Deus! - respondeu Justin, com a voz
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cheia de autntico regozijo. - Est a propor que lutemos? Pelo controlo do rapaz? Ou para mostrar a Drew quem dos dois  mais homem, talvez?
De novo, lanou um murro. O conde afastou a cabea, mas no suficientemente rpido. Os ndulos de Osborne roaram-lhe a ma do rosto, deixando uma marca vermelha 
na sua pele. De repente, os olhos cor de avel j no reflectiam nem aborrecimento nem regozijo.
- Estou disposto a deixar que Drew faa essa avaliao - disse Osborne. - O senhor no? Afinal de contas, milorde, voc  o heri. Pelo menos, aos olhos de Drew.
- No precisas de lutar, Wynfield - interveio Drew. - No importa. Eu sei... - interrompeu-se, com demasiada brusquido.
- O que  que sabes, Drew? - perguntou Osborne. Continuava com os punhos levantados, disposto a dar o murro seguinte.
- Que no seria justo - completou o menino quase num sussurro.
- E por que no? - perguntou Osborne. - Por que  que no seria justo que Wynfield lutasse comigo?

No tinha afastado os olhos do rosto de Justin e continuava a sorrir. Gozando o momento. No entanto, Drew no disse nada, negando-se a explicar o que tinha querido 
dizer apesar do seu pai
267
o estar a incitar. Claro que era evidente,to evidente quanto a falta de preocupao de Osborne
quanto  justia daquela discusso.
Quando Osborne tentou o seu murro seguinte
Justin estava mais do que disposto a responder.
Era como se toda a raiva e frustrao que tinha
reprimido durante os ltimos seis meses estivessem,por fim,a emergir  superfcie,dirigida ao
rosto que estava  frente dele.
O conde sempre tinha tido bom olho e o seu
punho direito encontrou o queixo de Osborne ali
onde o dirigiu. Osborne atirou a cabea para trs
com o impacto e Justin sentiu uma grande satisfao ao ver a surpresa nos olhos do seu oponente.
Sobretudo porque reforou aquele primeiro
murro com a sua esquerda. De novo voltou a
acertar. E pela primeira vez,Wynfield fez uma
careta de prazer.
- O que esto a fazer?
As palavras estavam impregnadas de medo.
Justin virou a cabea,reagindo automaticamente
ao som da voz de Sarah. Ela e o estalajadeiro estavam de p na soleira,a olhar para eles.
O seu olhar devia t-lo posto de sobreaviso.
As suas pupilas dilataram-se bruscamente,
e Justin no compreendeu porqu at que sentiu
o punho de Osborne na tmpora. Cambaleou.
caiu sobre a mesa que estava diante dalareira.
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Pondo as mos para trs, Justin apoiou-se a tempo. A mesa inclinou-se sob o seu peso e algumas peas de loua caram para o cho e partirm-se.
- Alto a - gritou o estalajadeiro. - J lhes disse que dirijo um estabelecimento respeitvel.
Sabiamente, Osborne tinha ignorado tudo salvo o seu oponente. Equilibrou-se sobre Justin,
 dando-Lhe murros para aproveitar a vantagem. O conde manteve as mos levantadas e o
queixo baixo, protegendo-se o melhor que pde, concentrando-se em manter o equilbrio enquanto cambaleava para trs. Estava decidido a no deixar que Osborne o derrotasse. 
Pelo menos, no diante de Drew e de Sarah. Tinha que pr fim quela discusso o mais depressa possvel.
Renunciando  sua postura defensiva, e sofrendo por isso, afundou o seu punho direito, com o peso de todo o seu corpo, no queixo do seu oponente. O impacto fez com 
que Osborne atirasse a cabea para trs e, quando a endireitou, todo o regozijo tinha desaparecido dos seus olhos azuis. Estavam cheios de raiva e vidos de sangue.
De repente, Osborne a tirou o p e introduziu-o deliberadamente entre as suas pernas. Justin cambaleou e esticou a mo para a parede, tentando desesperadamente no 
cair, mas um

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novo murro de Osborne no pescoo f-lo cair ao
cho.
Assim que o fez,David deu-lhe um pontap
no ombro. Justin rodou,tentando afastar-se do
golpe desonesto,mas estava demasiado perto do
fogo,que continuava a arder com vivacidade na
lareira. Tentou endireitar-se,pelo menos de gatas,mas David voltou a dar-lhe um pontap,nas
costelas daquela vez,pondo fim quele incipiente esforo.
- Pra! - gritou Drew,e atravessou o quarto a
correr. Agarrou Osborne pelo brao,tentando
afast-lo. Furioso pela interrupo,David empurrou o rapaz para se desembaraar dele. Em
seguida,voltou a flectir a perna, apontando, naquela ocasio,para a cabea de Justin.
Andrew atirou-se sobre o seu pai,rodeando-lhe
a coxa com os braos. Osborne virou-se para ele,
tentando afast-lo. E naquela fraco de segundo,Justin deu-se conta de que a sua concentrao estava posta em Andrew e no nele. Adestrado por anos de guerra a 
aproveitar qualquer
fraqueza exibida pelo inimigo,Justin ps-se
de joelhos e agarrou na grossa garrafa que estava
na lareira. Ao elev-la sobre a sua cabea,deuconta de que Sarah estava a correr para eles,
tentando proteger Drew.
David tinha conseguido afastar o rapaz e
virava-se novamente para ele. Na curva 
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mxima do arco, a garrafa chocou com o queixo de Osborne. O vinho derramou-se e caiu sobre eles como uma cascata quente e prpura.
Osborne caiu como se tivesse sido decapitado e aterrou aos ps de Drew. A sua cabea ricocheteou sobre o cho de madeira e depois ficou imvel.
- Mataste-o! - afirmou Drew num sussurro com olhos muito abertos pelo horror. - Mataste o meu pai!
Todos ficaram paralisados pela acusao de Drew. Ningum se mexeu at que Sarah se ps de joelhos e procurou o pulso no pescoo de David. Em seguida, aproximou o 
ouvido da sua boca.
- Est a respirar! - anunciou com a voz cheia de alvio. Endireitou- se e voltou-se para olhar para Justin nos olhos.
S com aquele olhar Justin deu-se conta de que continuava de gatas, balanando-se como um animal ferido. Endireitou o tronco e, sem a olhar, apoiou a mo no suporte 
da lareira para se levantar.
Podia sentir o sangue a cair-lhe do seu nariz. At podia sabore-lo, um sabor acre no fundo da sua garganta. Secou-se com o punho da camisa e, em vez de olhar para 
Sarah ou para Drew, olhou para as manchas de sangue e vinho que ensopavam a sua roupa.
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- Leva o teu filho - ordenou-lhe. Depois, passando por cima das pernas de Osborne, passou ao lado do estalajadeiro e aproximou-se da porta
a coxear.
- Quem vai pagar tudo isto? - disse o homem.
- Isso era o que eu gostaria de saber. No pode

entrar num estabelecimento honrado e partir coisas sem as pagar!
- Eu pago - disse Sarah.
Justin deu-se conta de que estava a chorar.
Voltou-se ao chegar  porta,apoiando-se no
marco. Sarah e Drew continuavam ajoelhados ao
lado do corpo de Osborne. Drew tinha uma das
suas pequenas mos  volta do rosto do seu pai.
- Vou buscar os cavalos - informou-a Justin,
sentindo-se doente. - Estejam l em baixo daqui
a cinco minutos.
Sarah desviou o olhar do rosto zangado do estalajadeiro e,sem dizer uma palavra,assentiu.
Justin sabia que ainda olhava para ele enquanto
saa,a coxear,pela porta do quarto,mas no voltou a cabea.
272
Treze
O conde de Wynfield tinha-se sentado diante do fogo, nos seus aposentos, quase imvel desde que tinham regressado a Longford. Tinha tirado o casaco, mas continuava 
com a mesma camisa com que tinha lutado contra Osborne, com a manga manchada de sangue e vinho.
De vez em quando sentia um calafrio, mas mal se dava conta de que estava frio, no se apercebendo da dor no seu corpo ferido. A lembrana daqueles dois pares de 
olhos da mesma cor olhando para ele estupefactos, ao lado do corpo inconsciente de David Osborne, era to poderosa que amortecia qualquer sensao fsica.
Tinha ordenado ao seu criado que se retirasse. Algum tinha batido  sua porta minutos depois, mas no tinha respondido. No dia seguinte teria que enfrentar o que 
tinha acontecido. A sua faanha daquela noite no tinha servido para nada,
273
salvo para criar um olhar acusador nos olhos de Drew.
Naquele momento, bateram  sua porta com muita suavidade e, embora no tivesse dado a sua permisso, a porta abriu-se finalmente. Virou a cabea e viu Sarah de p, 
 porta.
- Posso entrar? - perguntou.
Desviou o olhar e fixou-o nas chamas. Justin no queria ver Sarah naquela noite. Tinha-lhe passado o efeito do conhaque, que o tinha dei xado com dor de cabea e 
um gosto amargo na boca. Claro que tambm podia dever-se  averso que tinha por si prprio naquele momento. Ouviu como fechava a porta. Conhecendo Sarah como conhecia, 
soube que no ficaria de p, na soleira da porta. Mesmo assim, continuou sem olhar para ela. No queria ver o que havia nos seus olhos.
Quando sentiu os dedos dela no seu queixo, no resistiu  presso. Levantou os olhos, expondo o seu rosto dolorido  luz das chamas. Viu como as pupilas dela se 
dilatavam, como tinha acontecido quando Osborne lhe tinha dado o murro  traio, e imaginou que aspecto devia ter.
- Drew? - perguntou.
- Por fim, adormeceu - respondeu Sarah, sem afastar os olhos dele. Depois, inclinou-se, mo vendo-se muito lentamente, dando-lhe a oportunidade de virar a cabea. 
Como no o fez, os lbios
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dela entraram em contacto com os seus. Sarah no fez nenhuma presso sobre os seus lbios arroxeados e o seu beijo foi to etreo como a nvoa que tinham atravessado 
de regresso a Longford. Quando levantou a cabea, Justin olhou para ela com uma expresso intrigada.
- Obrigada - agradeceu com suavidade. Justin riu-se, o som era apenas um sussurro.
- Porqu? - perguntou com palavras to amargas como a sua gargalhada.
- Por encontrares Drew. Por traz-lo para casa.
- Foi pior a emenda que o soneto, Sarah, e tu sabes disso. A nossa situao com Osborne piorou. E, certamente, a minha relao com Drew tambm.
Sarah hesitou um momento e depois deslizou as pontas dos seus dedos pelos ns dos dedos inflamados e com cortes. Quando finalmente levantou os olhos, disse:
- No tenho tanta certeza disso. David sempre teve controlo sobre esta situao porque  o pai de Drew. E sempre foi ambicioso e ignbil e nunca se preocupou com 
as pessoas, quem usava ou quem feria para conseguir os seus fins. Nada do que tu fizeste hje altera esse facto, e no acredito que nada possa mud-lo, nunca. E 
acontea o que acontecer - continuou Sarah ainda em voz baixa, mas cheia de instinto maternal, - no permitirei que David fique com Drew. No posso, sabendo como 
.
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O que devia significar, pensou Justin, que o que numa altura tinha sentido por ele se tinha desvanecido. Sarah tinha- lhe dito que o que tinha visto na clareira 
no era o que pensava ser. E o seu comportamento naquela noite parecia confirm-lo.
- Quanto podes oferecer- lhe? - perguntou.
Tinha chegado  mesma concluso que Sarah, que a nica forma de se livrar de Osborne, alm de mat-lo, seria suborn-lo.
Sarah soltou-lhe a mo e entrelaou as suas, firmemente, no colo.
- Sarah? - urgiu-a depois de vrios segundos de silncio.
- Enquanto o meu pai for vivo, no posso vender Longford nem nenhum dos edifcios anexos, nem sequer os mveis. No me pertencem. 
No tenho a certeza de quanto David pedir, mas receio que... - falhou-lhe a voz, mas Justin sabia
muito bem o que receava. Afinal de contas, Osborne tinha-lho recordado. Justin tinha esvaziado as suas contas para salvar as suas terras e o nome da sua famlia. 
Para salvar Wynfield Park, a sua herana. - Talvez me deixe enviar-lhe o dinheiro - disse Sarah, olhando para ele nos olhos para ver neles confirmada aquela esperana. 
Poderia pedir ao senhor Samuels que arranjasse maneira de transferir recursos para o banco de David a intervalos regulares.
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- Chantagem a prazo - respondeu Justin num tom trocista. - Achas que aceitar?
O seu sentimento de frustrao cresceu ao dar-se conta de que quase no tinham escolha. E embora Osborne aceitasse aquela duvidosa premissa, seriam seus refns para 
o resto das suas vidas.

- Tentarei persuadi-lo. Farei o que for possvel para imPedir que leve Andrew - declarou Sarah ignorando o seu tom de voz. - Sempre receei ver algum rasgo de David 
em Drew. Mas no se parece em nada com ele, e tu sabes disso. J conheces Drew.  a coragem e a sinceridade personificadas. E sente um amor e preocupao genunos 
pelos outros. Mas se cair nas mos do seu pai... moveu a cabea, sem afastar os olhos dele. - No posso permiti-lo. Nun ca o permitirei.
- Se sabias como era Osborne... - comeou a dizer, formulando a pergunta que o tinha perseguido desde o comeo e que nascia do seu pro fundo desespero.
- No - sussurrou, tapando-lhe os lbios com a mo para deter as palavras. - Por favor, no me perguntes isso.
Justin fechou os lbios para reprimir a necessidade de verter a sua amargura. A necessidade de lhe dizer o que a sua traio tinha significado para ele. Sobretudo 
o que significava naquele momento nas vidas de todos. Mas culpar Sarah no serviria de nada.
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- Ento diz-me por que estavas a usar as prolas - quis saber.
Sarah abriu os olhos com surpresa antes de os
desviar,aparentemente para contemplar os seus
dedos entrelaados. Quando levantou a cabea,
estava a esboar o mais pequeno dos sorrisos.
- Porque mas tinhas dado - limitou-se a responder.
Era a verdade. Justin podia l-lo nos seus
olhos e na sua voz. Havia coisas que Sarah estava decidida a no lhe dizer,a no lhe explicar.
No entanto,no podia duvidar das suas ltimas
palavras.
- E isso significava alguma coisa para ti? - perguntou. - O presente que te dei?
- Significava - confessou com os olhos limpos e abertos,olhando para ele fixamente,- que,
por fim,podia ter esperanas.
- Esperanas?
- De que algum dia... poderias perdoar-me.
O seu corao hesitou e deixou de respirar enquanto o vazio do silncio os rodeava. Aquelas
palavras suaves reverberaram uma e outra vez
naquele vazio.
- E queres... o meu perdo? - perguntou.
- Quero o que tive uma vez - respondeu Sarah.
Voltava a sorrir e o movimento dos seus lbios era to docemente familiar que atravessou
a amargura com que Justin tinha envolvido o
corao aps a sua traio. Uma amargura
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que tinha negado durante anos e que se viu obrigado a confrontar ao voltar a ver Sarah Spenser.
- E o que ? - perguntou num sussurro.
- Quero que me ames - respondeu.
De novo o silncio cresceu e expandiu-se. Sarah esperou, contemplando o seu rosto com olhos serenos.
Nenhuma explicao, nenhuma desculpa. Nada, salvo uma verdade to evidente que no podia p-la em dvida. Quero que me ames". A sua garganta fechou-se; tensa de 
dor pelo que sentia por ela. O que sempre tinha sentido. Os olhos arderam-lhe com lgrimas que nunca tinha derramado, nem uma s vez face aos horrores dos ltimos 
seis meses. Reprimiu-as naquele momento, mas Sarah soube.

Lentamente, Justin ergueu as suas mos. Estavam rgidas e os dedos inchados doeram-lhe ao mover-se. Tomou o seu rosto e aproximou-o dele. Baixou os lbios e Sarah 
abriu os seus, recebendo-o, respondendo sem hesitao  invaso da sua lngua.
Sarah estendeu as mos, acariciando os seus ombros e depois o seu peito. Justin queria senti-las sobre a sua pele. Queria que lhe tocasse como o tinha feito antes, 
como se ainda encontrasse o seu corpo desejvel. Quero que me ames... "
Manteve as palavras na mente, evitando toda
a dvida. Negando o medo da sua possvel reaco ao ver a sua ferida. O fogo estava a extinguir-se e na escurido...
Finalmente, Sarah levantou a cabea, quebrando o contacto ardente dos seus lbios. Justin
abriu os olhos a tempo de ver como se levantava.
Deu dois passos para trs,de costas para o fogo,
e depois estendeu a mo a modo de convite. E
para aceit-la, Justin s tinha que levantar-se,
percorrer a distncia que os separava e tomar
aquela mo.
Quero que me ames". No havia vinho que
Lhe desse coragem,nem escurido suficiente que
ocultasse a imperfeio do seu corpo... nem
amargura que a separasse dela como um escudo.
S a sua mo,estendida para ele.
Com a coragem de que se valeu durante tanto
tempo,o conde de Wynfield endireitou-se na cadeira e,coxeando,deu os dois passos que o separavam da sua esposa. Deu-lhe a mo e,quando
Sarah lhe sorriu,todo o medo que o seu corao
tinha derreteu-se como a magra camada de gelo
matutino na superfcie de um lago.
Virou-se e conduziu-a  cama alta em que tinha dormido sozinho durante o seu casamento.
onde sabia que nunca voltaria a estar sozinho.
Despiu a camisa manchada de sangue, tirando-a por cima da cabea. P-la no p da cama
280
e depois hesitou, procurando o olhar de Sarah na penumbra demasiado silenciosa do quarto.
Sarah tinha estado a observ-lo. De repente, aprximou-se e deslizou o olhar pelas suas feridas, do seu peito e estmago. Aproximou os l bios de cada marca, beijando 
os pontos nos quais David o tinha atingido. E quando terminou, levantou a cabea, sorrindo-lhe outra vez. Jstin continuou sem se mexer.
Certamente compreendia o seu temor. Sem dvida, Sarah tambm se estava a preparar, disposta a ocultar o horror que sentiria quando tirasse o resto da roupa.
- Fiz de criada para o meu pai em mais de uma ocasio - disse-lhe. - Queres que te ajude a tirar as botas?
O seu tom era casual, deliberadamente alegre. Justin inspirou e perguntou-se se Sarah teria coragem suficiente. Se ele mesmo o teria.
- Sarah - comeou com suavidade, nada mais. Tinha apertado os lbios, para que tudo o que lhe queria dizer no pudesse escapar. E nunca seria capaz de dizer-lhe, 
sabia, a no ser que superassem aquela situao. O seu medo e o horror de Sarah. Ou a sua piedde.

- No te preocupes - tranquilizou-o Sarah, sorrindo. - No sou como Drew. No me fascinam as partes do teu corpo que perdeste. Confesso que me interessam muito mais... 
- hesitou,
281
levantando um pouco o queixo antes de terminar
- interessam muito mais as partes que conservas. Queria que se sentisse cmodo, que soubesse que para ela no era importante. No entanto, a sua amabilidade no podia 
destruir a sensao de pavor. Talvez, nada pudesse.
- E que partes so essas? - obrigou-se a perguntar, controlando a voz, num tom to desenvolto como o seu.
- Todas as restantes, suponho - disse com um brilho malicioso nos olhos.
- Nunca tinha tido uma mulher como criada de quarto.
- Ento - respondeu Sarah num murmrio, - no sabes o que perdeste.
Sarah olhou para ele e no viu nos seus olhos o receio que Justin sentia. Nem o medo. S o mesmo amor que tinha visto neles quando lhe tinha estendido a mo junto 
 lareira. E confiando naquele amor, Justin sentou-se na beira da cama e esticou a perna esquerda.
Colocando-se sobre o seu tornozelo, Sarah tirou a bota exactamente como o seu criado teria feito. Aparentemente, a sua garantia de ter ajudado a despir o seu pai 
no tinha sido a mentira piedosa que Justin tinha interpretado.
- E agora, a direita - sugeriu em voz alegre. Justin preparou-se e endireitou o joelho, oferecendo-Lhe a outra bota. Quando a tirou, Justin
282
levantou-se e, sem ter tempo para pensar, comeou a desabotoar as calas. Sarah tinha os olhos fixos nos seus dedos e observava os seus movimentos em vez do seu 
rosto.
Finalmente, desembaraou-se das suas calas e permaneceu de p diante dla, vestido unicamente com as cuecas que lhe chegavam at ao joelho. Sarah fixou os olhos 
no que tinha ficado exposto ao tirar as calas, o p e o tornozelo habilmente esculpidos e o arns de couro que os unia  sua perna. Justin conteve o flego durante 
uma eternidade antes que Sarah voltasse a olhar para ele nos olhos.
- Como funciona? - perguntou.
No pde ler nada salvo curiosidade na pergunta e, mais importante ainda, nos seus olhos. Simples curiosidade, to natural como a que Drew tinha exibido desde o 
comeo.
Portanto, Justin comeou a respirar. Uma inspirao lenta e logo outra. At que, finalmente, recuperou o ar suficiente para formular uma resposta.
- No to bem como desejaria - disse com sinceridade, enlaando a voz com humor trmulo.
- Ensina-me - pediu-lhe ela, ainda a olhar para ele. Justin permaneceu imvel durante um longo momento, mas Sarah no afastou os olhos.
E a sua expresso tambm no mudou.
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- Sim, s como Drew - comentou finalmente. A brincadeira era uma ponte, uma conspirao

conjunta criada para salvar as questes das quais no podiam falar. Justin sentou-se sobre a cama e, embora os dedos lhe tremessem, apressando-se a realizar a tarefa 
j familiar, soltou o arns que segurava o p artificial e deixou o artefacto no cho.
Sarah desceu os olhos, mas ele no quis contemplar o coto avermelhado. A sua torpeza estava claramente impressa na sua mente, portanto, sabia perfeitamente o que 
Sarah estava a ver.
Quando Sarah voltou a olhar para ele, sorriu-lhe. E a sua expresso no tinha mudado. Justin esperava repulsa ou, talvez, porque era Sarah, piedade. Mas o azul sereno 
dos seus olhos permanecia imperturbvel.
Ento tocou-lhe. A mo que com frequncia tinha visto a acariciar os caracis de Drew roou, com o mesmo amor e com paixo, o a pele avermelhada que os cirurgies 
tinham estirado e
cosido para cobrir o extremo do osso que tinham serrado. Os seus dedos deslizaram com ternura pelos pontos que as longas horas de uso do p artificial, naquele dia, 
tinham deixado mais ferido.
- Disse a Drew que no falasse contigo sobre isto - sussurrou, olhando para ele outra vez. Lamento t-lo feito. Agora sei que estava enganada. Isto  uma parte de 
ti - continuou. - Sempre
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ser parte de ti e no h razo para no falar disso. Ou para no deixar que Drew te faa perguntas. Nunca te incomodaram.
- Nunca me incomodaram as perguntas de Drew. Mas tinha medo do que tu poderias pensar
- reconheceu. - De como te sentirias. Ou talvez de como eu me sentiria.
- E como te sentes? - perguntou Sarah.
- Igual - respondeu com suavidade, e surpreendeu-se ao reconhecer a verdade da sua resposta.
Graas a Sarah, deu-se conta de que era o mesmo homem por quem ela se tinha apaixonado. Tanto se estivesse cansado sobre uma escada ou a cambalear, tentando evitar 
os punhos castigadores de David Osborne. Aos seus olhos, era o mesmo homem que tinha amado durante tanto tempo. Continuava a ser o mesmo.
E ela para ele tambm. Tinha dado  luz o filho de outro homem, mas compreendeu naquele momento que, na verdade, no se importava. Continuava a ser Sarah, era dele 
e, apesar do tortuoso atalho que os tinha reunido naquela noite, sempre o tinha sido.
- Ama-me - sussurrou Sarah, talvez vendo nos seus olhos o que acabava de compreender.
Justin estendeu-Lhe a mo e ela tocou-lhe. Permaneceu de p diante dele por um momento, e depois comeou a soltar o corpete do vestido com os dedos. Justin sentiu 
como o seu corao
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batia desmesuradamente e o sangue que tinha impulsionado responsavelmente pelas suas veias
amontoava-se, ardente e pesado, no seu sexo.
 Sarah desceu uma manga do vestido, expondo  penumbra a pele de marfim do seu ombro, dourada pelo resplendor do fogo. Em seguida, desceu a outra manga e puxou os 
braos. Com uma mo
segurou no vestido sobre o seu peito por um longo momento, olhando para Justin nos olhos.

Finalmente soltou-o e deslizou a roupa para baixo,  volta das suas ancas, at que caiu aos seus ps. Seguiu-Lhe a combinao, uma pequena coroa de renda branca 
sobre a l. Afastou-se e in clinou-se graciosamente, pelo menos aos seus olhos, para tirar os sapatos e as meias de seda. Quando se endireitou, voltou a olhar para 
ele.
No levantou as mos para cobrir a pequena perfeio dos seus seios. Permaneceu recta e alta, quase com orgulho. O fogo realava as suas curvas e obscurecia lugares 
secretos que final mente... finalmente, poderia conhecer.
Apesar do que pensava sobre a sua relao com Osborne, Justin no teve pressa. Foi to paciente como sempre era com Drew, pensou. Os seus dedos no se moviam com 
urgncia e tocava- lhe como se fosse delicada, frgil e imensamente valiosa.
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As suas mos fortes e calosas moveram-se to destramente por zonas do seu corpo que nunca considerava desejveis, provocando por todo o seu ser sensaes com as 
quais nem sequer tinha sonhado.
Desde o comeo, apesar dos nervos, no lhe negou nada. No sabia para onde a levava e se tinha conhecimento sobre o que aconteceria. Tambm no tinha expectativas, 
s o seu amor por Justin e a sua confiana inquebrvel nele.
Com infinita pacincia e indisputvel destreza, Justin comeou a acariciar o seu corpo inexperiente, arrancando respostas que a fizeram sussurrar o seu nome na escurido. 
Os seus lbios na sua garganta, os seus dedos a deslizar pelos mamilos pequenos e duros dos seus seios, a sua lngua... a sua lngua explorando-a de formas que desencadearam 
um rio de necessidade e desejo por todo o seu corpo.
Enquanto a acariciava, Sarah deslizou os dedos pelo plo encaracolado do seu trax, respirando com irregularidade, com a pele hmida e corada. De vez em quando, 
cravava-lhe as unhas na pele, incapaz de suportar o prazer doce e incontrolado que produziam as carcias de Justin. s vezes pensava que se lhe voltasse a tocar, 
estalaria em mil pedaos e cada um deles suplicaria de novo as suas carcias.
Quando comeou a tremer, a erupo interna
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do seu corpo foi totalmente inesperada. No tinha mais guia que o seu amor. O calor da necessidade deu lugar a uma repentina cascata de
fluido. Involuntariamente, arqueou as ancas e agarrou-se aos ombros de Justin enquanto ele comeava a mover-se sobre ela.
De repente, sentiu como os seus seios se esmagavam sob a parede firme do seu trax. Sentiu a aspereza do plo que cobria as suas fortes coxas, que tremiam sobre 
a suavidade das suas. Justin segurou a sua cabea com ambas as mos, obrigando-a a olhar para ele. E o que leu no seu rosto fez com que arqueasse novamente as ancas, 
pondo-as em contacto directo com a sua ereco firme.
Abriu os olhos com surpresa quando Justin comeou a entrar nela, movendo as ancas ao compasso das suas. A carne uniu-se  carne, procurando a posio mais ntima, 
tentando preencher o desenho perfeito que a natureza tinha criado para homem e mulher.
Ofegou e atirou a cabea para trs  medida que a presso aumentava. Mais que presso: Quis dizer-lhe que a estava a magoar, mas as palavras no cobraram forma nos 
seus lbios. Depois, com mais fora naquela ocasio, Justin penetrou no calor e na humidade que com tanto esmero tinha suscitado.

Sarah observou os seus olhos quando Justin,
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com a mente drogada pela paixo, o compreendeu. As suas pupilas dilataram-se rapidamente e depois fecharam-se enquanto trespassava a barreira que no tinha esperado 
encontrar. Ao faz-lo, a sua semente ardente verteu-se no seu corpo. Atirou a cabea para trs e o seu corpo estremeceu-se com o mesmo xtase que antes tinha criado 
no seu.
Sarah abraou-o, sem compreender nada, salvo que a amava. Abraou-o at que as convulses do seu corpo abrandaram, e permaneceu deitado sobre os seus seios, como 
um nadador exausto que se aventurou demasiado num oceano desconhecido e tinha regressado com muita dificuldade  margem.
Ento apoiou-se nos cotovelos e olhou para ela. Passeou o olhar pelos seus traos, estudando-os durante um longo tempo em silncio. Um silncio demasiado longo... 
e temvel.
- Por que no me disseste? - perguntou. Queria dizer-lhe naquele mesmo instante, sobretudo ao ouvir o que havia na sua voz, mas tinha dado a sua palavra, o seu juramento 
mais solene e nem sequer aquele...
- No posso - sussurrou. - Por favor, no me faas perguntas.
Levantou a cabea para beijar os seus lbios, tentando suavizar a sua negativa. Ou talvez para lhe fazer saber, sem palavras, o muito que sempre
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o tinha amado. inclusive quando tinha escrito aquela carta h quatro anos.
- Drew no  teu filho - declarou; sem question-lo.
- No - sussurrou.
- Mas David Osborne  o seu pai?
- Sim - respondeu.
- E no vais dizer-me...
- No posso - interrompeu-o. - Por favor,no
me faas mais perguntas,Justin. Eu peo-te.
Todas as perguntas que lhe tinha proibido formular reflectiram-se nos seus olhos. No entanto,
as explicaes eram limitadas,e talvez descobrisse a correcta ao fim de algum tempo,embora
o funeral prematuro de Amelia debilitasse aquela
possibilidade.
- No te preocupaste com isso esta noite disse com suavidade,lutando contra a dureza da
sua expresso. - Por que ias preocupar-te agora?
- Se Osborne recorrer aos tribunais... - comeou a dizer,compreendendo o que implicava
o facto de Sarah no ser,na verdade,a me de
drew.
- Vamos ultrapass-lo juntos. Tu e eu e Drew.
No levar Drew a no ser que consiga o
dinheiro do meu pai. Isso  o que quer na verdade,
E o meu pai nunca reconhecer Drew como
herdeiro,no pode. Portanto,s teremos que
suportar as intrigas mais um tempo e depois...
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As suas palavras ficaram suspensas no ar. Justin tinha a expresso to fria como quando tinha agredido David com a garrafa. Sarah no sabia se a sua fria era dirigida 
a Osborne,  possibilidade de um novo escndalo ou a ela.

- O que se passa? - sussurrou. Deslizou os dedos pelo seu rosto marcado pela barba incipiente. - No importa. Nada importa, salvo ns. Tu e eu. E Drew. O resto, 
no importa.
Finalmente, a pouco e pouco, Justin relaxou os lbios. Baixou a cabea e beijou o pequeno pulso que estava ao lado do seu pescoo. Sarah fechou os olhos, sentindo 
como a espiral de calor voltava a crescer no centro do seu corpo.
Acontea o que acontecer", pensou. Foi quase o seu ltimo pensamento coerente, porque Justin tinha comeado a mover outra vez as ancas, de forma lenta e poderosa. 
Acontea o que acontecer, vamos ultrapass-lo juntos, meu amor. Acontea o que acontecer.
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Catorze
Ao amanhecer do dia seguinte, o conde de Wynfield tinha terminado as mensagens que mandaria enviar logo que os criados dessem sinais de vida. Tambm tinha completado 
os documentos, deslizando a pena pela folha  luz de uma vela, no quarto em que a sua esposa ainda dormia.
Quando dobrou as mensagens e ps o seu selo sobre a cera quente, p- las de parte e aproximou-se da cama que tinham partilhado, pela primeira vez, na noite anterior. 
Uma cama que tinha deixado h mais de duas horas para se vestir
a toda a pressa porque, de repente, tinha compreendido o que devia fazer. E assim que tomou a dciso, sentiu-se ansioso por p-la em prtica. E no se arrependia, 
pensou olhando para
Sarah. Em seguida, os seus olhos viram as manchas de sangue dos lenis revoltos. Claro que
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no necessitava daquela prova. At aquela noite, em que a tinha despojado da sua virgindade, Sarah tinha-se mantido to intacta como quando Jstin tinha partido 
para Espanha. Pura e sem mancha, como o seu amor por ele. Portanto, no ficaria de braos cruzados ao ver como Osborne arrastava o seu nome pela lama outra vez.
Algum dia, talvez estivesse disposta a revelar-lhe o segredo do nascimento de Drew, de lhe explicar por que o tinha mantido durante tanto tempo. Algum dia, mas de 
momento...
No momento, Justin ainda tinha outro assunto por resolver. Outra questo a ultrapassar, como ele e Sarah tinham feito naquela noite. Porque havia outra pessoa implicada 
nos seus planos: o filho de Sarah.
Que no era, na realidade, seu filho. Pelo menos, segundo as normas pelas quais se regia o mundo. Mas sim pelo amor que partilhavam, pelas horas que Sarah tinha 
dedicado ao seu cuidado e a sua interminvel preocupao com a sua felicidade. Segundo aquelas normas, Drew era filho de Sarah.
E dele. Aquela compreenso foi uma surpresa, mas em seguida deu-se conta da sua verdade. Osborne queria utilizar Drew para o seu prprio benefcio. Justin, como 
Sarah, s desejava am-lo.

E sentir-se querido. Tinha acreditado consegui-lo em Londres, mas depois, absorto nas complicaes da sua relao com Sarah, tinha deixado que o seu vnculo com 
Drew se debilitasse pela sua falta de ateno. O pai de Drew tinha aproveitado aquela brecha, que nunca teria existido se Justin tivesse tratado a adorao do menino 
com o respeito que merecia. No o tinha feito e teria que pagar por essa falha. Outro problema para enfrentar. Outro dever para cumprir.
Mas nem todos os deveres eram desagradveis, pensou com um sorriso, e inclinou-se para beijar o ombro nu da sua esposa. Sarah mexeu-se e entreabriu os lbios. Esta 
noite", prometeu-lhe Justin em silncio, esboando outro sorriso, e, em seguida, afastou-se da cama e saiu do quarto.
Entrou no quarto de Drew to silenciosamente como tinha sado do seu e encontrou o menino a dormir. Depois dos acontecimentos da tarde anterior, no lhe surpreendia 
que no o tivesse ouvido entrar. Decidiu no despert-lo e permaneceu de p a contemplar a criana, sentindo a mesma onda de amor que, momentos antes, tinha sentido 
ao olhar para Sarah.
Um objecto da mesa-de- cabeceira captou
sua ateno. Era um relgio de bolso que reflectia a luz que comeava a filtrar-se pelas janelas estreitas. Justin pegou no objecto, perguntando-se distraidamente 
se seria do av, dada a sua antiguidade.
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- Essa marca, a do lado esquerdo,  a marca de uma bala - interrompeu Drew.
Justin ergueu o olhar e surpreendeu Drew a observ-lo da cama, apoiado sobre o cotovelo.
- A marca de uma bala? - repetiu Justin, num tom duvidoso. Voltou a examinar o estojo que tinha na palma da mo. Deu-Lhe a volta, mas no havia marca na superfcie 
que pudesse dever-se a um disparo.
- Salvou a vida do meu pai - contou-lhe Drew.
- Entendo - respondeu Justin, e assim era. Uma das histrias coloridas de Osborne. E Justin tinha quase a certeza de que no era mais do que isso, uma histria. 
Claro que a sua veracidade no era relevante, mas sim a reaco de Drew. Justin voltou a deixar o relgio sobre a mesa sem permitir que o seu cepticismo se reflectisse 
no seu semblante.
- Para ele  muito especial - disse o pequeno.
 E significou muito para ti quando to deu.
- Sim - respondeu num sussurro, quase com hesitao, embora o seu olhar parecesse to limpo e aberto como o de Sarah, horas antes.
- Por isso  que decidiste ir com ele?
-  o meu pai - afirmou Drew, ainda num sussurro. - Sempre quis ter um pai, sabes?
Justin assentiu, compreendendo que se tivesse sido mais complacente, talvez tivesse satisfeito aquele desejo. Se tivesse sido assim, quando Osborne apareceu, com 
o seu encanto e os seus
295
contos de faanhas, no teria conseguido seduzir Drew to facilmente, nem o teria afastado dos que verdadeiramente o amavam.
- Eu sei - respondeu Justin.
- Pensei que talvez... - a voz infantil quebrou-se, mas Drew continuou a olhar para ele.
- Pensaste em qu, Drew?
- Quando te casaste com Sarah, pensei que talvez quisesses ser o meu pai. Mas como no quiseste...
- O que te fez pensar que no quis? - interrompeu-o Justin num tom mais brusco do que o intencionado.

- Nunca me disseste. Confiava que mo dissesses no Natal. Teria sido como Sarah diz que devem ser os presentes.
Uma parte de ti neles,. Recordou o que Drew tinha dito e compreendeu que, afinal de contas, no o tinha entendido.
- Mas no chegaste a diz- lo - continuou Drew.
- E suponho que agora seja demasiado tarde - respondeu Justin em voz baixa.
Os olhos azuis, to parecidos com os de Sarah, consideraram a pergunta: E depois nublaram-se de ansiedade.
- Tenho um pai, um pai de verdade - respondeu
num murmrio.
Justin assentiu, reconhecendo a verdade
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que nenhum dos dois podia mudar, por muito tentador que pudesse parecer tent-lo.
Lamento ter lutado com o teu pai, Drew. O que fizemos... o que fiz foi errado. Os cavalheiros no resolvem as suas disputas a lutar.
- Por que lhe bateste com a garrafa? - perguntou Drew. - Porque essa no  a maneira como um cavalheiro luta?
- Sim - reconheceu Justin. No podia criticar Osborne diante de Drew, face ao que David pudesse fazer. No podia mencionar que os cavalheiros no davam pontaps 
aos seus oponentes quando estavam no cho, nem os faziam tropear. Mas tambm no se desculpou pelo seu prprio comportamento. - Essa  uma das razes.
- Ele tambm no lutou de forma justa - afirmou Drew.
Talvez as semanas que tinha passado com o filho de Sarah no tivessem sido em vo, pensou Justin com alvio. Aparentemente, algumas daquelas lies tinham tido efeito.
- Como com os meninos da povoao - continuou Drew. - O meu pai no deveria ter-te feito lutar. Era... injusto.
- Por causa da minha perna - disse Justin num tom quase desprovido de emoo. Quase. Porque Drew tinha baixado os olhos, talvez envergonhado pelo que o seu pai tinha 
feito, e no disse nada.
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Drew s estava a repetir as lies sobre o jogo justo que ele mesmo lhe tinha inculcado. E repetia-os com a compreenso pouco racional de um menino de quatro anos. 
E se Justin no a corrigisse, Osborne apareceria perante Drew to culpado como ele mesmo se sentia. No entanto, Justin no podia permiti-lo.
- Nunca quis que isso supusesse uma diferena para ele - declarou.
- Ento no foi errado que te obrigasse a lutar?
- Os cavalheiros no resolvem os seus assuntos a lutar - repetiu Justin, - mas uma coisa no tem nada a ver com a outra.
Os olhos azuis reflectiram perplexidade.
- Ento.
- No importa, Drew - terminou o conde em voz baixa. - No vim para falar do que aconteceu ontem  noite.
O menino assentiu, sem afastar o olhar do rosto de Justin.
- No Natal errei - confessou-lhe. - Pensei compreender o que Sarah dizia sobre os presen tes, mas no foi assim. Dei-te algo meu, uma das minhas posses preferidas 
durante a minha infncia. Pensei que era um presente de verdade, mas agora compreendo que o que realmente querias era o meu amor. J to tinha dado, mas tinha-me 
esquecido de algo muito importante.

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- O qu? - perguntou Drew, olhando para ele fixamente.
- Esqueci-me de te dizer que te amo muito. E s vezes, esse  o presente mais importante. Diz-lo em voz alta. Mesmo que penses que a outra pessoa o entende.
Drew inspirou fundo e os seus ombros estreitos ergueram-se.
- E  verdade? - perguntou. - Amas-me?
- Mais do que poders chegar a saber - confessou Justin. - At ao dia que tu tambm tiveres um filho.
- Mas... eu no sou o teu filho verdadeiro.
- Talvez no - corroborou o conde, - mas eu gostaria de ser o teu pai verdadeiro - Drew assentiu com olhos muito abertos. - Porque te amo muito - acrescentou Justin. 
- E h muito tempo. E acontea o que acontecer, quero que me prometas que vais sempre record-lo. Juras, Drew?
- Juro - disse o menino.
Justin sorriu e depois, virando-se, coxeou at  porta. Antes de sair parou e voltou a cabea para o menino, que continuava a olhar para ele da sua cama.
- E Drew... - disse em voz baixa, sorrindo-Lhe outra vez. - Feliz Natal.
- A escritura de Wynfeld Park, que est sem impostos e livre de dvidas - disse Justin, enquanto deixava o papel sobre a mesa. - A escritura da minha casa de Londres 
- Justin mostrou outra folha. - O nosso acordo incluir todo o seu contedo. No entanto, h umas quantas lembranas familiares assinaladas nesta lista... - colocou 
uma terceira folha sobre as restantes -... que no carecem de valor monetrio mas que, com a sua permisso, eu gostaria de conservar, junto com os meus animais pessoais. 
Com excepo disso,  tudo seu. Tudo o que possuo. Segundo as condies expostas, claro est.
O conde de Wynfield levantou os olhos do mao de documentos e pousou-o aos olhos de David Osborne. Num olho, pelo menos. O outro estava to inflamado que no podia 
abri-lo. Por alguma razo, Justin tinha gostado de ver a cara de Osborne, to marcada pelo seu encontro da noite anterior, como a sua.
- E a nica coisa que quer em troca  o documento que Sarah assinou na Irlanda? - perguntou David:
- E a sua declarao de que Drew no  seu filho.
- Drew  meu filho - afirmou Osborne.
- Se quer o rapaz. - Justin deixou a fras inacabada de propsito. Tinha-Lhe exposto muito claramente as alternativas que tinha.
Podia ficar com Drew e reclamar nos tribunais o direito do menino  fortuna do av. 
300
No entanto, embora ganhasse o reconhecimento
de Drew como neto ilegtimo do marqus, certamente no conseguiria nada em troca. Brynmoor
estava incapacitado para nomear Drew como seu
herdeiro e Sarah, que ainda no tinha herdado e
isso no aconteceria at que Brynmoor morresse,no tinha nada.
Ou,se assim o preferisse,Osborne podia ficr
com todas as propriedades de Justin,que estavam,graas a Sarah,livres de dvidas e em melhor estado que quando o conde tinha tomado
posse delas. Justin tinha concordado vender as

duas propriedades imediatamente e dar o dinheiro a Osborne. A nica coisa que tinha que
fazer em troca era entregar o documento assinado por Sarah,do nascimento de Drew,e negar
por escrito qualquer direito paterno sobre Andrew.
- Poderia viver como um rei na Irlanda - continuou Justin em voz baixa. - Ou,pelo menos,
como um prncipe - acrescentou quando o olho
aberto de Osborne se fixou nele.
Estava a considerar a proposta,compreendeu 
Justin com alvio. David comeou a franzir os 
lbios,mas fez uma careta,sem dvida sentindo 
a dor de uma ndoa negra ao longo do seu
queixo.
- O que ganha com isto? - perguntou Osborne.
301
- Certamente, nada que voc possa compreender - respondeu Justim.
- A minha compreenso  to boa como o de qualquer outra pessoa.
-Aparentemente... sobre isto no.
- Faz isto para impedir que leve Drew?
- O senhor no quer Drew, nunca quis, portanto no deveria importar-se com os meus motivos. Eu no questionei os seus.
- Quando um homem faz algo que no entendo, sinto receio.  uma artimanha de Sarah?
- Sarah no tem nada a ver com a minha oferta.  algo entre mim e o senhor. Ou a aceita, ou no aceita.
- Que oferta?
Sarah estava de p na porta do escritrio onde Wynfield tinha decidido levar a cabo a reunio porque estava afastado do resto da casa. Aparentemente, no estava 
suficientemente afastado,
pensou com desagrado.
Sarah atravessou a diviso e parou num extremo da secretria, onde Justin tinha desdobrado os seus documentos. Olhou para eles e compreendeu rapidamente o que eram.
- O que ests a fazer? - perguntou com assombro.
A Comprar Drew. As palavras formaram-se na mente de Justin porque eram a essncia daquele acordo. Mas no podia pronunci-las, porque no conhecia o seu oponente 
suficientemente
302
bem para saber que efeito lhe produziriam.
S sabia o que Sarah lhe tinha dito, que Osbrne no queria Drew, que queria dinheiro. E isso era exactamente o que lhe estava a oferecer. Uma fortuna.
- Estou a tentar chegar a um acordo com o senhor Osborne.
- Que tipo de acordo? - perguntou Sarah. Voltou a baixar os olhos para os papis, lendo rapidamente todos eles.
Justin esperou que terminasse e depois disse:
- Um acordo no qual renuncia a todos os seus direitos sobre Andrew. Agora e no futuro.
- Em troca disto? - perguntou em voz baixa. Tudo o que no tinha dito reflectiu-se nos seus olhos e Justin sorriu-lhe.
- Uma troca justa, diria eu.
- Justin - sussurrou Sarah, mas no era um
protesto.
- Senhor Osborne? - disse Justin,desviando

o seu olhar de Sarah para pous-lo no rosto magoado que estava  sua frente.
Sem dizer uma palavra,Osborne pegou na
pena que estava junto ao tinteiro e molhou a
ponta. Escreveu o seu nome ao p do acordo e
empurrou a folha para Justin com a mo. Quase
com o mesmo movimento,fez inteno de pegar
nas escrituras. O conde ps a mo sobre elas.
303
- O senhor Samuels acedeu lev-lo a si e aos documentos para Londres - declarou Justin. Finalizada a transaco, escolt-lo- ao seu navio e, nesse momento, entregar-lhe- 
a quantia total.
David olhou para ele nos olhos, durante um longo momento. Depois assentiu e deu um passo atrs, afastando-se da secretria.
- Quando partimos?
- Quando estiver pronto. A no ser, claro est, que deseje despedir-se de Andrew - Justin tinha reflectido muito tempo sobre se devia ou no fazer aquela oferta, 
perguntando-se se no seria melhor que Osborne desaparecesse para sempre da vida de Andrew. Ou deveria conceder-lhes
um momento juntos? Finalmente, tinha decidido deix-lo nas mos de Osborne.
- No penso que seja necessrio - respondeu Osborne, sem pesar no olhar, talvez at regozijado pelo sentimentalismo que tinha impulsionado aquela oferta. - Dado 
que j no  meu filho.
- O senhor Samuels est  sua espera no salo
- informou-o Justin. - Pensei que seria melhor que no tomasse parte nas negociaes.
- Ento espero que no se incomode por desejar o bom dia, milorde.  uma viagem muito longa e, como pode imaginar, estou ansioso por partir - desviou o olhar do 
rosto de Justin e
304
procurou o de Sarah. - Sempre pensei que eras uma mulher extraordinria - disse em voz baixa. Mas at hoje no tinha compreendido como eras extraordinria.
Por um momento, aquele encanto inegvel voltava a aflorar, tanto nos olhos de Osborne como na sua voz, grave e melodiosa pelo seu sotaque irlands.
- Acredito que se esqueceu de uma coisa - interrompeu Justin, controlando uns cimes claramente absurdos, tendo em conta o que tinha acontecido entre Sarah e ele 
na noite anterior.
- Ah, sim! - disse Osborne. Sorrindo, introduziu a mo no bolso e tirou uma folha de papel. Estendeu-a ao conde.
- Sarah - chamou Justin em voz baixa. Quando ela olhou para ele, apontou para o documento com a cabea. - Importas-te de verificar se aquele  o papel que assinaste?
Sarah hesitou por um momento e depois fechou os dedos em torno da folha. Os dois homens observaram-na enquanto a abria.
-  sim.  a folha que assinei - declarou,
olhando para o seu marido.
- E s havia uma folha? - perguntou.
- S uma - corroborou em voz baixa.
- Ento, podes atir-la ao fogo - sugeriu
Wynfield.

Sarah no lhe obedeceu. Olhou para ele enquanto se prolongava o silncio entre eles, um silncio que David Osborne quebrou por fim.
- E talvez te tenhas casado com um homem suficientemente extraordinrio para ser digno de ti - continuou com suavidade. - Espero-o no salo, milorde - virou-se e 
saiu pla porta do escritrio, deixando outro silncio, algo diferente, aps a sua sada.
- Porqu? - perguntou Sarah quando o viu desaparecer, estendendo-Lhe o papel que David lhe tinha dado.
- Porqu no importa - respondeu Justin.
- Deste a tua herana por um menino... - a sua voz quebrou-se por um momento, mas controlou a emoo e continuou. - Por um menino que no pode significar nada para 
ti. Que no  teu filho, nem sequer meu. Sabes disso e no entanto... nem sequer queres saber quem .
- Sei quem  - respondeu Justin. -  teu filho. E meu, Sarah. Seja qual for o segredo do seu nascimento, podes lev-lo para a sepultura se quiseres, porque eu no 
me importo.
Olhou para o seu marido durante um longo momento e, em seguida, aproximou-se do fogo e deixou cair nas chamas o documento pelo qual o seu marido tinha entregue a 
sua fortuna, o documento que teria limpo o seu nome do escndalo. J tinha comeado a enegrecer-se e a fumegar quando ouviram os primeiros gritos, longnquos
306
e indistintos, at que duas palavras familiares ressoaram com clareza.
- Bastardo filho da me!
- Drew! - exclamou Sarah, e ps-se a correr pela porta por onde David Osborne acabava de desaparecer.
- Sabia que o estavas a esconder! - acusou-a Brynmoor com olhos sombrios, cheios de astcia feroz, olhando para ela fugazmente quando entrou a correr no salo.
Sarah passeou os olhos pela diviso, procurando Drew com frenesi. O senhor Samuels tinha-se encostado na parede junto  lareira, mas o marqus no se fixava nele. 
Toda a sua ateno estava posta na outra pessoa que havia na diviso, no homem que tinha manchado a honra da sua filha mais nova h mais de cinco anos.
A ponta da espada que empunhava tocava na garganta de Osborne e um pouco de sangue j tinha manchado o seu leno branco de pescoo. David no se moveu. S o seu 
olhar reagiu  entrada de Sarah, suplicando-lhe ajuda.
Ouviu Justin entrar no salo, poucos segundos depois, e ficou feliz por estar entre ele e o seu pai. Entre Justin e a ameaa da espada, que esgrimia como se no 
tivesse esquecido nada do que o seu professor de esgrima lhe tinha ensinado, quando era pequeno.
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- Pap - chamou-o, lutando por controlar o tremor da sua voz. Acabava de compreender que David era o que tinha provocado os seus delrios no Natal. Osborne, que 
devia ter visto na propriedade, era o bastardo filho da me" que o seu pai tinha estado a procurar, e no Drew.
- Tenho-o aqui, Mellie. No voltar a fazer-te mal, nem a ti nem a nenhuma outra mulher inocente - prometeu Brynmoor num tom triunfante. Aparentemente, a ofensa 
continuava a mago-lo na sua loucura, j que no recordava nada mais, nem sequer o seu nome.

- Eu sou a Sarah, pap - disse em voz baixa.
- Aquele homem nunca me fez mal. Ests enganado, ests a cometer um terrvel engano.
Deu um passo para ele. O cho rangeu sob o seu peso e Osborne abriu os olhos com horror. De repente, o fluxo de sangue cresceu, fluindo mais depressa.
- No - ordenou-lhe Justin atrs de si. Sarah j tinha parado, consciente de que algo que pudesse desgostar o seu pai poderia causar a morte de David. Nunca tinha 
acreditado que Brynmoor fosse capaz de ferir algum, nem sequer nos seus momentos de delrio, mas era evidente que se tinha enganado.
- Eu vou det-lo, senhor - ofereceu-se Justin levantando a voz. Ressoava com a autoridade que tinha aprendido num campo de batalha longnquo,
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pensou Sarah. E aproximou-se com segurana, enquanto falava. - Terei que chamar o juiz,  claro. Vou prend-lo na despensa at que chegue.
- No te conheo - declarou Brynmoor, olhando alternativamente para Osborne e para o conde.
- Eu sou Wynfield - respondeu Justin. - Vim ajud-lo - continuou com voz serena mas decidida. Brynmoor parecia confundido com a sua segurana. - Se me entregar a 
espada, senhor, eu mesmo o deterei.
Estava suficientemente perto para tocar no marqus e mesmo assim, por incrvel que parecesse, Brynmoor continuava sem cravar a sua espada. Sarah queria fechar os 
olhos, apagar a imagem, mas no pde. Por mais horrorizada que estivesse pelo que se estava a passar, sentia ainda mais pavor pelo que podia acontecer. Era possvel 
que Brynmoor, ofuscado pela interferncia, atacasse Justin com a espada.
- Entregue-me a espada - ordenou-lhe Justin.
- Tire-o de cima de mim - suplicou Osborne. Foi um engano. Fez com que o idoso voltasse a fixar-se nele e na sua ofensa.
- O filho da me sabe falar! - declarou Brynmoor com malcia. - Que palavras sussurraste  minha filha; chacal? O que lhe disseste para que abandonasse a casa do 
seu pai? - o
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rosto de Osborne estava desprovido de cor e a ponta da espada desaparecia no fluxo de sangue.
- Est morta, sabes? - sussurrou o idoso. - En terrei a tua rameira. Enterrei-a onde no a pudesses encontrar.
- Eu no...
Osborne foi apenas capaz de pronunciar aquelas duas palavras. O marqus flectiu o cotovelo, retirando a espada para a afundar de forma letal e definitiva e Justin 
equilibrou-se sobre ele com os braos estendidos.
Os dois caram ao cho e a ponta da espada de Brynmoor deixou um rasto prpura pelo pescoo de Osborne. Um arranho, a julgar pela rapidez
com que Osborne se afastou da parede e levou as mos  garganta.

As maldies iradas de Brynmoor ressoaram por toda a diviso. Levado pela fria, conseguiu desembaraar-se de Justin e levantou-se com a agilidade de um homem muito 
mais jovem. Atacou o conde, que continuava no cho, fazendo um gesto com a espada que fez com que o corao de Sarah se paralisasse. Em seguida, com olhos de assassino 
e o rosto arroxeado de sangue, virou-se em busca da sua vtima original.
Osborne compreendeu com atraso que estav em perigo e tentou subir pelo sof que impedia sua fuga. O marqus de Brynmoor dobrou o cotovelo, preparando-se para afundar 
a sua espada
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nas costas da sua vtima, mas antes que pudesse completar o movimento; Justin alcanou-o.
Agarrou no casaco do idoso, a nica coisa que teve tempo de fazer, puxando-o para trs, impedindo que a arma acertasse no seu alvo. Brynmoor virou-se, empunhando 
a espada. Bateu ao conde no rosto com o punho e Justin cambaleou para trs e perdeu o equilbrio. Com ambas as mos na arma, o marqus levantou a espada por cima 
da sua cabea, dispondo-se a crav-la no homem indefeso que estava aos seus ps.
- Pap! - gritou Sarah, e a sua voz ressoou pelas paredes.
O grito paralisou o marqus. As suas mos hesitaram no alto e olhou para ela nos olhos. De repente, as suas pupilas dilataram-se e comeou a abrir e a fechar a boca 
espasmodicamente, como um peixe moribundo: A espada caiu das suas mos sem fora, cravando-se no grosso tapete oriental e Brynmoor levou as palmas das mos s tmporas. 
Com os olhos fechados e o rosto distorcido pela agonia, o idoso caiu de joelhos e depois, como uma rvore abatida, desabou sobre o tapete.
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Eplogo
Justin no soube com certeza quanto tempo tinha dormido quando abriu os olhos, mas a luz
era tnue e as sombras prolongadas nos cantos
do quarto. Voltou a cabea para o lado,sobre a
lmofada e viu Sarah a ler,numa cadeira junto 
cama. No disse nada,limitou-se a contempl-la
durante algum tempo,pensando nos anos desperdiados. E em todos os que,cheios de promessas,os aguardavam.
Finalmente,Sarah levantou a cabea e,ao
dar-se conta de que estava acordado,sorriu-lhe.
Ofereceu-lhe a mo e Justin pegou nela e levou-a aos lbios para lhe dar um beijo.
- Onde est Drew? - perguntou.
- A jantar,mas vir visitar-te antes de ir para a
cama. Ele tambm est convencido de que vai
perder-te.
- Tambm? - inquiriu Justin.
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- David partiu esta tarde - explicou Sarah. A sua voz reflectia um sentimento que no compreendeu. Pesar? Porque Drew estava triste? No entanto, os dois tinham querido 
que Osborne se fosse embora. David tinha renunciado aos seus direitos sobre Drew e estava longe das suas vidas para sempre. Como Brynmoor, que tambm no era uma 
ameaa para ningum.
- Lamento muito o que aconteceu ao teu paidisse-lhe.
- Talvez... talvez seja melhor assim. Talvez Drew tivesse direito a ter medo dele.
- No penso que teria feito mal a Drew. Penso que, por alguma razo, durante todos estes anos nunca se esqueceu do que Osborne tinha feito a Amelia.
- J sabes - sussurrou Sarah.
- Que Drew  filho de Mellie? - perguntou Justin. - Eu sei.

O idoso tinha falado o suficiente para deduzi-lo. Justin no compreendia toda a histria,  claro, mas na sua mente no tinha duvidado sobre a parte essencial do 
mistrio. Nem sobre os motivos que tinham impulsionado Sarah a guardar aquele segredo. Afinal de contas, sempre tinha protegido Amelia, pelo menos, depois da morte 
da sua me.
O silncio prolongou-se entre eles, mas no era desconfortvel. Parecia que, depois de uma
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viagem longa e arriscada, os dois estavam em paz. Juntos, por fim, e tudo o que os tinha separado tinha deixado de ter importncia. O quarto estava quase s escuras 
quando Sarah voltou a falar.
- Tenho uma coisa para ti - interrompeu o silncio.
- Para mim?
- Um presente de Natal fora de prazo, suponho. No cheguei a dar-te nada.
Justin sorriu.
- No esperava que o fizesses.
- Eu sei - sussurrou, - mas... No so as prolas da tua me, nada to valioso, mas penso que vais gostar de o ter, de todas as formas - inclinou-se para acender 
o candeeiro da mesa e depois colocou um pacote que tinha no seu colo sobre a cama.
- O que ? - perguntou Justin.
Tocou no papel que embrulhava a caixa e depois abriu-a com dedos trmulos. Ao faz-lo, compreendeu que era o documento que Osborne tinha assinado a renunciar a sua 
paternidade sobre Drew. Justin olhou para Sarah com os olhos intrigados.
- Olha para o resto - pediu-lhe.
Ps de parte a primeira folha e abriu a segunda. Por um momento, o seu crebro no compreendeu o que estava a ver.
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-  a escritura de Wynfield Park - declarou, e olhou outra vez para Sarah.
- E a outra  a da casa de Londres.
- No percebo - respondeu Justin, voltando a deslizar o olhar pelos papis que representavam todo o seu patrimnio, tdo o que restava da sua famlia.
- David disse que era a nica coisa nobre que tinha feito na sua vida. E no queria que tu deitasses tudo a perder. Se realmente querias renunciar  tua herana... 
- a sua voz quebrou-se e, ao olhar para ela, Justin compreendeu que tinha os olhos cheios de lgrimas. - Se realmente quisesses, podias d-la a Drew.
- Porqu? - perguntou Justin, revendo mentalmente tudo o que pensava saber sobre David Osborne.
- Talvez pelo que fizeste hoje. Arriscaste a tua prpria vida para salvar a sua, inclusive depois do que tinha feito. Talvez por fim compreendesse... - voltou a 
hesitar e, quando prosseguiu, foi para dizer algo diferente. - Disse que eras um homem extraordinrio. E s. Muito melhor homem do que David pode alguma vez chegar 
a ser. Muito melhor pai para Drew. Talvez... talvez ele mesmo o tenha compreendido.
- Achas que se foi embora para sempre?
- No tem motivos para voltar. No pode reclamar nada, nem prejudicar-nos de alguma forma.
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- E Drew?

- O seu pai foi para a ndia, que est muito, muito longe - disse, sorrindo para Justin, repetindo o que Lhe tinha dito o menino na estalagem. - E talvez algum dia, 
quando Drew for mais velho.
A porta abriu-se e os dois viram Drew.
- Posso entrr? - perguntou.
- Ficaria muito triste se no o fizesses - disse Justin. - Estava ansioso por te ver.
- E eu por te ver a ti - respondeu Drew, atravessando o quarto para ficar de p junto  cadeira de Sarah. Observou com ateno o rosto de Justin e depois suspirou 
profundamente.
- Continuo aqui - declarou o conde em voz baixa, vendo claramente o alvio reflectido naqueles olhos azuis. - No me amassam com facilidade.
Drew inclinou-se sobre a cama alta e apoiou os braos cruzados sobre o colcho, apoiando o queixo nos braos.
- Queres que te conte uma histria? - perguntou.
Justin controlou a urgncia de sorrir e olhou para Sarah por cima da pequena cabea frisada.
- Eu adoraria.
- O meu pai contou-me algumas histrias sobre a ndia. Queres ouvir uma?
- Se quiseres.
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Drew hesitou e depois exalou outro suspiro
profundo.
- Penso que no voltarei a v-lo durante algum tempo - disse em voz baixa. - Talvez s quando for mais velho.
- Talvez tenhas razo - concordou Justin. Afinal de contas, a ndia fica muito longe.
- Achas... - comeou a dizer Drew e depois fez uma pausa para procurar Sarah com o olhar.
- Se for para presente de Natal, podes dizer a outra pessoa o que queres?
- Penso que sim. Se for algo muito importante - acrescentou.
- Ou algo que desejas muito? - sugeriu Drew. Quando Sarah lhe deu permisso com uma inclinao de cabea, o pequeno desviou rapidamente o olhar para Justin e depois 
voltou a dirigi-lo para Sarah. - Chamaste o Brynmoor de pap - declarou.
- Era meu pai - explicou Sarah. - E quando a minha irm e eu ramos pequenas, mais ou menos da tua idade, pensei que era o melhor pai do mundo.
- E amava-lo muito.
- Amava-o muito - disse Sarah.
- Porque era o teu pai verdadeiro? - perguntou Drew.
- Porque me amava - clarificou. -  a nica coisa que importa, Drew. A nica coisa que  realmente importante.
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- Ento... - o menino voltou o rosto para o homem que os estava a observar. - Ento eu gos taria que fosses o meu pai.  o que mais desejo no mundo.
- E eu tambm - respondeu o conde Wynfield com suavidade. - Tambm  o meu maior desejo.
- E agora - disse Drew contente, aliviado por ter resolvido a questo. - Agora vou falar-te de
tigres.
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Fim
